Exercício de fixação.
1. A classificação de risco nas unidades de urgência e emergência, quando fundamentada exclusivamente em sinais vitais como frequência cardíaca, pressão arterial e saturação de oxigênio, é considerada suficiente para garantir uma triagem eficaz, pois esses parâmetros refletem objetivamente a gravidade clínica do paciente.
(FALSO)
Justificativa: Embora sinais vitais sejam fundamentais, uma triagem eficaz exige avaliação multidimensional, incluindo queixa principal, dor, nível de consciência, história pregressa, fatores sociais e observação geral. Classificar apenas com base em parâmetros objetivos pode negligenciar quadros graves com sinais vitais temporariamente estáveis, como sepse inicial ou AVC em fase aguda.
2. O acolhimento, conforme preconizado pela Política Nacional de Humanização (PNH), é uma diretriz que transcende a triagem técnica, pois está vinculado à escuta qualificada, à responsabilização pelo cuidado e à construção de vínculo entre profissional e usuário.
(VERDADEIRO)
Justificativa: A PNH estabelece o acolhimento como um dos pilares para humanizar o acesso, compreendendo que ouvir ativamente, sem julgamento, e assumir corresponsabilidade pelo cuidado, são práticas que qualificam o atendimento e humanizam o SUS. A escuta qualificada é indispensável na primeira abordagem do paciente.
3. A metodologia de classificação de risco do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) é pautada em uma estrutura de cinco cores que se assemelha ao Protocolo de Manchester, utilizando inclusive os mesmos critérios clínicos, o que indica que trata-se de uma versão brasileira desse protocolo europeu.
(FALSO)
Justificativa: Embora o HCPA utilize uma escala de cores similar, sua metodologia é própria, adaptada à realidade hospitalar brasileira, com critérios desenvolvidos com base em demandas locais, epidemiologia e estrutura assistencial. Não se trata de uma adaptação direta do Manchester, mas de um modelo independente, desenvolvido nacionalmente.
4. A ausência de integração entre unidades de pronto atendimento (UPAs), o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e hospitais de referência compromete a eficácia da classificação de risco, pois impede a continuidade adequada do cuidado e dificulta o fluxo assistencial em situações críticas.
(VERDADEIRO)
Justificativa: A classificação de risco é parte de uma rede assistencial interligada. Sem a regulação e articulação entre os serviços, pacientes graves podem enfrentar atrasos em transferências, internações e continuidade terapêutica. A eficiência da triagem depende também da capacidade do sistema de dar resposta à prioridade definida.
5. A classificação de risco no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS) é aplicada com o mesmo rigor e finalidade das unidades de emergência, tendo como objetivo exclusivo a redução de tempo de espera por atendimento médico imediato.
(FALSO)
Justificativa: Na APS, a classificação de risco tem enfoque diferente. Visa organizar o acesso com base na vulnerabilidade, riscos sociais, doenças crônicas e continuidade do cuidado, e não somente na urgência clínica. O objetivo não é o atendimento imediato, mas a priorização longitudinal, considerando o território e o vínculo com a equipe de saúde.
6. A gestão de tempo durante a triagem é uma competência essencial do enfermeiro classificador, pois influencia diretamente no acolhimento, na escuta ativa e na definição de prioridades, sendo necessário equilibrar agilidade e aprofundamento na avaliação.
(VERDADEIRO)
Justificativa: O enfermeiro deve atuar com celeridade, mas sem superficialidade. É preciso escutar o paciente, observar sinais, aplicar escalas e tomar decisões críticas rapidamente, o que exige habilidades específicas de priorização, gestão emocional e domínio técnico. O tempo é determinante para a qualidade e segurança do cuidado.
7. Os protocolos locais de classificação de risco são considerados inferiores aos protocolos internacionais devido à ausência de validação científica e por não seguirem uma padronização universal, o que prejudica sua aplicação em redes de saúde integradas.
(FALSO)
Justificativa: Protocolos locais são valiosos justamente por se adaptarem às realidades regionais, respeitando a epidemiologia, os recursos disponíveis e o perfil dos usuários. Eles podem, sim, ser validados cientificamente e são fundamentais para a resolutividade e efetividade do cuidado. A valorização da realidade brasileira é um princípio orientador do curso.
8. O uso da Escala de Coma de Glasgow e da escala AVPU na triagem contribui para a identificação precoce de comprometimento neurológico, sendo ferramentas úteis tanto em adultos quanto em populações específicas como crianças e idosos.
(VERDADEIRO)
Justificativa: Ambas as escalas são úteis na avaliação neurológica durante a triagem, permitindo rápida identificação de rebaixamento do nível de consciência, necessidade de atendimento emergencial e ativação de protocolos específicos. Podem ser adaptadas a diferentes faixas etárias com devida capacitação profissional.
9. Situações especiais como gestação, infância e envelhecimento devem ser avaliadas com critérios rígidos e uniformes, não havendo necessidade de adaptações na classificação de risco, já que a fisiologia humana é padronizada.
(FALSO)
Justificativa: Crianças, gestantes e idosos possuem características fisiológicas e clínicas específicas que exigem critérios próprios. Por exemplo, febre em um neonato tem significado diferente de febre em um adulto. A classificação de risco deve ser adaptada, respeitando essas peculiaridades para evitar subnotificação de gravidade.
10. Indicadores como tempo entre chegada e classificação, taxa de reclassificação e número de pacientes atendidos por categoria de risco são fundamentais para avaliar a eficiência da triagem e devem ser utilizados como ferramentas de melhoria contínua do serviço.
(VERDADEIRO)
Justificativa: Indicadores operacionais e clínicos são instrumentos fundamentais de avaliação da qualidade e resolutividade da classificação de risco. Permitem identificar gargalos, promover correções de rota, apoiar decisões administrativas e garantir maior segurança ao paciente.