Ausência de Pulso

Identificação, aplicação no Protocolo de Manchester e classificação de risco em situações de emergência cardiovascular

A ausência de pulso é um dos sinais clínicos mais críticos na triagem de pacientes em serviços de urgência. Trata-se de uma emergência médica absoluta, frequentemente relacionada a parada cardiorrespiratória (PCR) ou estado de choque profundo, em que a perfusão tecidual está severamente comprometida.

O Protocolo de Manchester, por meio do discriminador “Ausência de Pulso”, orienta o enfermeiro a agir com imediatismo e precisão, classificando o paciente com a mais alta prioridade e acionando a equipe de suporte avançado de vida.


📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester

Ausência de Pulso:
Nenhum pulso central (carotídeo ou femoral) é sentido por um período de 5 (cinco) segundos.

Esse critério não considera os pulsos periféricos (como o radial), pois estes podem desaparecer em quadros de hipoperfusão, mesmo antes da falência circulatória total. A avaliação deve sempre se concentrar nos pulsos centrais, mais próximos do coração e mais confiáveis.


🧠 Importância do discriminador na prática clínica

A ausência de pulso central por 5 segundos é indicativa de:

  • Parada cardiorrespiratória (PCR);

  • Atividade elétrica sem pulso (AESP);

  • Choque obstrutivo ou cardiogênico em fase terminal;

  • Colapso cardiovascular iminente.

O paciente nessa condição está clinicamente instável, com risco iminente de morte, necessitando de RCP imediata, desfibrilação (se indicada) e suporte ventilatório.


🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?

A verificação da ausência de pulso central deve ser feita por um profissional treinado, utilizando os seguintes passos:

  1. Posicione os dedos (nunca o polegar) na artéria carótida, lateral ao pomo de Adão (traqueia), ou na artéria femoral, na prega inguinal;

  2. Faça a palpação por no mínimo 5 segundos, com pressão firme, mas não excessiva;

  3. Se nenhuma pulsação for percebida, considerar ausência de pulso e aplicar o discriminador.

Nunca perca tempo tentando "sentir melhor" o pulso por mais de 10 segundos. A ausência objetiva em 5 segundos já é suficiente para acionar conduta imediata.


⚠️ Situações clínicas relacionadas

  • Parada cardíaca por fibrilação ventricular ou assistolia;

  • AESP (atividade elétrica sem pulso) com ritmo no monitor, mas sem perfusão;

  • Hipovolemia grave (hemorragia maciça);

  • TEP maciço (tromboembolismo pulmonar);

  • Tamponamento cardíaco;

  • Pneumotórax hipertensivo não tratado;

  • Lesão traumática torácica ou cardíaca.


🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester

Esse discriminador se aplica em fluxogramas como:

  • Colapso

  • Traumatismo grave

  • Dor torácica com colapso subsequente

  • Paciente inconsciente

  • Paciente encontrado em solo ou sem resposta

Ele deve ser aplicado imediatamente, mesmo antes de finalizar outros parâmetros da triagem, pois o atendimento do paciente em PCR não pode ser retardado por coleta de dados.


🎯 Classificação de Risco por Cores

🔴 Vermelho – Atendimento Imediato

Todos os casos de ausência de pulso central devem ser classificados como vermelhos, o que corresponde à prioridade máxima do Protocolo de Manchester.

🩺 Nota: Além da classificação, o enfermeiro deve iniciar ou acionar imediatamente a equipe para iniciar manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP), aplicar oxigênio e conectar o monitor/desfibrilador.


📋 Exemplo clínico aplicado

Situação 1:
Homem de 58 anos, com histórico de dor torácica, desmaia na recepção da UPA. Ao ser avaliado, não responde a estímulos, está cianótico e sem respiração. Ausência de pulso carotídeo por 6 segundos.

➡️ Fluxograma: “Colapso”;
➡️ Discriminador: “Ausência de Pulso”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato, iniciar RCP.


Situação 2:
Jovem vítima de acidente de moto chega carregado por populares. Está inconsciente, com múltiplas fraturas visíveis. O enfermeiro avalia e não sente pulso femoral. ECG ausente. Não respira.

➡️ Fluxograma: “Traumatismo grave”;
➡️ Discriminador: “Ausência de Pulso”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato, iniciar suporte avançado.


👩‍⚕️ Conduta da enfermagem ao aplicar o discriminador

  • Verificar imediatamente a ausência de pulso central (carótida ou femoral);

  • Avaliar responsividade e respiração;

  • Iniciar RCP imediatamente, conforme protocolo da unidade (compressões torácicas + ventilação);

  • Solicitar apoio da equipe médica e monitor/desfibrilador;

  • Administrar oxigênio em alto fluxo;

  • Registrar horário do início das manobras e todos os procedimentos realizados;

  • Avaliar necessidade de uso de adrenalina, desfibrilação, acesso venoso, intubação, conforme protocolos de parada.


✅ O que aprendemos

O discriminador “Ausência de Pulso” é um dos mais críticos e urgentes do Protocolo de Manchester, pois representa uma falência circulatória grave ou uma parada cardiorrespiratória em curso.

O profissional de enfermagem deve estar capacitado para:

  • Identificar corretamente a ausência de pulso central em 5 segundos;

  • Classificar imediatamente como prioridade vermelha;

  • Iniciar medidas de suporte de vida sem atraso.

A ação rápida diante desse quadro salva vidas e representa a essência do atendimento emergencial com excelência.


Última atualização: quinta-feira, 3 abr. 2025, 15:59