15 - Broncoespasmo
Broncoespasmo
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e classificação de risco respiratório
O broncoespasmo é uma condição clínica caracterizada pela contração dos músculos lisos dos brônquios, resultando em estreitamento das vias aéreas, o que leva à dificuldade na passagem do ar e ao surgimento de sintomas como falta de ar, chiado (sibilos), tosse e respiração ofegante.
É uma manifestação comum em pacientes com asma, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) e reações alérgicas graves. No contexto da triagem, o reconhecimento precoce do broncoespasmo é essencial para evitar a progressão para insuficiência respiratória aguda ou parada respiratória.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Broncoespasmo:
Pode ter sibilância audível.
Deve-se lembrar que a dificuldade respiratória grave é silenciosa — o ar não consegue movimentar-se.
Ou seja, a presença de sibilos (chiado no peito) é um sinal de broncoespasmo ativo, mas a ausência de ruídos em um paciente em franca dificuldade respiratória é ainda mais grave, pois indica que não há passagem de ar suficiente para gerar o som, o que é um sinal de obstrução crítica das vias aéreas.
🔍 Como identificar o broncoespasmo na triagem?
Durante a avaliação, o enfermeiro deve observar:
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Presença de sibilância audível (chiado ao inspirar ou expirar), mesmo sem estetoscópio;
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Queixa de falta de ar progressiva ou aguda;
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Tosse seca persistente;
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Uso de musculatura acessória (pescoço, intercostais, retrações abdominais);
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Fala entrecortada ou incapacidade de falar frases completas;
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Ansiedade, inquietação ou postura em tripé (paciente inclinado para frente para facilitar a respiração);
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Saturação de O₂ diminuída (< 94%);
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História de asma, DPOC, bronquite crônica ou exposição a alérgenos/irritantes.
⚠️ Atenção especial deve ser dada ao "peito silencioso", que é uma emergência: indica que o fluxo aéreo está tão reduzido que nem mesmo os sibilos são gerados.
🧠 Causas comuns de broncoespasmo
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Asma brônquica (principal causa em adultos jovens e crianças);
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Exacerbação de DPOC (em idosos e tabagistas);
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Reações alérgicas ou anafilaxia;
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Exposição a agentes irritantes (poeiras, fumaças, produtos químicos);
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Infecções respiratórias virais ou bacterianas;
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Pós-intubação/extubação em pacientes críticos.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Broncoespasmo” pode ser utilizado nos seguintes fluxogramas:
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Dificuldade respiratória
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Dor torácica (em alguns casos de asma com dor muscular associada)
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História de alergia/reação anafilática
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Paciente encontrado com dispneia súbita ou crise asmática
O enfermeiro deve usar esse discriminador quando o quadro respiratório for causado por obstrução brônquica evidente, com ou sem sibilância.
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento Imediato
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Silêncio torácico (ausência de sibilos em paciente dispneico);
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Incapacidade de falar;
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Cianose, rebaixamento de consciência ou exaustão extrema;
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Saturação < 90%;
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Frequência respiratória ≤10 ou ≥29 mpm;
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ECG < 15.
🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Sibilos audíveis, com fala entrecortada;
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Uso de musculatura acessória evidente;
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Saturação entre 90 e 94%;
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História de crise asmática sem resposta à medicação habitual (associar com outro discriminador).
🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Presença de sibilância leve, paciente estável, com leve desconforto respiratório;
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Saturação > 94%;
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Fala normal, sem uso de musculatura acessória, sintomas leves.
❗ Importante: A progressão de um quadro leve para grave pode ser muito rápida, especialmente em crianças e asmáticos graves. A triagem deve considerar o histórico e o padrão da crise atual.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Paciente de 35 anos, asmático, chega com falta de ar intensa, fala entrecortada e sibilos audíveis mesmo à distância. Saturação: 91%. Usou bombinha sem melhora.
➡️ Fluxograma: “Dificuldade respiratória”;
➡️ Discriminador: “Broncoespasmo” + “Asma sem melhoria com tratamento habitual”;
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos.
Situação 2:
Idoso com DPOC, chega com respiração muito lenta, sem chiado, não consegue falar, cianose labial e torácica. Ausência de sons respiratórios audíveis, mesmo com ausculta.
➡️ Fluxograma: “Dificuldade respiratória”;
➡️ Discriminador: “Broncoespasmo” + “Avaliação da respiração”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato.
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar frequência e esforço respiratório;
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Observar e, se possível, auscultar a presença ou ausência de sibilos;
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Verificar saturação de O₂ com oxímetro de dedo;
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Identificar se o paciente usou medicação de resgate (broncodilatador) e se houve resposta;
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Aplicar oxigênio suplementar com máscara ou cânula, conforme protocolo institucional;
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Acionar a equipe médica imediatamente para pacientes classificados como vermelho ou laranja;
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Manter o paciente em posição confortável, geralmente sentado inclinado para frente (posição tripé).
✅ O que aprendemos
O discriminador “Broncoespasmo” é essencial no reconhecimento de obstruções respiratórias agudas, principalmente em crises de asma, DPOC e reações alérgicas. Sua correta identificação garante que o paciente receba atendimento imediato ou urgente, evitando complicações graves como hipóxia, fadiga respiratória e parada cardiorrespiratória.
O enfermeiro deve estar atento ao sinal do “peito silencioso”, pois a ausência de sibilos não é sinal de melhora, mas sim de uma crise respiratória grave e avançada.