13 - Avaliação da Respiração
Avaliação da Respiração
Identificação de padrões respiratórios anormais, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de classificação de risco
A avaliação da frequência e padrão respiratório é uma das etapas mais importantes da triagem, pois a respiração é um sinal vital altamente sensível à deterioração clínica. Alterações na frequência respiratória — tanto aumentos quanto reduções significativas — são indicadores precoces de hipóxia, choque, distúrbios neurológicos, metabólicos ou sepse.
O Protocolo de Manchester, por meio do discriminador “Avaliação da Respiração”, orienta o enfermeiro a reconhecer e classificar corretamente alterações respiratórias que indicam risco imediato de vida.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Avaliação da Respiração:
A respiração pode ser irregular em alguns casos. Quando a frequência respiratória está muito elevada (≥ 29 mpm) ou muito baixa (≤ 10 mpm), o paciente deve ser classificado como vermelho.
Esse discriminador se baseia na contagem da frequência respiratória por minuto (mpm) e na análise do padrão respiratório (profundidade, ritmo e esforço).
🧠 Por que a frequência respiratória é um sinal tão importante?
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Taquipneia (≥ 29 mpm) pode indicar:
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Insuficiência respiratória;
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Sepse;
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Acidose metabólica (ex: cetoacidose diabética);
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Choque em fase inicial;
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Ansiedade ou dor intensa;
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Edema agudo de pulmão ou TEP.
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Bradipneia (≤ 10 mpm) pode indicar:
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Depressão do centro respiratório (uso de opioides, sedação, trauma craniano);
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Hipotermia grave;
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Insuficiência neurológica ou rebaixamento de consciência;
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Choque descompensado.
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⚠️ Ambas as condições exigem atenção imediata, pois podem evoluir para parada respiratória se não tratadas rapidamente.
🔎 Como identificar esse discriminador na triagem?
O enfermeiro deve:
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Contar a frequência respiratória por pelo menos 30 segundos e multiplicar por 2 (ou por 60 segundos para maior precisão);
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Observar:
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Ritmo (regular ou irregular);
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Profundidade (superficial, normal ou profunda);
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Esforço (uso de musculatura acessória, batimento de asas nasais, retrações intercostais);
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Identificar se a respiração está:
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≥ 29 mpm (taquipneia severa);
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≤ 10 mpm (bradipneia);
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Observar sinais adicionais, como:
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Cianose;
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Fala entrecortada;
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Letargia ou agitação;
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Dispneia subjetiva.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Avaliação da Respiração” pode ser utilizado nos seguintes fluxogramas:
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Dificuldade respiratória
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Colapso
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Alteração do estado mental
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Dor torácica
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Convulsão atual
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Febre em crianças (com respiração acelerada)
Ele é especialmente relevante quando não há outra causa óbvia para a descompensação, e o sinal respiratório é o principal indicativo de gravidade.
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento Imediato
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Frequência respiratória ≥ 29 mpm ou ≤ 10 mpm;
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Respiração irregular, agônica ou com pausas respiratórias;
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Presença de sinais de esforço respiratório extremo;
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Estado geral comprometido (ex: rebaixamento de consciência, cianose, sinais de choque).
📌 A simples presença de frequência respiratória fora dos limites críticos (≥29 ou ≤10 mpm) já exige classificação vermelha, mesmo que outros sinais vitais estejam estáveis.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Mulher de 45 anos, com histórico de asma, chega à UPA com falta de ar. Está usando musculatura acessória e respirando rapidamente. A contagem revela 32 mpm. Está consciente, mas com fala entrecortada.
➡️ Fluxograma: “Dificuldade respiratória”;
➡️ Discriminador: “Avaliação da respiração” (≥ 29 mpm);
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato.
Situação 2:
Homem de 60 anos, usuário de opioides, é trazido sonolento e respirando lentamente. Contagem respiratória: 8 mpm. ECG 13. Pupilas puntiformes.
➡️ Fluxograma: “Alteração do estado mental” ou “Colapso”;
➡️ Discriminador: “Avaliação da respiração” (≤ 10 mpm);
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato.
👩⚕️ Conduta do enfermeiro na triagem
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Priorizar a contagem exata da frequência respiratória, mesmo em situações de pressa;
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Registrar o número exato de movimentos por minuto, e não apenas se está “normal” ou “alterado”;
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Associar a avaliação com outros sinais clínicos, como cor da pele, nível de consciência, fala e uso de músculos acessórios;
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Iniciar oxigenoterapia conforme protocolo da unidade, se necessário;
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Acionar equipe médica imediatamente, se a respiração estiver fora dos limites de segurança;
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Estar atento a crianças e idosos, pois alterações respiratórias podem ser os primeiros sinais de descompensação sistêmica.
✅ O que aprendemos
O discriminador “Avaliação da Respiração” é um dos mais objetivos e sensíveis no Protocolo de Manchester, pois se baseia em um sinal vital fundamental: a frequência respiratória.
Alterações significativas (≥29 ou ≤10 mpm) representam risco iminente de deterioração clínica e exigem classificação vermelha imediata, sem hesitação.
A atuação do enfermeiro nesse momento deve ser rápida, segura e embasada na técnica, garantindo o início do atendimento médico e evitando o agravamento de quadros críticos.