28 - Criança Não Reativa
Criança Não Reativa
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de classificação de risco neurológico em pediatria
A reatividade da criança é um dos parâmetros mais importantes na avaliação inicial em urgências pediátricas. Crianças saudáveis geralmente são ativas, curiosas e respondem prontamente aos estímulos ambientais, mesmo quando estão doentes. Quando uma criança não reage a estímulos verbais ou dolorosos, esse comportamento é considerado anormal e indica uma emergência neurológica ou metabólica grave.
O Protocolo de Manchester, atento à gravidade dessa situação, inclui o discriminador “Criança Não Reativa” como sinal de alerta máximo, exigindo atendimento imediato e suporte avançado de vida, quando necessário.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Criança Não Reativa:
Crianças que não reagem a estímulos verbais ou dolorosos são consideradas não reativas.
Esse discriminador deve ser aplicado independentemente da causa aparente. O que importa na triagem é a condição neurológica observada no momento da avaliação.
🧠 Importância clínica da não reatividade em crianças
A ausência de resposta a estímulos em crianças pode ser causada por:
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Estado de coma (por trauma, infecção, distúrbios metabólicos, intoxicação);
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Crise convulsiva contínua ou pós-ictal profunda;
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Meningite ou encefalite;
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Sepse grave com encefalopatia séptica;
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Hipoglicemia severa ou distúrbios eletrolíticos;
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Parada cardiorrespiratória iminente ou recente;
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Sinais de maus-tratos ou trauma crânio-encefálico.
⚠️ Crianças que não reagem a estímulos estão em risco iminente de morte ou sequelas neurológicas. A reação a estímulos é um parâmetro essencial da avaliação primária.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o profissional deve:
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Falar com a criança em tom claro, chamando pelo nome:
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“Olá! Tudo bem?”
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“Você sabe onde está?”
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“Me mostra sua mão?”
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Observar a resposta verbal ou motora:
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A criança olha, vocaliza, chora ou se movimenta?
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Se não houver resposta, aplicar um estímulo doloroso leve, como:
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Pressão na base da unha;
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Compressão do trapézio;
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Fricção esternal.
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Avaliar:
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Movimentos espontâneos ou estímulo-resposta?
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Abertura ocular?
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Vocalização ou choro?
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Reações motoras defensivas?
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Se a criança não apresentar nenhuma resposta significativa, ela deve ser considerada não reativa.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Criança Não Reativa” pode ser utilizado nos seguintes fluxogramas:
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Colapso
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Paciente pediátrico doente
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Alteração do estado mental
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Convulsão atual ou recente
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Febre em crianças (se houver suspeita de meningite ou sepse)
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Trauma cranioencefálico pediátrico
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Criança inconsciente, sem resposta a qualquer estímulo verbal ou doloroso;
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ECG (Escala de Coma de Glasgow) pediátrica ≤ 8;
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Ausência de choro, movimentos ou resposta ao toque;
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Respiração irregular, superficial ou ausente;
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Pele pálida, marmórea ou cianótica;
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Presença de secreções na boca sem reflexo de tosse.
❗ Todo paciente classificado com esse discriminador deve ser atendido imediatamente, com suporte avançado e equipe completa.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Lactente de 8 meses é trazido pela mãe após episódio de febre alta e convulsão há 20 minutos. Chega sonolento, com olhos semicerrados, sem choro, sem resposta ao chamado ou ao toque. ECG estimada: 6. Respiração superficial. Saturação: 90%.
➡️ Fluxograma: “Convulsão atual”;
➡️ Discriminador: “Criança Não Reativa”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato.
Situação 2:
Criança de 3 anos, diabética, encontrada em berço em sono profundo, não acorda com voz dos pais. Apresenta glicemia capilar de 37 mg/dL, não reage à fricção esternal.
➡️ Fluxograma: “Paciente pediátrico doente”;
➡️ Discriminador: “Criança Não Reativa”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato.
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar nível de consciência com estímulo verbal e doloroso;
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Verificar sinais vitais completos, com atenção à FR, FC, saturação e temperatura;
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Realizar glicemia capilar imediatamente;
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Iniciar oxigenoterapia com máscara ou cateter nasal, se necessário;
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Manter vias aéreas livres e posicionamento lateral de segurança, caso haja secreções;
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Acionar a equipe médica imediatamente;
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Preparar material para suporte avançado (oxímetro, acesso venoso, medicamentos);
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Registrar o nível de resposta, Glasgow, sinais vitais e tempo de início dos sintomas.
✅ O que aprendemos
O discriminador “Criança Não Reativa” representa uma das prioridades máximas na triagem pediátrica. Crianças que não reagem a estímulos devem ser imediatamente avaliadas, monitoradas e assistidas por equipe médica, pois estão em risco iminente de morte ou sequelas neurológicas irreversíveis.
A atuação do enfermeiro classificador deve ser rápida, precisa e baseada em protocolos de emergência, assegurando um atendimento humanizado e tecnicamente seguro.