22 - Comportamento Disruptivo
Comportamento Disruptivo
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de intervenção em contextos de urgência
O ambiente de um serviço de urgência e emergência exige organização, segurança e fluidez, pois o tempo é um recurso vital. O discriminador “Comportamento Disruptivo” foi incorporado ao Protocolo de Manchester com o objetivo de garantir que comportamentos que coloquem em risco o funcionamento da unidade, ou interfiram no atendimento de outros pacientes, sejam reconhecidos, registrados e abordados com conduta clínica e administrativa adequada.
Este discriminador não está relacionado diretamente ao estado físico do paciente, mas sim ao seu comportamento diante da equipe, de outros pacientes e da estrutura do serviço.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Comportamento Disruptivo:
Trata-se de um comportamento que afeta a boa ordem do Serviço de Urgência.
Pode ser ameaçador ou não, mas sempre causa perturbação relevante ao funcionamento da unidade.
🧠 Importância do discriminador na triagem
O comportamento disruptivo pode ser um sintoma de uma condição clínica, como:
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Transtornos psiquiátricos descompensados (ex: esquizofrenia, transtorno bipolar);
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Abstinência alcoólica ou de drogas;
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Crises de agitação psicomotora;
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Uso recente de substâncias psicoativas;
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Confusão mental por causas clínicas (ex: hipoglicemia, infecção, traumatismo craniano);
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Déficits cognitivos em idosos com delírios ou demência aguda.
Mas também pode ocorrer em pessoas sem alterações clínicas, como:
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Acompanhantes exaltados;
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Pacientes insatisfeitos com o tempo de espera;
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Usuários com dificuldade em lidar com regras e limites institucionais;
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Reações emocionais intensas em situações de estresse, luto ou dor.
⚠️ Em todos os casos, o foco da triagem deve ser garantir a segurança do paciente, da equipe e dos demais presentes no local.
🔍 Como identificar comportamento disruptivo na triagem?
O profissional pode reconhecer como comportamento disruptivo:
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Gritos, ofensas, xingamentos ou ameaças;
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Tentativas de invadir áreas restritas;
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Recusa em seguir orientações mínimas (ex: sentar, aguardar);
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Comportamento agitado que impede a realização da triagem;
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Tentativas de agredir fisicamente a equipe, outros pacientes ou acompanhantes;
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Destruição de materiais, equipamentos ou estruturas da unidade;
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Episódios de exposição indevida, desinibição ou agressividade sexual;
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Crises de agitação psicomotora, mesmo sem agressividade explícita.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Comportamento Disruptivo” pode ser aplicado nos seguintes fluxogramas:
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Problema comportamental
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Alteração do estado mental
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Paciente psiquiátrico conhecido
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Situações com risco de auto ou heteroagressividade
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Paciente agitado/agressivo
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Paciente com distúrbios por substâncias psicoativas
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Comportamento disruptivo com:
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Risco iminente de agressão física a terceiros ou a si mesmo;
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Agitação psicomotora grave com potencial de lesão corporal;
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Necessidade de contenção física ou farmacológica imediata;
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Presença de delírios, alucinações ou confusão severa com agitação intensa.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Comportamento agitado, agressivo verbalmente, mas ainda controlável;
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Paciente que não coopera com o atendimento, mas sem agressividade física iminente;
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Presença de histórico psiquiátrico com quadro descompensado;
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Situação de ameaça verbal explícita ou intimidação.
🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Comportamento inquieto, impaciente, desorganizado ou falante em excesso;
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Episódios de choro intenso, irritação, inquietação verbal, sem riscos claros imediatos;
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Paciente psiquiátrico conhecido, com comportamento inadequado, porém não agressivo;
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Conflitos com outros pacientes ou acompanhantes, mas ainda dentro do controle verbal.
❗ Em qualquer caso, a segurança da equipe e dos demais pacientes deve ser prioridade absoluta. Se houver dúvidas quanto ao risco, classificar com a prioridade mais alta compatível com o comportamento.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Homem de 34 anos, conhecido da equipe por uso abusivo de crack, chega gritando, se debatendo, recusando atendimento e ameaçando quebrar cadeiras da recepção. Não responde a comandos verbais e tenta sair correndo para o estacionamento.
➡️ Fluxograma: “Problema comportamental”;
➡️ Discriminador: “Comportamento Disruptivo”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato + segurança acionada.
Situação 2:
Mulher de 50 anos reclama em voz alta da espera, levanta repetidamente da cadeira, tenta entrar na sala da triagem sem autorização, mas não demonstra agressividade física. Aparenta estar ansiosa e exigente.
➡️ Fluxograma: “Alteração do estado mental” ou “Problema comportamental”;
➡️ Discriminador: “Comportamento Disruptivo”;
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos.
Situação 3:
Adolescente de 17 anos chega acompanhado da mãe, está inquieto, andando pela recepção, falando alto, tentando sair do local várias vezes, mas sem agressividade. Mãe relata que ele tem esquizofrenia e parou a medicação.
➡️ Fluxograma: “Paciente psiquiátrico conhecido”;
➡️ Discriminador: “Comportamento Disruptivo”;
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos, com observação constante.
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar nível de consciência e padrão de fala (coerente? agressivo? delirante?);
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Observar risco de agressão física ou verbal;
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Solicitar apoio da equipe de segurança, se necessário;
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Evitar confrontos diretos, mantendo comunicação calma e clara;
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Encaminhar o paciente para área segura e isolada, se disponível;
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Priorizar a triagem rápida e acionar equipe médica para avaliação imediata nos casos de risco;
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Registrar com detalhes o comportamento observado, a conduta adotada e se houve envolvimento da segurança institucional.
✅ Conclusão
O discriminador “Comportamento Disruptivo” é uma ferramenta essencial para proteger o ambiente hospitalar, garantir a fluidez dos atendimentos e preservar a integridade física e emocional de todos os envolvidos.
Reconhecer e classificar corretamente esse tipo de comportamento garante que o paciente receba o cuidado necessário (inclusive psiquiátrico, se for o caso), ao mesmo tempo em que previne situações de violência, caos institucional e riscos legais para a equipe e a instituição.