44 - Dor Testicular
Dor Testicular
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco urológico e reprodutivo
A dor testicular é um sintoma que exige atenção imediata, pois pode estar relacionada a condições benignas, como inflamações, mas também a emergências urológicas, como a torção testicular — uma situação tempo-dependente que pode levar à perda do testículo se não tratada em até 6 horas.
No Protocolo de Manchester, o discriminador “Dor Testicular” é utilizado para orientar a triagem de forma segura e ágil, permitindo priorização adequada do atendimento com base na intensidade, início e sinais associados.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Dor Testicular:
Qualquer dor referida nos testículos, podendo ser:
Aguda ou crônica;
Uni ou bilateral;
Associada ou não a outros sinais urogenitais.
🧠 Causas clínicas mais comuns de dor testicular
🔴 Urgências urológicas (tempo-dependentes):
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Torção testicular (criança ou adulto jovem, dor súbita, intensa, unilateral, sem febre);
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Torção do apêndice testicular;
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Orquiepididimite aguda (inflamação do testículo e epidídimo, geralmente unilateral, com febre e edema);
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Trauma escrotal com hematoma ou edema testicular;
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Hérnia inguinal encarcerada (dor irradiada para escroto).
🟡 Outras causas urológicas ou reprodutivas:
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Varicocele (geralmente dor crônica ou desconforto arrastado);
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Hidrocele com pressão local;
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Cisto de epidídimo inflamado;
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Prostatite com dor referida ao escroto;
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Cólica renal com dor irradiada ao testículo;
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Infecções sexualmente transmissíveis.
⚠️ A torção testicular é uma emergência cirúrgica: quanto mais rápida a intervenção, maior a chance de preservação do testículo (até 6h: 90% de sucesso; após 12h: <10%).
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o profissional deve:
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Perguntar sobre a dor testicular diretamente:
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“A dor começou de forma súbita ou foi piorando aos poucos?”
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“A dor é contínua ou em cólica?”
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“Há febre, náusea ou vômito?”
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“Houve trauma, esforço físico ou relação sexual recente?”
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Observar sinais clínicos associados:
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Edema ou aumento de volume escrotal;
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Hiperemia local;
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Náuseas, vômitos ou febre;
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Dor à palpação (quando for possível e seguro avaliar);
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Testículo “elevado” ou horizontalizado (sugestivo de torção);
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Disúria ou secreção uretral.
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Verificar sinais vitais:
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Febre, taquicardia, hipotensão (se infecção grave).
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💡 Em crianças e adolescentes, dor testicular súbita deve ser sempre considerada torção até que se prove o contrário.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Dor Testicular” pode ser utilizado nos fluxogramas:
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Dor genital
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Dor abdominal (em crianças, pode se manifestar como dor testicular)
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Febre + dor escrotal (suspeita de orquiepididimite)
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Trauma genital
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Cólica renal com irradiação escrotal
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Dor testicular súbita e intensa, em paciente jovem, sem sinais de infecção:
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Suspeita de torção testicular aguda;
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Testículo elevado, endurecido, sensível e com início < 6h;
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Náusea, vômitos e agitação.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Dor intensa com sinais de infecção:
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Febre ≥ 38,5 °C;
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Edema escrotal importante;
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Secreção uretral;
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História de IST, uso de sonda ou manipulação recente.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Dor moderada, progressiva, sem sinais de emergência;
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Testículo com aspecto normal à inspeção;
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Desconforto arrastado (ex: varicocele, cisto).
📋 Exemplo clínico aplicado
Situação 1:
Adolescente de 15 anos chega com dor intensa e súbita no testículo direito, iniciada há 2h. Testículo elevado, endurecido e muito sensível. Sem febre. Relata náusea e vômito.
➡️ Fluxograma: “Dor genital”;
➡️ Discriminador: “Dor Testicular”;
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato (suspeita de torção testicular).
Situação 2:
Homem de 45 anos, com dor testicular à esquerda há 3 dias, febre de 38,7 °C, disúria e secreção uretral. Escroto aumentado e doloroso.
➡️ Fluxograma: “Dor genital com febre”;
➡️ Discriminador: “Dor Testicular”;
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos (suspeita de orquiepididimite).
Situação 3:
Homem de 32 anos com dor leve e intermitente no testículo esquerdo há duas semanas. Sem febre, sem edema, sem sintomas urinários. Refere varicocele diagnosticada anteriormente.
➡️ Fluxograma: “Dor genital crônica”;
➡️ Discriminador: “Dor Testicular”;
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos.
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar:
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Início e intensidade da dor (usar EVA);
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Presença de sinais sistêmicos (febre, náusea, vômito);
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Fatores de risco (trauma, infecção, atividade sexual recente);
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Verificar sinais vitais e realizar avaliação breve da região, se apropriado;
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Classificar conforme risco potencial de perda testicular ou infecção;
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Encaminhar com prioridade conforme critérios de urgência;
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Registrar:
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Lado e intensidade da dor;
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Sinais locais (edema, cor, temperatura);
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Sintomas sistêmicos;
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Tempo de início da dor.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “Dor Testicular” deve ser aplicado com atenção e rapidez, pois o tempo é um fator determinante para o desfecho clínico de algumas das causas mais graves, como a torção testicular.
A correta avaliação pelo enfermeiro na triagem pode fazer a diferença entre salvar ou perder o órgão afetado, além de prevenir complicações urológicas e infecciosas graves.