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Dor
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de priorização baseados na intensidade da dor
A dor é a queixa mais comum nos atendimentos de urgência e emergência. Seu reconhecimento e correto enquadramento como discriminador clínico é essencial para garantir um atendimento humanizado, eficaz e prioritário conforme a gravidade do caso.
O Protocolo de Manchester trata a dor como um sinal clínico independente, devendo ser considerada em qualquer que seja a sua origem: abdominal, torácica, musculoesquelética, neurológica, traumática ou visceral.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Dor:
Qualquer expressão de dor preenche este critério.
A avaliação deve considerar:
A intensidade referida pelo paciente;
A localização e duração da dor;
Os sinais físicos e emocionais associados;
E a resposta à dor observada pelo profissional.
Mesmo que a causa da dor não esteja clara ou que o paciente não consiga verbalizar com precisão, a manifestação perceptível de sofrimento (verbal, gestual ou facial) deve ser considerada.
🧠 Importância clínica da dor como discriminador
A dor pode indicar desde quadros leves (ex: cefaleia tensional) até emergências clínicas graves como:
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Infarto agudo do miocárdio (dor torácica)
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Apendicite ou abdome agudo (dor abdominal)
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Fratura ou luxação (dor em membro)
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Pancreatite, colecistite, obstrução intestinal
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Isquemia vascular (dor súbita e intensa)
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Cefaleia súbita com sinais neurológicos (risco de AVC ou aneurisma)
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Dor torácica com dispneia (TEP, dissecção aórtica)
⚠️ O profissional deve sempre associar a localização, intensidade e tempo de evolução da dor a sinais vitais e outras manifestações clínicas para classificar corretamente o risco.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Perguntar diretamente sobre dor:
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"Está sentindo dor agora?"
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"Onde dói?"
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"Há quanto tempo?"
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"A dor é contínua ou vai e volta?"
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Avaliar a intensidade da dor:
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Usar a Escala Visual Analógica (EVA) de 0 a 10:
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0 = sem dor
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10 = pior dor imaginável
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Ou utilizar escalas alternativas para crianças ou pacientes com déficit cognitivo (ex: escala facial).
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Observar expressões e comportamentos:
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Choro, gemidos, inquietação, sudorese, palidez, rigidez, recusa em se mover ou falar;
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Em idosos, a dor pode ser expressa por retraimento social, confusão ou imobilidade.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Dor” pode ser utilizado em praticamente todos os fluxogramas clínicos, como:
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Dor torácica
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Dor abdominal
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Trauma em membro superior ou inferior
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Dor de cabeça
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Dor pélvica
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Dor nas costas ou lombar
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Fraturas, luxações, entorses
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Cólica, disúria, dor genital ou osteoarticular
💡 A dor nunca deve ser ignorada ou subestimada, mesmo em pacientes já conhecidos da unidade ou com queixas repetidas.
🎯 Classificação de risco por cores (baseada na dor)
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Dor intensa (EVA 8-10) associada a:
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Instabilidade hemodinâmica (PA < 90 mmHg, FC > 130 bpm);
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Sinais de choque ou rebaixamento de consciência;
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Dor torácica com dispneia ou sudorese;
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Isquemia de membro (dor + frieza + palidez);
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Abdome agudo com sinais peritoneais.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Dor intensa (EVA 8-10), mas com sinais vitais estáveis;
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Dor súbita e localizada de início recente;
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Dor torácica sem outros sinais de gravidade;
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Dor abdominal com vômitos ou diarreia intensa.
🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Dor moderada (EVA 5-7), localizada, sem sinais sistêmicos;
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Queixas crônicas com leve piora;
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Paciente ativo, comunicativo, sem sinais de alarme.
🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
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Dor leve (EVA 1-4), sem outros sintomas relevantes;
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Situação de desconforto leve ou histórico conhecido e controlado;
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Paciente colaborativo, sem alterações visíveis.
❗ A dor é subjetiva, mas não arbitrária: deve ser registrada e considerada de forma humanizada e técnica.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Homem de 60 anos refere dor no peito em aperto, irradiando para braço esquerdo, EVA 9, começou há 40 minutos. Está pálido e com sudorese. PA 100/60 mmHg, FC 122 bpm.
➡️ Fluxograma: “Dor torácica”;
➡️ Discriminador: “Dor” (intensa, torácica);
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato (suspeita de IAM).
Situação 2:
Mulher de 25 anos com dor abdominal em cólica, EVA 6, associada a náusea leve. Afebril, PA e FC normais. Relata que sente esse tipo de dor no período menstrual.
➡️ Fluxograma: “Dor abdominal”;
➡️ Discriminador: “Dor” (moderada);
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos.
Situação 3:
Paciente com dor leve no tornozelo após entorse, EVA 3, sem edema ou hematoma visível. Caminha normalmente, relata que a dor está diminuindo.
➡️ Fluxograma: “Trauma em membro inferior”;
➡️ Discriminador: “Dor” (leve);
➡️ Classificação: verde – atendimento em até 120 minutos.
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Aplicar EVA ou escala de dor apropriada ao paciente;
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Registrar:
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Localização, intensidade, duração e tipo de dor (pontada, pressão, queimação);
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Sinais associados (náusea, sudorese, vômitos, dispneia);
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Medicação prévia (analgésico ou anti-inflamatório);
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Monitorar sinais vitais completos;
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Priorizar o atendimento conforme gravidade e riscos associados;
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Reavaliar a dor, se o paciente permanecer em espera por tempo prolongado.
✅ O que aprendemos
O discriminador “Dor” é um dos mais importantes do Protocolo de Manchester. Ele representa não apenas um sintoma, mas um sinal clínico que exige escuta ativa, empatia e julgamento técnico do profissional de saúde.
A avaliação precisa da dor garante um atendimento humanizado, ético e seguro, promovendo alívio do sofrimento e redução de complicações clínicas.