47 - Estridor
Estridor
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco em obstrução de vias aéreas
O estridor é um som respiratório anormal e agudo, semelhante a um chiado ou assobio alto, que ocorre devido a obstrução parcial das vias aéreas superiores — geralmente na região da laringe, traqueia ou faringe. Pode ser inspiratório, expiratório ou bifásico, e é mais audível quando o paciente respira pela boca aberta.
No Protocolo de Manchester, o discriminador “Estridor” é considerado altamente sensível para obstrução respiratória iminente. Por isso, sua presença — mesmo isolada — indica necessidade de avaliação médica imediata, sendo frequentemente associada a emergências respiratórias em adultos e crianças.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Estridor:
Som respiratório anormal, inspiratório, expiratório ou ambos, ouvido com maior clareza quando o paciente respira de boca aberta.
É resultado da passagem turbulenta de ar por vias aéreas superiores estreitadas, podendo indicar processos inflamatórios, infecciosos, alérgicos ou mecânicos.
🧠 Causas clínicas mais comuns de estridor
🔴 Obstrução aguda de vias aéreas (emergência):
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Anafilaxia / Angioedema de glote
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Inalação de corpo estranho
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Epiglotite (em pediatria, grave e de rápida evolução)
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Laringotraqueíte viral (crupe)
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Abcesso retrofaríngeo
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Trauma de pescoço / via aérea
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Tumores obstrutivos de laringe ou traqueia
🟠 Obstruções subagudas ou parciais:
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Papilomatose laríngea
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Paralisia de corda vocal unilateral ou bilateral
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Estreitamento traqueal pós-intubação prolongada
🟡 Outras causas menos comuns:
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Disfunção das cordas vocais;
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Laringomalácia (em bebês);
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Infecções de vias aéreas superiores com edema laríngeo discreto.
⚠️ A presença de estridor é indício de risco iminente de falência respiratória, especialmente se acompanhado de taquipneia, cianose, uso de musculatura acessória ou rebaixamento do nível de consciência.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Ouvir ativamente a respiração do paciente, preferencialmente com a boca aberta:
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Há som alto e agudo durante a inspiração ou expiração?
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O som é contínuo e audível à distância?
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O paciente apresenta esforço respiratório evidente?
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Observar sinais de obstrução das vias aéreas:
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Tiragem intercostal ou subcostal;
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Uso de musculatura acessória;
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Cianose de extremidades ou lábios;
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Agitação, confusão ou sonolência.
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Avaliar sinais vitais e oximetria:
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FR elevada (> 30 em adultos ou > 60 em lactentes);
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SpO₂ < 94%;
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PA e FC alteradas;
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Estado geral comprometido.
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Questionar antecedentes:
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Uso de medicamentos (IECA, AINES, antibióticos);
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Histórico de asma, alergias, infecções respiratórias;
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Presença de corpo estranho (em crianças pequenas).
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Estridor” pode ser aplicado nos fluxogramas:
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Dificuldade respiratória
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Obstrução de vias aéreas
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Reação alérgica / Anafilaxia
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Febre com desconforto respiratório (em pediatria)
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Corpo estranho em vias aéreas
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Trauma de pescoço ou tórax
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Estridor +:
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Uso de musculatura acessória;
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Sialorreia, cianose ou hipoxemia (SpO₂ < 90%);
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Confusão ou sonolência;
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Disfagia ou rouquidão severa;
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História de alergia grave, trauma ou corpo estranho;
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Dispneia progressiva.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Estridor moderado +:
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Sinais vitais ainda estáveis;
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História de infecção viral ou edema laríngeo;
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Respiração ruidosa, mas sem cianose ou rebaixamento;
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Tosse tipo “latido” (laringotraqueíte).
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🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
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Casos em que o estridor já está resolvido, e o paciente:
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Está em fase final de recuperação (ex: pós-laringite tratada);
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Foi avaliado em outro serviço e retorna para reavaliação sem queixas ativas;
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Apresenta disfunção vocal leve, sem desconforto respiratório;
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Está assintomático, apenas com história pregressa de estridor sem recorrência.
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❗ O estridor ativo é considerado sempre como sinal de gravidade, mas há exceções clínicas já resolvidas ou estáveis que podem justificar classificação verde com segurança e documentação cuidadosa.
📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Criança de 3 anos, com estridor inspiratório alto, uso de musculatura acessória, cianose e dificuldade para falar. Mãe refere início súbito após possível engasgo.
➡️ Fluxograma: “Obstrução de via aérea / corpo estranho”
➡️ Discriminador: “Estridor”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato (obstrução crítica)
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Adulto jovem, com quadro de laringite viral há 3 dias, apresenta estridor leve ao falar, sem cianose ou esforço respiratório. SpO₂ 96%, FC 88 bpm. Refere desconforto ao engolir e febre controlada.
➡️ Fluxograma: “Dificuldade respiratória / infecciosa”
➡️ Discriminador: “Estridor”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Verde
Paciente de 60 anos, comparece para reavaliação após alta hospitalar por edema de glote tratado com corticoides. Encontra-se bem, sem estridor atual, sem sinais respiratórios ativos, em uso de medicação oral.
➡️ Fluxograma: “Avaliação pós-emergência”
➡️ Discriminador: “Estridor” (histórico, sem sintomas no momento)
➡️ Classificação: verde – atendimento em até 120 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar a presença do som respiratório (estridor) com paciente de boca aberta;
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Verificar:
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Padrão respiratório, esforço, uso de musculatura acessória;
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Sinais vitais e oximetria;
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Identificar histórico de:
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Alergias, infecções recentes, trauma ou corpo estranho;
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Encaminhar imediatamente, conforme gravidade dos sinais associados;
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Registrar:
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Tipo de estridor (inspiratório, expiratório ou bifásico);
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Situações desencadeantes;
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Sinais vitais completos;
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Evolução ou piora do quadro.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “Estridor” representa obstrução parcial de vias aéreas superiores e exige ação imediata na triagem, sendo um marcador precoce de insuficiência respiratória iminente.
A correta identificação e classificação pelo enfermeiro garante segurança, agilidade e conduta precisa, especialmente em populações vulneráveis como crianças, idosos e alérgicos graves.