Avaliação da Respiração

Identificação de padrões respiratórios anormais, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de classificação de risco

A avaliação da frequência e padrão respiratório é uma das etapas mais importantes da triagem, pois a respiração é um sinal vital altamente sensível à deterioração clínica. Alterações na frequência respiratória — tanto aumentos quanto reduções significativas — são indicadores precoces de hipóxia, choque, distúrbios neurológicos, metabólicos ou sepse.

O Protocolo de Manchester, por meio do discriminador “Avaliação da Respiração”, orienta o enfermeiro a reconhecer e classificar corretamente alterações respiratórias que indicam risco imediato de vida.


📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester

Avaliação da Respiração:
A respiração pode ser irregular em alguns casos. Quando a frequência respiratória está muito elevada (≥ 29 mpm) ou muito baixa (≤ 10 mpm), o paciente deve ser classificado como vermelho.

Esse discriminador se baseia na contagem da frequência respiratória por minuto (mpm) e na análise do padrão respiratório (profundidade, ritmo e esforço).


🧠 Por que a frequência respiratória é um sinal tão importante?

  • Taquipneia (≥ 29 mpm) pode indicar:

    • Insuficiência respiratória;

    • Sepse;

    • Acidose metabólica (ex: cetoacidose diabética);

    • Choque em fase inicial;

    • Ansiedade ou dor intensa;

    • Edema agudo de pulmão ou TEP.

  • Bradipneia (≤ 10 mpm) pode indicar:

    • Depressão do centro respiratório (uso de opioides, sedação, trauma craniano);

    • Hipotermia grave;

    • Insuficiência neurológica ou rebaixamento de consciência;

    • Choque descompensado.

⚠️ Ambas as condições exigem atenção imediata, pois podem evoluir para parada respiratória se não tratadas rapidamente.


🔎 Como identificar esse discriminador na triagem?

O enfermeiro deve:

  1. Contar a frequência respiratória por pelo menos 30 segundos e multiplicar por 2 (ou por 60 segundos para maior precisão);

  2. Observar:

    • Ritmo (regular ou irregular);

    • Profundidade (superficial, normal ou profunda);

    • Esforço (uso de musculatura acessória, batimento de asas nasais, retrações intercostais);

  3. Identificar se a respiração está:

    • ≥ 29 mpm (taquipneia severa);

    • ≤ 10 mpm (bradipneia);

  4. Observar sinais adicionais, como:

    • Cianose;

    • Fala entrecortada;

    • Letargia ou agitação;

    • Dispneia subjetiva.


🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester

O discriminador “Avaliação da Respiração” pode ser utilizado nos seguintes fluxogramas:

  • Dificuldade respiratória

  • Colapso

  • Alteração do estado mental

  • Dor torácica

  • Convulsão atual

  • Febre em crianças (com respiração acelerada)

Ele é especialmente relevante quando não há outra causa óbvia para a descompensação, e o sinal respiratório é o principal indicativo de gravidade.


🎯 Classificação de risco por cores

🔴 Vermelho – Atendimento Imediato

  • Frequência respiratória ≥ 29 mpm ou ≤ 10 mpm;

  • Respiração irregular, agônica ou com pausas respiratórias;

  • Presença de sinais de esforço respiratório extremo;

  • Estado geral comprometido (ex: rebaixamento de consciência, cianose, sinais de choque).

📌 A simples presença de frequência respiratória fora dos limites críticos (≥29 ou ≤10 mpm) já exige classificação vermelha, mesmo que outros sinais vitais estejam estáveis.


📋 Exemplo clínico aplicado

Situação 1:
Mulher de 45 anos, com histórico de asma, chega à UPA com falta de ar. Está usando musculatura acessória e respirando rapidamente. A contagem revela 32 mpm. Está consciente, mas com fala entrecortada.

➡️ Fluxograma: “Dificuldade respiratória”;
➡️ Discriminador: “Avaliação da respiração” (≥ 29 mpm);
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato.


Situação 2:
Homem de 60 anos, usuário de opioides, é trazido sonolento e respirando lentamente. Contagem respiratória: 8 mpm. ECG 13. Pupilas puntiformes.

➡️ Fluxograma: “Alteração do estado mental” ou “Colapso”;
➡️ Discriminador: “Avaliação da respiração” (≤ 10 mpm);
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato.


👩‍⚕️ Conduta do enfermeiro na triagem

  • Priorizar a contagem exata da frequência respiratória, mesmo em situações de pressa;

  • Registrar o número exato de movimentos por minuto, e não apenas se está “normal” ou “alterado”;

  • Associar a avaliação com outros sinais clínicos, como cor da pele, nível de consciência, fala e uso de músculos acessórios;

  • Iniciar oxigenoterapia conforme protocolo da unidade, se necessário;

  • Acionar equipe médica imediatamente, se a respiração estiver fora dos limites de segurança;

  • Estar atento a crianças e idosos, pois alterações respiratórias podem ser os primeiros sinais de descompensação sistêmica.


✅ O que aprendemos

O discriminador “Avaliação da Respiração” é um dos mais objetivos e sensíveis no Protocolo de Manchester, pois se baseia em um sinal vital fundamental: a frequência respiratória.

Alterações significativas (≥29 ou ≤10 mpm) representam risco iminente de deterioração clínica e exigem classificação vermelha imediata, sem hesitação.

A atuação do enfermeiro nesse momento deve ser rápida, segura e embasada na técnica, garantindo o início do atendimento médico e evitando o agravamento de quadros críticos.


Última atualização: quinta-feira, 3 abr. 2025, 16:01