31 - Dispneia Aguda
Dispneia Aguda
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de classificação de risco respiratório
A dispneia, ou falta de ar, é uma das queixas mais alarmantes em contextos de urgência e emergência. Quando ela se instala de forma súbita, sem causa aparente ou como uma exacerbação abrupta de uma condição respiratória crônica, o quadro é considerado dispneia aguda — e deve ser tratado como emergência clínica.
O Protocolo de Manchester reconhece esse quadro como um discriminador clínico prioritário, por indicar risco iminente de insuficiência respiratória, hipoxemia grave ou obstrução das vias aéreas, podendo evoluir rapidamente para parada cardiorrespiratória.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Dispneia Aguda:
Dificuldade respiratória que se desenvolve subitamente, ou uma repentina exacerbação de dispneia crônica (como em asma, DPOC, ICC).
Esse discriminador se aplica tanto a pacientes sem histórico respiratório quanto àqueles com doenças pulmonares ou cardíacas crônicas, que relatam piora súbita dos sintomas respiratórios habituais.
🧠 Importância clínica da dispneia aguda
A dispneia aguda pode ser causada por diversas condições clínicas graves, incluindo:
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Crise asmática grave ou exacerbação de DPOC;
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Edema agudo de pulmão (insuficiência cardíaca descompensada);
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Embolia pulmonar;
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Infarto agudo do miocárdio com congestão pulmonar;
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Pneumotórax espontâneo (geralmente unilateral);
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Infecções respiratórias graves (pneumonia, bronquiolite, COVID-19);
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Anafilaxia com edema de glote e obstrução aérea;
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Corpos estranhos em via aérea (mais comum em crianças).
⚠️ A dispneia aguda é tempo-dependente: quanto mais rápido o reconhecimento e a intervenção, maior a chance de reversão e sobrevivência.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a avaliação, o enfermeiro deve observar e perguntar:
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A dispneia iniciou-se de forma súbita?
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O paciente tem histórico de doenças respiratórias ou cardíacas?
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Está pior do que o habitual? Consegue falar frases completas?
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Está usando musculatura acessória (pescoço, intercostais)?
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Há som respiratório anormal (sibilos, estridor, roncos, ausência de som)?
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Como está a saturação de oxigênio (SpO₂)?
Avaliar também:
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Frequência respiratória (> 24 rpm é anormal; > 30 é gravíssimo);
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Cianose, palidez, agitação ou confusão mental;
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Postura de tripé (sentado com o tronco inclinado para frente);
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Presença de taquicardia ou hipotensão.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Dispneia Aguda” pode ser utilizado nos seguintes fluxogramas:
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Dificuldade respiratória
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Dor torácica (quando há suspeita de TEP ou edema agudo de pulmão)
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Reação alérgica (com comprometimento de via aérea)
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Paciente encontrado com rebaixamento de consciência + dispneia
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Infecções respiratórias agudas (em crianças e idosos)
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Dispneia intensa, com:
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Saturação de O₂ < 90%;
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Incapacidade de falar ou respiração entrecortada;
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Uso evidente de musculatura acessória, exaustão;
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Cianose labial ou periférica;
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Glasgow < 15;
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FC > 130 bpm ou sinais de instabilidade hemodinâmica;
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Silêncio torácico (sem entrada de ar).
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Dispneia moderada a grave, com:
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Saturação entre 90–94%;
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Fala entrecortada, ansiedade extrema;
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Sibilância audível, taquipneia, sudorese;
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História de asma/DPOC sem melhora com medicação habitual;
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Dor torácica associada à falta de ar súbita.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Dispneia leve, com:
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Saturação normal (> 94%);
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História compatível com crise leve de asma ou DPOC;
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Paciente consciente, orientado, sem esforço respiratório visível;
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Resposta parcial a broncodilatador de uso pessoal.
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❗ A progressão da dispneia pode ser rápida — por isso, qualquer sinal de piora durante a triagem ou espera exige reclassificação imediata.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Homem de 68 anos com histórico de DPOC, chega à UPA com dispneia intensa, fala entrecortada, saturação 86%, respiração superficial e uso de musculatura acessória. Relata que usou bombinha sem melhora.
➡️ Fluxograma: “Dificuldade respiratória”;
➡️ Discriminador: “Dispneia Aguda” + “Asma sem melhora com tratamento habitual”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato.
Situação 2:
Mulher de 55 anos com histórico de asma leve, relata início súbito de falta de ar após exposição a pó. Fala com pausas, saturação 92%, apresenta sibilos moderados. Usou bombinha apenas uma vez.
➡️ Fluxograma: “Dificuldade respiratória”;
➡️ Discriminador: “Dispneia Aguda”;
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos.
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar sinais vitais completos, incluindo oximetria e Glasgow;
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Observar a postura e esforço respiratório;
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Realizar ausculta rápida (se houver suporte técnico);
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Iniciar oxigenoterapia imediatamente, se saturação < 94%;
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Encaminhar para atendimento médico conforme prioridade;
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Reclassificar caso haja piora do quadro enquanto aguarda;
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Registrar no prontuário:
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Tempo de início da dispneia;
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Sinais associados (dor, sibilância, cianose, tosse);
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Histórico respiratório.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “Dispneia Aguda” exige atenção máxima do enfermeiro classificador, pois representa um dos quadros clínicos mais perigosos e com progressão rápida em ambiente de urgência.
Sua correta identificação garante respostas imediatas, início precoce do tratamento e redução do risco de óbito, especialmente em pacientes com histórico de doenças respiratórias crônicas ou cardiovasculares.