18 - Choque
Choque
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e classificação de risco hemodinâmico
O choque é uma condição crítica e tempo-dependente, definida como a incapacidade do sistema circulatório de fornecer oxigênio suficiente aos tecidos e órgãos, resultando em hipoperfusão celular, falência orgânica progressiva e, se não tratado, morte. É uma emergência médica que exige identificação precoce e intervenção imediata.
No contexto da triagem, o Protocolo de Manchester considera o choque como um discriminador prioritário, pois ele altera sinais vitais fundamentais e está associado a alto risco de deterioração clínica rápida.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Choque:
O choque deve-se à distribuição inadequada de oxigênio pelos tecidos.
Os sinais clássicos incluem:
– Sudorese fria,
– Palidez cutânea,
– Taquicardia,
– Hipotensão,
– Redução do nível de consciência.
Ou seja, o profissional deve suspeitar de choque quando o paciente apresenta instabilidade circulatória evidente, com hipoperfusão tecidual, mesmo antes de um diagnóstico fechado.
🧠 Classificação dos tipos de choque mais comuns
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Choque hipovolêmico – perda de volume (sangue ou fluidos);
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Choque cardiogênico – falência da bomba cardíaca;
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Choque séptico – infecção grave com vasodilatação e inflamação sistêmica;
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Choque anafilático – reação alérgica sistêmica com vasodilatação e edema de vias aéreas;
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Choque neurogênico – falha no controle autonômico da pressão arterial (ex: lesão medular).
⚠️ Todos os tipos levam à diminuição da perfusão tecidual e exigem atendimento emergencial.
🔍 Como identificar o choque na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve buscar sinais clínicos objetivos:
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Sudorese fria e pegajosa;
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Palidez ou cianose cutânea (especialmente em extremidades);
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Taquicardia (FC > 100 bpm);
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Hipotensão arterial (PAS < 90 mmHg ou PAM < 65 mmHg);
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Extremidades frias e tempo de preenchimento capilar > 3 segundos;
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Rebaixamento do nível de consciência (letargia, confusão, sonolência);
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Respiração rápida e superficial (taquipneia);
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Diminuição da diurese (relato de urina escassa ou ausente).
A presença de dois ou mais desses sinais, mesmo sem diagnóstico definido, já justifica a aplicação do discriminador.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Choque” pode ser utilizado em diversos fluxogramas, como:
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Colapso
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Dor abdominal (em casos de hemorragia interna, perfuração, sepse);
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Febre em adultos (choque séptico);
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Traumatismo grave (choque hipovolêmico);
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Reação alérgica (choque anafilático);
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Dor torácica (choque cardiogênico ou TEP);
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Vômitos com sangue ou melena (choque hemorrágico digestivo).
📌 A classificação deve ser baseada nos sinais clínicos de choque, não na causa. O foco da triagem é a gravidade do estado atual do paciente.
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento Imediato
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Presença de:
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Hipotensão severa (PAS < 90 mmHg);
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Taquicardia intensa (> 130 bpm);
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Nível de consciência reduzido;
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Sudorese intensa, extremidades frias e pálidas;
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Tempo de enchimento capilar prolongado (> 3 segundos);
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Hipoxemia associada (< 90%);
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Respiração ofegante, superficial e rápida (FR ≥ 29 mpm).
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❗ O paciente em choque nunca deve aguardar. A prioridade é máxima e o atendimento deve ser iniciado imediatamente.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Homem de 64 anos chega à UPA com dor abdominal intensa, sudorese fria, pressão arterial 78/46 mmHg, pulso fraco e rápido. Está confuso, fala com dificuldade e apresenta extremidades frias.
➡️ Fluxograma: “Dor abdominal”;
➡️ Discriminador: “Choque”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato.
Situação 2:
Mulher de 35 anos, com histórico de alergia grave, chega com prurido, urticária, taquicardia e queda progressiva da pressão arterial. Refere sensação de “fraqueza e desmaio”. Saturação: 92%.
➡️ Fluxograma: “Reação alérgica”;
➡️ Discriminador: “Choque”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato.
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Verificar sinais vitais completos imediatamente: PA, FC, FR, temperatura, saturação de O₂;
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Avaliar o nível de consciência e perfusão periférica (extremidades frias, tempo de enchimento capilar);
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Posicionar o paciente de forma adequada (em decúbito com pernas elevadas, se possível e seguro);
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Acionar equipe médica sem demora;
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Iniciar oxigenoterapia de alto fluxo, se indicado;
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Providenciar acesso venoso calibroso, se for permitido pela política da unidade;
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Registrar todos os achados com hora exata e evidências clínicas observadas.
✅ O que aprendemos
O discriminador “Choque” é um dos mais importantes e potencialmente fatais do Protocolo de Manchester. Sua correta identificação exige conhecimento técnico, agilidade e sensibilidade clínica.
Cabe ao enfermeiro classificador não apenas reconhecer os sinais vitais alterados, mas também entender que o choque representa um estado de sofrimento celular sistêmico e risco iminente de morte.
A triagem eficaz em casos de choque salva vidas, reduz o tempo até o atendimento médico e contribui diretamente para o sucesso do tratamento.