17 - Celulite Escrotal
Celulite Escrotal
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de classificação de risco
A celulite escrotal é uma condição inflamatória e infecciosa que acomete a pele e o tecido subcutâneo da bolsa escrotal, frequentemente associada a dor, vermelhidão, calor e inchaço. Embora a celulite em outras regiões do corpo costume evoluir de forma mais lenta, a localização escrotal demanda atenção redobrada, pois pode ser indicativa de infecções graves como a orquiepididimite, abscessos escrotais ou até mesmo a temida gangrena de Fournier, uma infecção necrosante potencialmente fatal.
Por esse motivo, o Protocolo de Manchester considera “Celulite Escrotal” como um discriminador próprio, sinalizando a necessidade de avaliação médica urgente ou imediata, especialmente diante de sinais sistêmicos.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Celulite Escrotal:
Presença de vermelhidão (eritema) e inchaço (edema) ao redor da bolsa escrotal.
Esse discriminador é utilizado para qualquer paciente do sexo masculino que apresente sinais visíveis ou referidos de inflamação escrotal, sem necessidade de diagnóstico fechado no momento da triagem.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante o acolhimento, o paciente pode relatar:
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Dor escrotal localizada e progressiva;
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Inchaço ou aumento de volume da bolsa escrotal;
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Calor e vermelhidão local;
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Sensibilidade ao toque ou desconforto ao caminhar ou sentar;
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Eventualmente, febre, calafrios ou mal-estar geral.
A inspeção (quando possível) pode confirmar:
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Hiperemia escrotal (vermelhidão intensa);
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Edema com pele esticada, brilhante ou com brilho anormal;
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Assimetria escrotal ou presença de lesões;
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Secreção purulenta ou odor fétido (em casos mais avançados).
⚠️ A dificuldade para urinar, presença de febre ou sinais sistêmicos associados elevam o nível de gravidade clínica e devem ser considerados na classificação.
🧠 Principais causas associadas à celulite escrotal
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Celulite bacteriana local (Streptococcus, Staphylococcus);
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Orquiepididimite bacteriana;
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Abscesso escrotal;
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Flegmão escrotal;
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Gangrena de Fournier (celulite necrosante perineal);
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Infecções urinárias complicadas com extensão para região escrotal;
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Complicações pós-cirúrgicas ou pós-trauma escrotal.
A gangrena de Fournier, apesar de rara, é uma emergência cirúrgica com alta mortalidade se não tratada prontamente.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Celulite Escrotal” deve ser aplicado nos seguintes fluxogramas:
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Dor testicular/escrotal
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Inchaço genital ou perineal
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Infecção do trato urinário (em casos com irradiação para o escroto)
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Febre em adultos (associada a dor escrotal)
📌 Esse discriminador não depende de exame físico detalhado ou diagnóstico médico. Basta o relato do paciente com sinais claros de inchaço e vermelhidão para ser aplicado.
🎯 Classificação de risco por cores
🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Celulite escrotal com:
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Dor intensa e progressiva;
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Febre ou taquicardia;
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Início súbito ou rápida evolução;
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Fatores de risco: diabetes, imunossupressão, HIV, alcoolismo, idade avançada.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Vermelhidão e inchaço escrotal sem sinais sistêmicos;
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Paciente estável, com dor moderada e evolução lenta dos sintomas;
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Sem sinais de toxicidade ou infecção grave evidente.
❗ Importante: A presença de febre, taquicardia, queda do estado geral ou sinais de necrose (pele escurecida ou bolhas) deve levar à priorização imediata (laranja ou vermelho, conforme protocolo local).
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Homem de 52 anos, diabético, chega à UPA com queixa de dor escrotal intensa há 12 horas, associada a febre de 38,7 °C. Refere aumento de volume com vermelhidão e dificuldade para caminhar. Ao exame, escroto edemaciado e sensível.
➡️ Fluxograma: “Dor testicular/escrotal”;
➡️ Discriminador: “Celulite Escrotal”;
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos.
Situação 2:
Jovem de 22 anos chega relatando inchaço leve no escroto há 3 dias, com dor moderada. Nega febre, urina normalmente. Ao exame rápido, observa-se vermelhidão leve, sem calor intenso ou secreção.
➡️ Fluxograma: “Inchaço genital ou perineal”;
➡️ Discriminador: “Celulite Escrotal”;
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos.
👨⚕️ Conduta do enfermeiro classificadora
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Avaliar sinais vitais e presença de febre;
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Observar localização da dor, intensidade e progressão dos sintomas;
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Verificar fatores de risco clínico (diabetes, uso de imunossupressores, idade avançada);
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Encaminhar para avaliação médica urgente nos casos suspeitos de infecção avançada;
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Não atrasar o atendimento para exames adicionais durante a triagem;
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Registrar tempo de evolução, medicamentos usados e qualquer secreção, odor ou alteração visual descrita pelo paciente.
✅ O que aprendemos
O discriminador “Celulite Escrotal” tem importância crítica na triagem por indicar uma infecção localizada que pode evoluir para um quadro grave e sistêmico. O enfermeiro que atua na triagem deve saber reconhecer os sinais clínicos precoces, aplicar corretamente o fluxo e classificar com prioridade aumentada quando houver sinais sistêmicos, dor intensa ou risco de necrose.
A aplicação correta desse discriminador é fundamental para evitar atrasos no diagnóstico de infecções graves, protegendo a saúde reprodutiva do paciente e, em casos extremos, salvando vidas.