39 - Dor Moderada
Dor Moderada
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de classificação com base na intensidade da dor
A dor é uma experiência subjetiva, multifatorial e profundamente pessoal, sendo uma das queixas mais comuns nos atendimentos de urgência. No contexto da triagem pelo Protocolo de Manchester, a dor deve ser avaliada e classificada de acordo com sua intensidade, impacto funcional e sinais associados, sempre com foco na segurança e humanização do atendimento.
O discriminador “Dor Moderada” foi estabelecido para reconhecer os casos em que o paciente apresenta uma dor significativa, que compromete o bem-estar, mas que ainda é suportável e não está associada a sinais imediatos de instabilidade.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Dor Moderada:
Dor significativa, mas suportável.
Deve ser avaliada com base na percepção do paciente e corroborada por sinais objetivos, sempre que possível.
Ver Capítulo 4 do protocolo, que aborda a avaliação da dor com uso de escalas padronizadas.
A dor moderada geralmente é classificada com EVA (Escala Visual Analógica) entre 5 e 7, onde:
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EVA 0 = sem dor
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EVA 1 a 3 = dor leve
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EVA 4 a 7 = dor moderada
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EVA 8 a 10 = dor intensa
🧠 Importância clínica da dor moderada
Embora não represente uma emergência imediata, a dor moderada deve ser valorizada como um marcador importante de sofrimento e, em alguns casos, pode ser o início de uma condição que irá progredir, como:
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Apendicite em fase inicial
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Pancreatite leve a moderada
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Cólica renal ou biliar em fase intermediária
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Processos inflamatórios articulares
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Infecções urinárias
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Traumas com fraturas estáveis
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Abdome agudo não complicado ainda em desenvolvimento
⚠️ A dor moderada não deve ser subestimada, especialmente quando presente em idosos, crianças, gestantes e imunossuprimidos, que podem não expressar dor da mesma forma que adultos jovens e saudáveis.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o profissional deve:
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Perguntar ao paciente sobre a intensidade da dor:
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"De 0 a 10, quanto está sua dor agora?"
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"Está conseguindo suportar a dor ou ela está insuportável?"
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"A dor piora com movimentos ou ao respirar?"
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Usar escalas apropriadas:
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EVA (Escala Visual Analógica) de 0 a 10
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Escala de Faces (em pediatria e pacientes com dificuldade de comunicação)
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Escala verbal simples: leve, moderada, intensa
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Observar sinais comportamentais e clínicos:
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Expressões faciais (caretas, tensão);
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Postura antálgica (evita se movimentar ou tocar na área);
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Palidez, sudorese discreta, fala pausada ou encurtada.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Dor Moderada” pode ser utilizado em praticamente todos os fluxogramas, incluindo:
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Dor abdominal
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Dor torácica
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Dor lombar ou em coluna
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Dor em articulações
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Trauma em membros
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Cólica renal ou biliar
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Infecção urinária com disúria significativa
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Infecções de pele ou abscessos com dor local
🎯 Classificação de risco por cores
🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Dor significativa (EVA 5 a 7);
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Paciente verbaliza dor com expressão compatível;
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Sinais vitais estáveis;
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Sem sinais de alarme (rebaixamento de consciência, instabilidade hemodinâmica, dispneia);
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Situação controlável, mas que exige avaliação médica em tempo razoável.
❗ A dor moderada nunca deve ser classificada como verde ou azul sem avaliação contextual — a queixa de dor deve ser respeitada e reavaliada se houver mudança clínica.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Mulher de 36 anos com dor no quadrante inferior direito do abdome, EVA 6, náusea leve e dor contínua há 6 horas. Afebril, sem sinais peritoneais. Sinais vitais normais.
➡️ Fluxograma: “Dor abdominal”;
➡️ Discriminador: “Dor Moderada”;
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos.
Situação 2:
Homem de 52 anos com dor lombar após esforço físico. EVA 7. Sem irradiação para membros, afebril, andando normalmente, sinais vitais estáveis.
➡️ Fluxograma: “Dor lombar ou coluna”;
➡️ Discriminador: “Dor Moderada”;
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos.
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Aplicar escala de avaliação da dor (preferencialmente EVA);
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Avaliar sinais vitais completos;
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Observar e registrar expressões não verbais de dor;
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Verificar se há histórico de dor crônica ou uso de analgésicos prévios;
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Encaminhar para avaliação médica com base no grau de sofrimento;
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Registrar:
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Intensidade da dor;
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Localização, irradiação e tipo da dor;
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Fatores de alívio ou piora;
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Sinais associados (náusea, vômito, febre, etc.).
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✅ O que aprendemos
O discriminador “Dor Moderada” é um dos mais importantes na triagem pelo Protocolo de Manchester, pois permite identificar pacientes que, embora estáveis, estão em sofrimento significativo e precisam de avaliação médica em tempo adequado.
A correta aplicação desse discriminador promove uma triagem humanizada, ética e centrada na percepção do paciente, ajudando a garantir um fluxo de atendimento eficiente e respeitoso.