11 - Asma sem Melhoria com o Seu Tratamento Habitual
Asma sem Melhoria com o Seu Tratamento Habitual
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e classificação de risco em pacientes asmáticos
A asma é uma doença respiratória crônica com potencial de agudização súbita e grave, podendo colocar a vida do paciente em risco quando não responde ao tratamento habitual. Em situações de crise, a eficácia do broncodilatador de resgate (geralmente salbutamol) é um dos principais critérios de gravidade.
O Protocolo de Manchester, reconhecendo isso, inclui o discriminador “Asma sem melhoria com o seu tratamento habitual” como um sinal de alerta clínico, que exige atenção prioritária na triagem.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Asma sem melhoria com o seu tratamento habitual:
Essa informação deve ser relatada pelo próprio paciente, indicando que, mesmo após o uso da sua medicação habitual (broncodilatador), não houve alívio significativo dos sintomas.
A ausência de resposta mesmo após administração médica também é considerada significativa.
Esse discriminador é aplicado exclusivamente a pacientes asmáticos conhecidos, que relatam estar em crise, mas que não obtiveram alívio com os medicamentos de rotina, indicando potencial para agravamento rápido do quadro respiratório.
🧠 Importância do discriminador na prática clínica
A ausência de resposta à medicação habitual pode indicar que o paciente está em uma crise asmática moderada a grave, com risco de:
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Falência respiratória;
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Necessidade de internação hospitalar ou oxigenoterapia;
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Parada cardiorrespiratória (em casos extremos).
Essa condição é tempo-dependente: quanto mais tempo sem controle da crise, maior o risco de deterioração clínica.
🔎 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a entrevista, o enfermeiro deve realizar uma escuta ativa e perguntar:
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“Você usou sua bombinha hoje?”
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“Sentiu melhora após o uso?”
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“Precisou usar mais vezes que o habitual?”
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“Está conseguindo falar normalmente ou se sente cansado para falar?”
Se o paciente disser que usou a medicação e não teve melhora, o discriminador deve ser aplicado, mesmo que ele ainda não esteja em sofrimento extremo no momento da triagem.
📌 Importante: A ausência de melhoria relatada não exige sinais clínicos graves na triagem para justificar a prioridade aumentada. O próprio relato do paciente já é suficiente.
⚠️ Sinais clínicos que podem estar associados
Além da ausência de resposta ao tratamento, o enfermeiro deve observar:
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Uso de musculatura acessória (pescoço, costelas);
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Fala entrecortada ou frases incompletas;
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Sibilos intensos (chiado no peito) ou ausentes (silêncio torácico);
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Taquipneia, taquicardia ou hipoxemia (saturação < 94%);
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Ansiedade, inquietação ou confusão mental.
Esses sinais reforçam a gravidade e podem indicar necessidade de atendimento emergencial e oxigenoterapia imediata.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
Esse discriminador é utilizado principalmente no fluxo:
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Dificuldade respiratória
Mas também pode ser relevante em:
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Problema comportamental (ansiedade associada à asma)
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Dor torácica (em crises com dor muscular torácica associada)
O enfermeiro deve sempre aplicar o fluxo mais compatível com a queixa principal do paciente, associando o discriminador quando for confirmado pelo relato do próprio paciente.
🎯 Classificação de risco por cores
🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Paciente relata ausência de resposta à medicação de resgate habitual;
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Presença de sinais respiratórios moderados (uso de musculatura acessória, fala entrecortada);
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Histórico de asma grave ou internações prévias;
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Saturação de O₂ entre 90% e 94%.
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Situação crítica: paciente exausto, sem resposta à medicação, com hipóxia grave, alteração do nível de consciência ou silêncio torácico (ausência de sibilos pela falta de fluxo aéreo);
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Saturação de O₂ < 90%;
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ECG < 15 (se houver alteração do nível de consciência).
⚠️ Nota: A simples ausência de alívio com broncodilatador sem sinais clínicos graves justifica classificação laranja. Se houver sinais de deterioração, o caso deve ser classificado como vermelho.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Mulher de 25 anos, asmática, chega à UPA referindo falta de ar desde a madrugada. Usou a bombinha de salbutamol 4 vezes, mas sem melhora. Está com fala entrecortada e respira rapidamente. Saturação: 92%.
➡️ Fluxograma: “Dificuldade respiratória”;
➡️ Discriminador: “Asma sem melhoria com o seu tratamento habitual”;
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos.
Situação 2:
Homem de 40 anos, asmático, apresenta rebaixamento do nível de consciência após crise asmática. Saturação de O₂: 86%. Não respondeu a medicação de resgate. Está com batimentos fracos e cianose periférica.
➡️ Fluxograma: “Dificuldade respiratória”;
➡️ Discriminador: “Asma sem melhoria com o seu tratamento habitual” + “Alteração do nível de consciência”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato.
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Verificar sinais vitais com atenção especial à frequência respiratória, saturação de O₂ e frequência cardíaca;
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Avaliar fala, postura e sinais de esforço respiratório;
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Aplicar oxigênio suplementar se necessário (de acordo com o protocolo da unidade);
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Garantir que o atendimento médico seja rápido e prioritário;
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Registrar todas as medicações já utilizadas pelo paciente, doses e horários;
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Identificar histórico de internações ou UTI por asma (fator de risco grave).
✅ O que aprendemos
O discriminador “Asma sem melhoria com o seu tratamento habitual” é um sinal de alerta importante no Protocolo de Manchester, pois indica que o paciente está em crise e não responde ao seu próprio plano de ação para alívio dos sintomas. Isso coloca o paciente em risco de deterioração respiratória rápida, o que exige classificação com prioridade aumentada (laranja ou vermelho).
O enfermeiro classificadora deve ter sensibilidade clínica para reconhecer que a ausência de resposta à medicação habitual é um indicador de urgência — mesmo que o paciente ainda esteja falando e consciente.
Aplicar corretamente esse discriminador pode prevenir complicações graves, reduzir hospitalizações e salvar vidas.