38 - Dor que Irradia para a Região Dorsal
Dor que Irradia para a Região Dorsal
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco em dor torácica, abdominal ou vascular
A dor que irradia para a região dorsal (ou dorso, parte posterior do tronco) é um sintoma que não deve ser subestimado na triagem, pois pode estar associado a condições clínicas graves e tempo-dependentes, especialmente quando acompanhada de outros sinais de alerta.
O Protocolo de Manchester inclui este discriminador para sinalizar que, ao se irradiar para a região dorsal (mesmo que de forma intermitente), a dor pode estar relacionada a processos torácicos, abdominais ou vasculares com risco de vida, como dissecção de aorta, pancreatite aguda, infarto miocárdico ou perfurações gastrointestinais.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Dor que Irradia para a Região Dorsal:
Refere-se a qualquer dor que seja sentida também na região posterior do tronco (dorso), seja de forma intermitente ou constante.
A localização e o padrão de irradiação devem ser cuidadosamente avaliados, pois a presença de dor dorsal associada à dor torácica ou abdominal pode alterar a prioridade clínica do atendimento.
🧠 Condições clínicas associadas à dor irradiada para o dorso
🔴 Situações graves e tempo-dependentes:
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Dissecção aguda de aorta torácica ou abdominal (dor intensa, súbita e em "rasgo");
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Infarto agudo do miocárdio (sobretudo da parede posterior ou inferior);
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Pancreatite aguda (dor epigástrica irradiada em faixa para o dorso);
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Perfuração de úlcera gástrica ou duodenal;
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Aneurisma de aorta abdominal roto;
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Tromboembolismo pulmonar (dor pleurítica com irradiação posterior);
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Cólicas renais ou biliares intensas (irradiação lombar ou em flanco).
🟡 Outras condições possíveis (menos urgentes):
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Espasmos musculares intensos;
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Hérnia de disco torácica ou lombar;
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Gastrite, refluxo gastroesofágico com irradiação atípica;
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Ansiedade com queixa somática torácica/dorsal;
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Cólica menstrual com dor lombar posterior.
⚠️ Em pacientes idosos, diabéticos ou imunossuprimidos, os sintomas podem ser atípicos — por isso, toda dor irradiada para o dorso deve ser cuidadosamente avaliada.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Questionar sobre a localização e irradiação:
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“A dor vai para as costas ou para a parte de trás do corpo?”
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“É uma dor que passa para o meio das costas?”
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Avaliar o tipo de dor:
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Súbita e em “rasgo” (dissecção);
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Contínua e profunda (pancreatite);
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Em peso ou pressão (IAM);
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Verificar sinais associados:
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Sudorese, náuseas, vômitos, dispneia, rebaixamento do nível de consciência;
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Alterações na pressão arterial ou pulso assimétrico;
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Presença de febre e sinais de peritonite (abdome agudo).
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💡 A dor dorsal secundária a causas viscerais é frequentemente referida, ou seja, percebida à distância da estrutura real afetada.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Dor que Irradia para a Região Dorsal” pode ser utilizado nos seguintes fluxogramas:
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Dor torácica
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Dor abdominal
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Dor epigástrica
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Pancreatite / Colecistite
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Dissecção de aorta
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Cólicas renais ou biliares
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Dor lombar (com causas viscerais)
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Dor torácica ou abdominal com irradiação para o dorso +:
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Dor súbita, intensa, descrita como “rasgando”;
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Instabilidade hemodinâmica (PA < 90 mmHg, FC > 130 bpm);
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Rebaixamento de consciência;
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Dispneia severa ou síncope;
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Histórico de aneurisma, hipertensão grave ou cirurgia vascular.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Dor moderada a intensa irradiando para o dorso +:
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Sinais de dor visceral (náusea, vômito, sudorese);
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Suspeita de pancreatite, cálculo renal ou colecistite;
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Dor contínua e progressiva sem instabilidade;
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Idoso com dor atípica ou múltiplas comorbidades.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Dor leve a moderada, irradiada para o dorso;
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Sem sinais de alarme ou alterações sistêmicas;
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História compatível com dor muscular, ansiedade ou gastrite.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Homem de 66 anos, hipertenso, com dor torácica súbita, muito intensa, irradiada para dorso e região lombar. Sudorese intensa, PA 95/60 mmHg. ECG sem alterações. Sem trauma.
➡️ Fluxograma: “Dor torácica”;
➡️ Discriminador: “Dor que Irradia para a Região Dorsal”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato (suspeita de dissecção de aorta).
Situação 2:
Mulher de 40 anos com dor epigástrica irradiada em faixa para o dorso, náuseas, vômitos e febre de 38,4 °C. Relata uso abusivo de álcool no fim de semana.
➡️ Fluxograma: “Dor abdominal alta / epigástrica”;
➡️ Discriminador: “Dor que Irradia para a Região Dorsal”;
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos (suspeita de pancreatite).
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Questionar sobre o padrão e local de irradiação da dor;
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Avaliar:
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Sinais vitais completos (PA, FC, FR, SpO₂);
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Escala de dor (EVA);
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Presença de sudorese, vômitos, palidez ou rebaixamento de consciência;
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Identificar pacientes com histórico de doenças cardiovasculares, aneurismas, hepatobiliares ou gastrointestinais;
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Encaminhar para avaliação médica imediatamente, conforme gravidade;
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Registrar:
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Local de origem e irradiação da dor;
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Tempo de início, intensidade e evolução;
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Sinais clínicos associados.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “Dor que Irradia para a Região Dorsal” é um importante indicador de risco aumentado na triagem, pois está frequentemente relacionado a condições clínicas graves, com necessidade de atendimento emergencial.
A correta aplicação por parte do enfermeiro classificador garante agilidade na condução dos casos críticos e evita que doenças tempo-dependentes passem despercebidas no momento inicial da avaliação.