12 - Ausência de Pulso
Ausência de Pulso
Identificação, aplicação no Protocolo de Manchester e classificação de risco em situações de emergência cardiovascular
A ausência de pulso é um dos sinais clínicos mais críticos na triagem de pacientes em serviços de urgência. Trata-se de uma emergência médica absoluta, frequentemente relacionada a parada cardiorrespiratória (PCR) ou estado de choque profundo, em que a perfusão tecidual está severamente comprometida.
O Protocolo de Manchester, por meio do discriminador “Ausência de Pulso”, orienta o enfermeiro a agir com imediatismo e precisão, classificando o paciente com a mais alta prioridade e acionando a equipe de suporte avançado de vida.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Ausência de Pulso:
Nenhum pulso central (carotídeo ou femoral) é sentido por um período de 5 (cinco) segundos.
Esse critério não considera os pulsos periféricos (como o radial), pois estes podem desaparecer em quadros de hipoperfusão, mesmo antes da falência circulatória total. A avaliação deve sempre se concentrar nos pulsos centrais, mais próximos do coração e mais confiáveis.
🧠 Importância do discriminador na prática clínica
A ausência de pulso central por 5 segundos é indicativa de:
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Parada cardiorrespiratória (PCR);
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Atividade elétrica sem pulso (AESP);
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Choque obstrutivo ou cardiogênico em fase terminal;
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Colapso cardiovascular iminente.
O paciente nessa condição está clinicamente instável, com risco iminente de morte, necessitando de RCP imediata, desfibrilação (se indicada) e suporte ventilatório.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
A verificação da ausência de pulso central deve ser feita por um profissional treinado, utilizando os seguintes passos:
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Posicione os dedos (nunca o polegar) na artéria carótida, lateral ao pomo de Adão (traqueia), ou na artéria femoral, na prega inguinal;
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Faça a palpação por no mínimo 5 segundos, com pressão firme, mas não excessiva;
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Se nenhuma pulsação for percebida, considerar ausência de pulso e aplicar o discriminador.
❗ Nunca perca tempo tentando "sentir melhor" o pulso por mais de 10 segundos. A ausência objetiva em 5 segundos já é suficiente para acionar conduta imediata.
⚠️ Situações clínicas relacionadas
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Parada cardíaca por fibrilação ventricular ou assistolia;
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AESP (atividade elétrica sem pulso) com ritmo no monitor, mas sem perfusão;
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Hipovolemia grave (hemorragia maciça);
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TEP maciço (tromboembolismo pulmonar);
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Tamponamento cardíaco;
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Pneumotórax hipertensivo não tratado;
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Lesão traumática torácica ou cardíaca.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
Esse discriminador se aplica em fluxogramas como:
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Colapso
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Traumatismo grave
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Dor torácica com colapso subsequente
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Paciente inconsciente
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Paciente encontrado em solo ou sem resposta
Ele deve ser aplicado imediatamente, mesmo antes de finalizar outros parâmetros da triagem, pois o atendimento do paciente em PCR não pode ser retardado por coleta de dados.
🎯 Classificação de Risco por Cores
🔴 Vermelho – Atendimento Imediato
Todos os casos de ausência de pulso central devem ser classificados como vermelhos, o que corresponde à prioridade máxima do Protocolo de Manchester.
🩺 Nota: Além da classificação, o enfermeiro deve iniciar ou acionar imediatamente a equipe para iniciar manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP), aplicar oxigênio e conectar o monitor/desfibrilador.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Homem de 58 anos, com histórico de dor torácica, desmaia na recepção da UPA. Ao ser avaliado, não responde a estímulos, está cianótico e sem respiração. Ausência de pulso carotídeo por 6 segundos.
➡️ Fluxograma: “Colapso”;
➡️ Discriminador: “Ausência de Pulso”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato, iniciar RCP.
Situação 2:
Jovem vítima de acidente de moto chega carregado por populares. Está inconsciente, com múltiplas fraturas visíveis. O enfermeiro avalia e não sente pulso femoral. ECG ausente. Não respira.
➡️ Fluxograma: “Traumatismo grave”;
➡️ Discriminador: “Ausência de Pulso”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato, iniciar suporte avançado.
👩⚕️ Conduta da enfermagem ao aplicar o discriminador
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Verificar imediatamente a ausência de pulso central (carótida ou femoral);
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Avaliar responsividade e respiração;
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Iniciar RCP imediatamente, conforme protocolo da unidade (compressões torácicas + ventilação);
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Solicitar apoio da equipe médica e monitor/desfibrilador;
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Administrar oxigênio em alto fluxo;
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Registrar horário do início das manobras e todos os procedimentos realizados;
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Avaliar necessidade de uso de adrenalina, desfibrilação, acesso venoso, intubação, conforme protocolos de parada.
✅ O que aprendemos
O discriminador “Ausência de Pulso” é um dos mais críticos e urgentes do Protocolo de Manchester, pois representa uma falência circulatória grave ou uma parada cardiorrespiratória em curso.
O profissional de enfermagem deve estar capacitado para:
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Identificar corretamente a ausência de pulso central em 5 segundos;
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Classificar imediatamente como prioridade vermelha;
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Iniciar medidas de suporte de vida sem atraso.
A ação rápida diante desse quadro salva vidas e representa a essência do atendimento emergencial com excelência.