03 - Alteração do Nível de Consciência
Alteração do Nível de Consciência no Protocolo de Manchester: Reconhecimento, Classificação e Abordagem Clínica
Entre todos os sinais clínicos avaliados durante a triagem de urgência, a alteração do nível de consciência (ALC) é um dos mais importantes e sensíveis, pois pode estar relacionada a situações críticas e com risco iminente de morte. Esse discriminador exige atenção imediata do profissional de enfermagem, e sua correta aplicação no Protocolo de Manchester garante agilidade no atendimento de casos graves.
🧠 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Alteração do Nível de Consciência:
Paciente que não está totalmente atento, reage apenas à voz ou à dor, ou não reage. Também inclui qualquer alteração na Escala de Coma de Glasgow (ECG).
Esse discriminador se aplica sempre que o paciente não apresenta estado de alerta pleno, ou quando há qualquer deterioração perceptível da consciência, mesmo que transitória.
🔎 Como identificar esse discriminador na prática?
Durante a triagem, o profissional deve estar atento aos seguintes níveis de resposta do paciente:
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Alerta – paciente acordado, atento, responde coerentemente;
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Responsivo à voz – responde apenas quando chamado com voz alta;
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Responsivo à dor – reage apenas a estímulos dolorosos;
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Sem resposta – não reage a nenhum estímulo.
Além disso, é essencial aplicar a Escala de Coma de Glasgow (ECG), que avalia:
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Abertura ocular (0 a 4)
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Resposta verbal (0 a 5)
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Resposta motora (0 a 6)
O escore total vai de 3 (coma profundo) a 15 (normalidade). Qualquer alteração em relação à pontuação habitual do paciente (ou um valor abaixo de 15) deve ser considerada relevante.
⚠️ Possíveis causas clínicas de alteração da consciência
As causas são amplas e variadas, mas entre as mais comuns e graves estão:
🧬 Neurológicas
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Acidente vascular cerebral (AVC)
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Traumatismo crânio-encefálico (TCE)
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Convulsões (fase pós-ictal ou em curso)
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Tumores cerebrais
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Meningite ou encefalite
🩺 Metabólicas e sistêmicas
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Hipoglicemia
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Hiperglicemia (cetoacidose diabética ou estado hiperosmolar)
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Insuficiência hepática ou renal
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Hiponatremia ou hipernatremia
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Sepse
💊 Tóxicas
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Intoxicações por medicamentos ou drogas
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Abstinência alcoólica
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Envenenamentos (acidentais ou intencionais)
🫁 Respiratórias e cardiocirculatórias
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Hipóxia
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Hipercapnia
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Choque
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Parada cardiorrespiratória iminente
🛠️ Aplicação no Protocolo de Manchester
O discriminador “Alteração do nível de consciência” pode ser utilizado em diversos fluxogramas, como:
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Alteração do estado mental
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Colapso
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Traumatismo craniano
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Convulsões
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Problema comportamental
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Hipoglicemia/hiperglicemia
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Intoxicação ou envenenamento
O enfermeiro deve avaliar o comportamento do paciente, observar seu nível de resposta e, se necessário, aplicar estímulo verbal e doloroso. A não resposta ou resposta limitada já é suficiente para aplicar o discriminador.
🎯 Classificação de Risco por Cores
🔴 Vermelho – Atendimento Imediato
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Paciente sem resposta a estímulos verbais e dolorosos;
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ECG ≤ 8;
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Presença de outros sinais vitais alterados (bradicardia, bradipneia, cianose);
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Suspeita de parada cardiorrespiratória.
🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Resposta apenas à dor ou à voz;
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ECG entre 9 e 13;
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Presença de confusão mental súbita ou desorientação aguda.
🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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ECG 14;
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Sonolência leve, com respostas adequadas ao ser chamado, mas com queixa de confusão;
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Paciente consciente, mas com relato de perda de consciência recente (sem sinais atuais).
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1: Homem de 67 anos chega trazido pela família. Está com fala lenta, sonolento e responde apenas quando chamado com insistência. ECG 10.
➡️ Fluxo aplicado: “Alteração do estado mental”;
➡️ Discriminador: “Alteração do nível de consciência”;
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos.
Situação 2: Paciente encontrado inconsciente na rua, não responde à voz nem à dor. ECG = 5. Parâmetros vitais instáveis.
➡️ Fluxo: “Colapso” ou “Intoxicação”;
➡️ Discriminador: “Alteração do nível de consciência”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato.
💡 Dicas para o enfermeiro classificadora
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Realize estímulos verbais e dolorosos de forma padronizada (ex.: pressão no leito ungueal com uma caneta);
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Registre a pontuação da ECG sempre que houver alteração de consciência;
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Considere o histórico do paciente, inclusive doenças prévias e uso de medicamentos;
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Em caso de dúvida, opte sempre pela classificação mais elevada, priorizando a segurança do paciente.
✅ O que aprendemos
A alteração do nível de consciência é um dos discriminadores mais críticos e que exige ação rápida e assertiva por parte do enfermeiro responsável pela triagem. A falha em identificar essa alteração pode resultar em retardo no atendimento de pacientes com risco iminente de morte.
O Protocolo de Manchester fornece ferramentas claras para o reconhecimento e priorização desses casos, mas cabe ao profissional manter-se vigilante, criterioso e ético em sua tomada de decisão clínica.
Dominar esse discriminador é essencial para garantir um atendimento seguro, humanizado e eficaz em qualquer unidade de urgência.