08 - Apneia
Apneia
Identificação clínica, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de classificação de risco
A apneia é uma condição clínica extremamente grave que indica a interrupção da respiração espontânea por um determinado tempo. No ambiente de triagem e emergência, o reconhecimento rápido da apneia pode significar a diferença entre a vida e a morte, exigindo classificação imediata com prioridade máxima.
O Protocolo de Manchester, ao incluir a apneia como discriminador, orienta o enfermeiro a identificar corretamente essa condição por meio da observação ativa, escuta e toque, mesmo em pacientes aparentemente estáveis.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Apneia:
Ausência de respiração ou esforço respiratório durante 10 (dez) segundos, conforme avaliação pelo olhar, audição e tato.
Esse critério deve ser aplicado independentemente da causa, e se baseia na percepção sensorial direta do profissional: observar o tórax, ouvir os sons respiratórios e sentir a movimentação do ar ou do tórax.
🔎 Como identificar apneia na triagem?
A apneia pode ser observada em pacientes de todas as idades, incluindo adultos, crianças, recém-nascidos e lactentes. Para identificá-la corretamente, o profissional deve realizar a chamada avaliação tripla:
-
Olhar (visão):
Observar se há movimentos torácicos, abdominais ou de narinas. -
Audição (ouvido):
Ouvir a presença de sons respiratórios (entrada e saída de ar). -
Tato (toque):
Sentir com a mão ou o rosto se há passagem de ar pelas vias aéreas.
Se nenhum movimento, som ou fluxo de ar for detectado por pelo menos 10 segundos, a condição é classificada como apneia — e deve ser tratada como emergência absoluta.
⚠️ Condições clínicas associadas à apneia
A apneia pode ocorrer em diversos contextos clínicos, incluindo:
🧠 Neurológicos:
-
Traumatismo crânio-encefálico grave;
-
AVC extenso com envolvimento do tronco encefálico;
-
Convulsões prolongadas ou estado de mal epiléptico.
🫁 Respiratórios:
-
Obstrução de vias aéreas superiores;
-
Asma grave;
-
Aspiração de corpo estranho (em pediatria);
-
Parada respiratória em neonatos.
💊 Tóxicos ou metabólicos:
-
Intoxicação por opioides, sedativos ou anestésicos;
-
Hipoglicemia severa;
-
Acidose metabólica grave.
🍼 Em neonatologia:
-
Síndrome da apneia da prematuridade;
-
Apneias transitórias após nascimento;
-
Distúrbios do desenvolvimento neurológico.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
A apneia pode ser utilizada em vários fluxogramas, entre eles:
-
Colapso
-
Alteração do nível de consciência
-
Dificuldade respiratória
-
Convulsão atual
-
Traumatismo craniano
-
Recém-nascido ou lactente doente
No caso de pacientes inconscientes ou com respiração ausente, o enfermeiro deve aplicar o discriminador "Apneia" imediatamente e iniciar os procedimentos de suporte básico ou avançado de vida, conforme protocolo institucional.
🎯 Classificação de Risco por Cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
-
Todos os casos de apneia devem ser classificados como vermelhos, pois se trata de um quadro potencialmente fatal, que exige intervenção imediata.
📣 Importante: A apneia nunca deve ser subestimada. Mesmo se o paciente “retornar a respirar espontaneamente”, a presença de episódios apneicos é sinal de instabilidade grave e exige atendimento urgente.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação:
Recém-nascido de 14 dias é trazido à UPA pela mãe após apresentar episódio em que "parou de respirar por uns 15 segundos e ficou roxinho". No momento, está estável, mas sonolento. A mãe está em desespero.
➡️ Fluxograma: “Recém-nascido ou lactente doente”;
➡️ Discriminador: “Apneia” (relato confiável de pausa respiratória);
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato.
Situação 2:
Homem de 65 anos é encontrado desacordado, sem movimentos respiratórios visíveis. O enfermeiro aplica técnica de abertura das vias aéreas, mas não detecta respiração. ECG = 3.
➡️ Fluxograma: “Colapso”;
➡️ Discriminador: “Apneia”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato e início da reanimação cardiopulmonar (RCP).
👩⚕️ Conduta do enfermeiro na presença de apneia
-
Realizar imediatamente a abertura das vias aéreas (manobra de frente inclinada ou elevação do queixo);
-
Solicitar ajuda e acionar equipe de emergência médica ou suporte avançado;
-
Iniciar ventilação de resgate ou RCP, se necessário;
-
Aplicar a classificação vermelha no protocolo;
-
Registrar todos os sinais, tempo de duração e resposta às manobras.
❗ Atenção: Episódios apneicos intermitentes também devem ser considerados como sinais de alerta e nunca devem ser classificados com cores inferiores ao vermelho ou laranja.
✅ O que aprendemos
O discriminador “Apneia” é um dos mais críticos do Protocolo de Manchester, pois está diretamente relacionado a situações de parada respiratória ou falência ventilatória iminente. O reconhecimento precoce da ausência de movimentos respiratórios, mesmo por 10 segundos, deve levar à ação imediata da equipe de saúde.
O profissional de enfermagem que atua na triagem deve estar preparado para identificar, classificar e agir prontamente, garantindo que o paciente receba intervenção salvadora sem atrasos.