01 - Acuidade visual reduzida
Acuidade Visual Reduzida no Protocolo de Manchester: Aplicação Clínica e Classificação de Risco
A acuidade visual reduzida é um discriminador clínico importante no processo de triagem e classificação de risco em serviços de urgência e emergência, especialmente quando se utiliza o Protocolo de Manchester. Embora seja uma queixa aparentemente simples, ela pode ser indicativa de condições neurológicas, oftalmológicas ou sistêmicas graves, exigindo atenção cuidadosa do enfermeiro classificadora.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Acuidade visual reduzida: qualquer redução na acuidade visual corrigida.
Em termos práticos, considera-se “acuidade visual reduzida” quando o paciente apresenta dificuldade visual mesmo com o uso de óculos ou lentes corretivas, ou relata perda súbita ou progressiva da visão, seja total ou parcial, em um ou ambos os olhos.
👁️ Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a escuta ativa e o acolhimento do paciente, o enfermeiro pode identificar a queixa espontânea de visão embaçada, visão duplicada, escurecimento visual, perda parcial do campo visual ou cegueira súbita.
É importante avaliar:
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Se a perda é recente ou crônica;
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Se há dor ocular associada;
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Se o sintoma é unilateral ou bilateral;
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Se há outros sintomas neurológicos concomitantes (como cefaleia, tontura, parestesias, confusão).
A redução da acuidade visual deve ser sempre comparada com o estado habitual do paciente, levando em conta o uso de correção óptica.
⚠️ Possíveis causas clínicas associadas
A acuidade visual reduzida pode estar relacionada a diversas condições, que variam em gravidade:
⛑️ Situações de risco elevado (necessitam atenção imediata ou urgente):
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Neuropatia óptica isquêmica (perda visual súbita unilateral);
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Descolamento de retina;
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AVC com envolvimento do córtex visual;
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Hemorragia vítrea;
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Glaucoma agudo;
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Oclusão da artéria central da retina;
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Arterite temporal (especialmente em idosos com dor no couro cabeludo e cefaleia);
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Trauma ocular penetrante.
🟢 Situações de menor risco:
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Conjuntivite;
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Miopia ou hipermetropia descompensada;
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Catarata (perda visual crônica e progressiva);
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Quebra ou perda dos óculos.
🩺 Como aplicar no Protocolo de Manchester
Ao identificar “acuidade visual reduzida” como queixa principal ou como discriminador em outro fluxo (ex: distúrbios neurológicos, trauma ocular), o enfermeiro deve buscar os fluxogramas específicos mais adequados e seguir as orientações do protocolo.
Exemplos de fluxogramas relacionados:
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Problema de visão;
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Trauma nos olhos;
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Distúrbios neurológicos (quando há perda visual súbita associada a sinais neurológicos).
O discriminador “acuidade visual reduzida” pode indicar diferentes níveis de prioridade, dependendo do contexto clínico e de outros sinais associados.
🎯 Classificação de risco por cores (exemplos práticos)
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Perda visual súbita bilateral com confusão ou outros sinais neurológicos (possível AVC);
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Trauma ocular grave com comprometimento visual.
🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Perda visual súbita unilateral sem dor (possível oclusão arterial);
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Dor ocular intensa com perda visual progressiva (glaucoma agudo).
🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Perda visual parcial sem dor, instalada há menos de 24h;
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Dificuldade visual súbita sem sinais de gravidade associados.
🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
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Diminuição da visão relacionada à perda dos óculos;
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Visão embaçada progressiva sem outros sintomas.
🔵 Azul – Atendimento em até 240 minutos
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Queixa de dificuldade visual crônica sem piora recente;
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Solicitação de receita ou avaliação de rotina sem urgência.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1: Um idoso de 72 anos chega à UPA referindo que perdeu a visão do olho direito subitamente há 2 horas. Não sente dor, mas relata que está tudo “preto” no olho afetado. Tem histórico de hipertensão.
➡️ O enfermeiro aplica o fluxo “Problema de visão” e seleciona o discriminador “acuidade visual reduzida (súbita e total)”.
➡️ Classificação: laranja – Atendimento em até 10 minutos (sugere possível oclusão de artéria central da retina).
Situação 2: Mulher de 30 anos chega dizendo que a lente de contato caiu e, sem ela, não enxerga bem de longe. Não há dor, nem sinais adicionais.
➡️ O enfermeiro reconhece a queixa como acuidade visual reduzida de causa conhecida e não urgente.
➡️ Classificação: verde ou azul, a depender da avaliação local.
🧠 Orientações para o profissional de enfermagem
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Sempre questionar o tempo de instalação da perda visual (súbita ou progressiva);
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Avaliar se há histórico de trauma, doenças crônicas, uso de medicações ou sintomas neurológicos associados;
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Lembrar que perda visual súbita e indolor pode ser emergência vascular oftalmológica;
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Considerar acuidade visual reduzida como sinal de possível comprometimento neurológico, especialmente se bilateral.
O discriminador “acuidade visual reduzida” exige atenção detalhada por parte do enfermeiro que realiza a classificação de risco. Embora a queixa possa parecer simples em alguns casos, ela também pode ser sinal de doenças graves e tempo-dependentes, como AVC ou oclusões arteriais oculares.
Por isso, é fundamental que o profissional saiba reconhecer a gravidade por trás da queixa, aplique o fluxograma correto do Protocolo de Manchester e classifique com segurança e responsabilidade, garantindo atendimento prioritário quando necessário.