33 - Disúria
Disúria
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de classificação de risco urológico
A disúria é definida como dor, ardência ou desconforto ao urinar e é uma queixa comum nos serviços de urgência, especialmente entre mulheres. Pode estar associada a infecções urinárias, irritações locais, traumas, cálculos renais ou alterações anatômicas.
Embora, na maioria das vezes, esteja relacionada a condições benignas e de baixa gravidade, a disúria pode ser um sinal inicial de complicações mais sérias, como pielonefrite, prostatite, retenção urinária aguda ou infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
No Protocolo de Manchester, o discriminador “Disúria” tem a função de orientar o enfermeiro classificador sobre o grau de urgência de atendimento baseado na severidade e nos sintomas associados.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Disúria:
Refere-se a dor ou dificuldade em urinar.
Esse sintoma pode vir acompanhado de aumento da frequência urinária, urgência, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, urina escurecida ou com odor forte, além de febre, dor lombar ou presença de sangue na urina.
🧠 Causas comuns de disúria na prática clínica
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Infecção do trato urinário (ITU): cistite, uretrite, pielonefrite;
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Infecções sexualmente transmissíveis: gonorreia, clamídia, herpes genital;
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Cálculos urinários: especialmente quando o cálculo está no ureter distal;
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Prostatite: em homens, com disúria e dor perineal;
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Retenção urinária aguda: especialmente em idosos ou pacientes neurológicos;
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Irritação química ou física: uso de sabonetes íntimos agressivos, trauma sexual, uso de sondas ou cateteres;
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Cistite intersticial: inflamação crônica da bexiga, mais comum em mulheres.
⚠️ A disúria acompanhada de febre, dor lombar ou vômitos deve ser tratada como situação de maior risco, pois pode indicar infecção urinária ascendente (pielonefrite).
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a entrevista, o enfermeiro deve:
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Perguntar:
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“Você sente ardência, queimação ou dor ao urinar?”
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“Tem urinado mais vezes do que o normal?”
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“Há febre, dor nas costas ou sangue na urina?”
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“Já teve isso antes?”
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Avaliar sinais associados:
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Febre;
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Dor lombar ou abdominal;
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Náuseas ou vômitos;
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Presença de sangue ou secreção uretral;
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Início súbito ou progressivo;
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Observar:
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Condição geral do paciente;
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Nível de dor (EVA);
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Gênero, idade e comorbidades associadas.
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📌 Em homens, idosos e gestantes, toda queixa de disúria deve ser tratada com mais atenção, pois o risco de complicações é maior.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Disúria” pode ser utilizado nos seguintes fluxogramas:
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Distúrbios urinários
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Dor abdominal baixa (especialmente em mulheres)
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Febre em adultos
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Dor lombar (quando associada à infecção urinária alta)
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Dor genital masculina ou feminina
🎯 Classificação de risco por cores
🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Disúria associada a:
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Febre alta (> 38,5 °C) + dor lombar (suspeita de pielonefrite);
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Vômitos persistentes;
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Alteração do nível de consciência (paciente idoso ou séptico);
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Anúria ou retenção urinária;
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Dor lombar intensa com calafrios;
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Paciente imunossuprimido com disúria e febre.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Disúria com:
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Dor ou ardência urinária moderada;
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Sem sinais sistêmicos;
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Frequência urinária aumentada;
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Urina turva, escura ou com odor forte;
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Leve dor abdominal inferior.
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🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
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Disúria leve, sem outros sintomas;
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Paciente afebril, sem dor lombar;
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Quadro compatível com ITU simples em mulher jovem e sem comorbidades;
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Situação recorrente e semelhante a episódios anteriores.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Mulher de 23 anos com ardência intensa ao urinar, febre de 38,7 °C e dor lombar bilateral. Refere náuseas e urina escura com odor forte. Frequência urinária aumentada.
➡️ Fluxograma: “Distúrbios urinários”;
➡️ Discriminador: “Disúria”;
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos (suspeita de pielonefrite).
Situação 2:
Homem de 58 anos, com história de HBP (hiperplasia prostática benigna), relata disúria há dois dias, jato fraco, sensação de bexiga cheia e febre de 37,8 °C.
➡️ Fluxograma: “Distúrbios urinários”;
➡️ Discriminador: “Disúria”;
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos (risco de prostatite ou retenção urinária).
Situação 3:
Mulher de 35 anos com histórico de infecção urinária recente, relata leve ardência ao final da micção, sem febre ou dor lombar. Refere que sintomas são iguais aos episódios anteriores.
➡️ Fluxograma: “Distúrbios urinários”;
➡️ Discriminador: “Disúria”;
➡️ Classificação: verde – atendimento em até 120 minutos.
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Verificar sinais vitais, especialmente temperatura, FC e PA;
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Questionar sobre frequência, urgência e aspecto da urina;
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Avaliar histórico de infecção urinária recorrente ou uso de sondas;
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Identificar sinais de gravidade, como febre, dor lombar ou vômitos;
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Encaminhar de acordo com a classificação, priorizando gestantes, idosos, homens e pacientes imunodeprimidos;
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Registrar:
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Início dos sintomas;
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Descrição da dor;
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Frequência urinária;
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Sintomas associados;
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Histórico de ITU.
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✅ Conclusão
O discriminador “Disúria” permite ao enfermeiro classificador avaliar de forma precisa quadros urológicos de menor e maior gravidade, garantindo prioridade adequada no atendimento. Ele reforça a importância de uma triagem técnica, empática e centrada no risco clínico, reduzindo as chances de complicações em pacientes com infecções urinárias ou retenção.