40 - Dor nas Articulações em Movimentação
Dor nas Articulações em Movimentação
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco osteoarticular
A dor articular provocada pelo movimento, seja ativo (movido pelo próprio paciente) ou passivo (induzido por outra pessoa, como o examinador), é um sinal clínico relevante, que pode indicar desde condições inflamatórias, traumáticas ou infecciosas até quadros degenerativos.
Esse sintoma é especialmente importante na triagem de pacientes com queixas musculoesqueléticas e precisa ser avaliado com atenção, pois pode representar uma situação de evolução rápida e com risco funcional, principalmente quando há sinais de comprometimento articular agudo.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Dor nas Articulações em Movimentação:
Refere-se à dor sentida durante a movimentação de uma articulação, podendo ser:
Movimento ativo: realizado voluntariamente pelo próprio paciente;
Movimento passivo: realizado pelo examinador.
Esse discriminador abrange queixas como dor ao dobrar o joelho, ao levantar o braço, ao girar o punho, ou à manipulação durante a avaliação física.
🧠 Possíveis causas clínicas da dor articular à movimentação
🔴 Causas infecciosas ou inflamatórias agudas:
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Artrite séptica (emergência ortopédica);
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Sinovite reativa (pós-infecção viral ou bacteriana);
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Gota ou pseudogota;
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Celulite articular associada (ex: celulite escrotal com dor no quadril).
🟠 Causas traumáticas:
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Luxações articulares (ex: ombro, joelho, tornozelo);
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Entorses com distensão ligamentar;
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Fraturas periarticulares (especialmente se com edema e limitação funcional).
🟡 Causas crônicas ou degenerativas:
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Artrose com episódios de agudização;
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Tendinites ou bursites crônicas;
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Artrite reumatoide em atividade.
⚠️ Quando a dor articular limita ou impede o movimento, especialmente em crianças, idosos ou imunossuprimidos, o risco de infecção articular deve ser considerado com alta prioridade.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Questionar sobre a dor:
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“Dói quando você move a articulação?”
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“Dói mesmo sem esforço, só de mexer ou tocar?”
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“Você consegue dobrar, girar ou esticar normalmente?”
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Observar limitações funcionais:
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O paciente evita o movimento ou o realiza com expressão de dor;
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Postura antálgica (evita usar o membro afetado).
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Palpar com delicadeza a articulação envolvida, se possível, para verificar:
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Aumento de volume (edema);
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Calor local, rubor;
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Crepitação ou instabilidade;
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Dor ao movimento passivo (muito sugestiva de processo inflamatório ou infeccioso).
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💡 Toda articulação dolorosa, quente e com limitação de movimento deve ser avaliada como potencial artrite séptica até prova em contrário, principalmente em crianças.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Dor nas Articulações em Movimentação” pode ser utilizado nos fluxogramas:
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Dor em articulação
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Trauma em membro superior ou inferior
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Febre em criança (quando há queixa de dor em articulação)
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Dor em criança pequena (não quer andar ou se movimentar)
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Quadros reumatológicos agudos ou crônicos
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Dor articular intensa com:
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Febre alta (> 38,5 °C);
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Incapacidade total de movimentação;
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Sinais locais de inflamação aguda severa (calor intenso, vermelhidão marcada, edema);
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Suspeita de artrite séptica, especialmente em crianças pequenas ou imunodeprimidos.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Dor articular com limitação funcional importante, associada a:
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História de trauma recente;
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Sinais moderados de inflamação;
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Quadro agudo de gota, bursite ou artrite reumatoide ativa;
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Criança que se recusa a andar ou movimentar o membro afetado.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Dor articular com mobilidade parcial;
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Sem febre ou sinais de infecção sistêmica;
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Dor de início progressivo, com edema leve;
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Casos de artrose ou inflamação crônica leve a moderada.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Criança de 4 anos com febre de 38,9 °C e dor no quadril. Recusa-se a andar, não tolera movimentação passiva da perna. Quadril quente e levemente inchado.
➡️ Fluxograma: “Dor em criança”;
➡️ Discriminador: “Dor nas Articulações em Movimentação”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato (suspeita de artrite séptica).
Situação 2:
Homem de 60 anos com dor no ombro direito há 3 dias, que piora ao levantar o braço. Relata dor tanto ao movimento próprio quanto à movimentação passiva durante exame. Sem febre.
➡️ Fluxograma: “Dor em articulação (ombro)”;
➡️ Discriminador: “Dor nas Articulações em Movimentação”;
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos (possível bursite ou tendinite).
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar:
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Intensidade da dor (EVA);
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Grau de limitação funcional;
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Presença de febre e sinais flogísticos;
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Observar se o paciente consegue mover a articulação ativamente;
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Se possível, realizar movimento passivo suave e verificar resposta;
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Avaliar histórico clínico (trauma, doenças autoimunes, episódios anteriores);
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Registrar:
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Localização da articulação afetada;
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Presença de calor, edema, rubor e limitação;
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Escala de dor e tempo de início dos sintomas;
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Encaminhar com prioridade adequada conforme critérios clínicos.
✅ Conclusão
O discriminador “Dor nas Articulações em Movimentação” é essencial para identificar pacientes com comprometimento articular inflamatório, traumático ou infeccioso, permitindo uma triagem eficiente e com foco na prevenção de sequelas articulares ou infecções graves como a artrite séptica.
A correta aplicação desse discriminador garante que casos clínicos importantes não passem despercebidos, mesmo que o paciente esteja estável no momento da triagem.