41 - Dor Pleurítica
Dor Pleurítica
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco respiratório e torácico
A dor pleurítica é um tipo de dor torácica intensa, aguda e localizada, que piora com movimentos respiratórios, como inspirar profundamente, tossir ou espirrar. Esse tipo de dor indica, geralmente, irritação da pleura — membrana que reveste os pulmões e a parede torácica — e pode estar associada a processos infecciosos, inflamatórios ou vasculares graves.
No Protocolo de Manchester, o discriminador “Dor Pleurítica” é utilizado para identificar pacientes com possíveis comprometimentos pulmonares, pleurais ou cardiovasculares, cuja priorização correta é fundamental para garantir a segurança e evitar evolução para quadros graves, como embolia pulmonar ou pneumonia extensa.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Dor Pleurítica:
Dor aguda no peito, que piora ao respirar, tossir ou espirrar.
É uma dor bem localizada, geralmente descrita como pontada, facada ou queimação, e que se intensifica com o movimento da respiração — o que a diferencia de outras formas de dor torácica, como a dor anginosa.
🧠 Principais causas clínicas associadas à dor pleurítica
🟠 Condições respiratórias e torácicas:
-
Pneumonia com pleurite associada
-
Pleurisia viral ou bacteriana
-
Derrame pleural
-
Pneumotórax espontâneo ou traumático
-
Embolia pulmonar (TEP) — especialmente com dor súbita e dispneia
-
COVID-19 com envolvimento pleural
-
Neoplasias torácicas com infiltração pleural
🟡 Outras condições:
-
Síndrome pós-viral com dor torácica residual
-
Costocondrite (inflamação da junção costal)
-
Fraturas de costelas
-
Pericardite (pode simular dor pleurítica)
⚠️ A dor pleurítica pode ser o único sintoma inicial de uma condição respiratória grave, mesmo quando os sinais vitais ainda estão estáveis.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o profissional deve:
-
Investigar a dor torácica com perguntas específicas:
-
“A dor piora quando você respira fundo?”
-
“Dói mais quando tosse ou espirra?”
-
“É uma dor em pontada ou em aperto?”
-
-
Caracterizar a dor:
-
Localização (geralmente lateral, unilateral ou posterior);
-
Intensidade (EVA);
-
Início súbito ou progressivo;
-
Fatores de alívio (repouso, posição sentada) e agravamento (inspiração, tosse).
-
-
Avaliar sinais vitais e condições associadas:
-
Frequência respiratória elevada;
-
Saturação de oxigênio reduzida (SpO₂ < 94%);
-
Presença de febre;
-
Taquicardia;
-
Tosse produtiva, hemoptise, dispneia.
-
💡 Em jovens, pneumotórax espontâneo deve ser sempre considerado. Em pacientes com fatores de risco, embolia pulmonar é hipótese prioritária.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Dor Pleurítica” pode ser utilizado nos seguintes fluxogramas:
-
Dor torácica
-
Dificuldade respiratória
-
Febre com dor torácica
-
Tosse persistente ou com dor
-
COVID-19 ou síndrome gripal com dor torácica
-
Trauma torácico com dor ao respirar
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
-
Dor pleurítica +:
-
Instabilidade hemodinâmica (PA < 90 mmHg, FC > 130 bpm);
-
Saturação de O₂ < 90%;
-
Dispneia severa ou uso de musculatura acessória;
-
Dor súbita e intensa com risco de pneumotórax ou TEP;
-
Rebaixamento do nível de consciência.
-
🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
-
Dor pleurítica com:
-
Febre > 38,5 °C e taquicardia;
-
Dispneia moderada com SpO₂ entre 90% e 94%;
-
História de embolia pulmonar, câncer ou cirurgia recente;
-
Presença de dor unilateral de início súbito;
-
Paciente com risco aumentado (gestante, idoso, cardiopata).
-
🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
-
Dor pleurítica leve a moderada;
-
Sinais vitais normais;
-
Sem febre ou apenas febre baixa;
-
Sem dispneia significativa;
-
História compatível com infecção viral, costocondrite ou pós-esforço.
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Homem de 28 anos, sem comorbidades, refere dor súbita no lado direito do tórax, em pontada, que piora ao respirar. Relata leve falta de ar. SpO₂ 92%, FC 110 bpm. Sem febre. Sem histórico de trauma.
➡️ Fluxograma: “Dor torácica”;
➡️ Discriminador: “Dor Pleurítica”;
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos (suspeita de pneumotórax espontâneo).
Situação 2:
Mulher de 35 anos com quadro viral há 4 dias, agora com dor torácica em pontada, pior à inspiração profunda. Sem dispneia. Febre de 37,8 °C. SpO₂ 96%.
➡️ Fluxograma: “Dor torácica associada a quadro infeccioso”;
➡️ Discriminador: “Dor Pleurítica”;
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos (pleurite viral associada a infecção de vias respiratórias).
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
-
Avaliar características da dor e fatores agravantes (respiração, tosse);
-
Realizar avaliação completa dos sinais vitais e oximetria de pulso;
-
Observar sinais de insuficiência respiratória;
-
Questionar histórico de TEP, tabagismo, doenças pulmonares, câncer, cirurgias recentes;
-
Encaminhar o paciente com prioridade conforme gravidade e sinais associados;
-
Registrar com precisão:
-
Local e tipo da dor;
-
Relação com a respiração;
-
Sinais vitais e SpO₂;
-
Histórico relevante (ex: TEV, trombofilias, imobilizações, uso de anticoncepcional).
-
✅ O que aprendemos
O discriminador “Dor Pleurítica” é um alerta importante para condições pulmonares e cardiovasculares potencialmente graves. Sua identificação precoce na triagem permite intervenções rápidas, reduzindo o risco de evolução para insuficiência respiratória, choque ou morte súbita, especialmente em casos de pneumotórax, TEP e pneumonia grave.
A correta aplicação do Protocolo de Manchester neste contexto garante segurança, eficácia e racionalidade no atendimento em serviços de urgência e emergência.