49 - Erupção Cutânea Desconhecida
Erupção Cutânea Desconhecida
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco para manifestações dermatológicas atípicas
O discriminador “Erupção Cutânea Desconhecida” é utilizado na triagem quando o paciente apresenta uma alteração na pele de origem indefinida, sem diagnóstico imediato ou causa aparente. Trata-se de um critério útil para classificar manifestações dermatológicas que não se enquadram em padrões comuns, e que, por sua natureza incerta, podem representar tanto condições benignas quanto graves, como infecções sistêmicas, reações medicamentosas ou doenças autoimunes em fase inicial.
No Protocolo de Manchester, a presença de erupções cutâneas atípicas, extensas ou associadas a sintomas sistêmicos exige atenção e, frequentemente, prioridade no atendimento, pois algumas emergências clínicas se manifestam primeiramente pela pele.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Erupção Cutânea Desconhecida:
Qualquer erupção ou alteração dermatológica cuja origem, padrão ou causa não possa ser claramente identificada no momento da triagem.
Este discriminador se aplica, por exemplo, quando a lesão:
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Não se enquadra em padrões clássicos de urticária, exantema ou dermatite;
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Possui aspecto misto ou incomum;
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Apareceu subitamente, sem causa aparente, ou em locais não usuais;
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Está associada a alterações sistêmicas (febre, mal-estar, hipotensão).
🧠 Possíveis causas clínicas da erupção cutânea desconhecida
🔴 Doenças infecciosas ou reações medicamentosas graves:
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Síndrome de Stevens-Johnson / Necrólise epidérmica tóxica
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Meningococcemia ou sepse com púrpura fulminante
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Erupção petequial com febre alta
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Reações idiossincráticas a medicamentos (antibióticos, anticonvulsivantes)
🟠 Doenças autoimunes ou inflamatórias:
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Lúpus eritematoso sistêmico
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Vasculites cutâneas (purpúricas, necróticas)
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Doença de Still, dermatomiosite, psoríase atípica
🟡 Outras possibilidades:
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Infecções virais com manifestações dermatológicas atípicas (dengue, zika, mononucleose);
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Picadas de insetos com reações exacerbadas;
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Micoses profundas (em imunossuprimidos);
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Erupções psicogênicas ou por contato com toxinas ambientais.
⚠️ A incerteza diagnóstica na triagem exige observação redobrada para sinais sistêmicos e progressão rápida da lesão cutânea.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
O enfermeiro classificador deve:
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Inspecionar atentamente as lesões:
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Distribuição: localizada, simétrica, difusa?
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Tipo: máculas, pápulas, vesículas, necrose, bolhas, escamas?
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Cor: vermelha, roxa, escura, com áreas de necrose?
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Investigar o contexto clínico:
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“Quando começou a lesão?”
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“Está coçando, doendo, ardendo ou descamando?”
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“Você tomou algum remédio novo recentemente?”
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“Tem febre, calafrios, cansaço ou outros sintomas?”
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“Outras pessoas próximas apresentaram algo parecido?”
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Avaliar os sinais vitais e estado geral do paciente:
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Febre alta, mal-estar, hipotensão, prostração, confusão mental.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Erupção Cutânea Desconhecida” pode ser utilizado nos fluxogramas:
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Infecção sistêmica com sinais cutâneos
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Reação a medicamentos
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Febre de origem indeterminada
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Lesões de pele de aparecimento súbito
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Quadros virais ou exantemáticos atípicos
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Erupção cutânea desconhecida +:
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Febre alta, prostração, hipotensão, confusão;
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Bolhas, necrose, ou descamação extensa;
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Envolvimento de mucosas (oral, genital, ocular);
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Dor intensa associada à lesão;
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Lesões purpúricas com sinais sistêmicos.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Erupção de aspecto incomum +:
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Febre > 38,5 °C sem sinais de instabilidade;
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História de uso recente de medicações de risco (ex: anticonvulsivantes, antibióticos);
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Lesões dolorosas ou rapidamente progressivas;
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Início súbito, mas sem envolvimento de mucosas ou rebaixamento.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Lesões atípicas, mas com:
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Sinais vitais estáveis;
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Sem sintomas sistêmicos;
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Lesões de início progressivo e sem piora aguda;
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Sem uso recente de medicamentos suspeitos.
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🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
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Erupção cutânea de aspecto incomum, mas:
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Sem febre, dor, prurido ou progressão;
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Paciente em bom estado geral;
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Lesão de início há vários dias, sem alterações desde então;
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Queixa única e sem sinais sistêmicos associados.
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📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Homem de 26 anos, iniciou uso de fenitoína há 8 dias e agora apresenta febre de 39,2 °C, lesões cutâneas extensas com bolhas e áreas necróticas em tórax e face. Mucosa oral ulcerada, PA 90/60 mmHg.
➡️ Fluxograma: “Reação medicamentosa”
➡️ Discriminador: “Erupção Cutânea Desconhecida”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato (síndrome de Stevens-Johnson)
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Mulher de 32 anos, refere lesões vermelhas e elevadas com bordas irregulares em membros inferiores, surgidas nas últimas 6 horas. Afebril, mas com dor leve local. Está em uso de amoxicilina há 3 dias.
➡️ Fluxograma: “Erupção de origem indeterminada”
➡️ Discriminador: “Erupção Cutânea Desconhecida”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos (possível reação medicamentosa)
✅ Situação 3 – Classificação Amarela
Paciente pediátrico, 6 anos, com lesões eritematosas mal definidas em dorso e face, sem febre ou dor, mas com histórico de exposição a criança doente na escola. Sinais vitais normais.
➡️ Fluxograma: “Doença exantemática”
➡️ Discriminador: “Erupção Cutânea Desconhecida”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
✅ Situação 4 – Classificação Verde
Adolescente de 14 anos, apresenta pequenas manchas discretas em tórax, sem dor, coceira ou febre. Lesões presentes há 4 dias, sem progressão. Relata uso recente de sabonete novo.
➡️ Fluxograma: “Alteração de pele”
➡️ Discriminador: “Erupção Cutânea Desconhecida”
➡️ Classificação: verde – atendimento em até 120 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar:
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Extensão, padrão e tipo da erupção;
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Envolvimento de mucosas, presença de bolhas, dor ou descamação;
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Verificar sinais sistêmicos:
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Febre, PA, FC, SpO₂, nível de consciência;
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Investigar:
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Uso recente de medicamentos;
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Contato com outras pessoas doentes;
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Exposição a alimentos, produtos ou agentes irritantes;
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Encaminhar com prioridade conforme gravidade;
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Registrar:
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Tempo de evolução;
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Sintomas associados;
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Histórico clínico relevante.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “Erupção Cutânea Desconhecida” é uma ferramenta valiosa para garantir que manifestações dermatológicas incomuns ou atípicas não sejam subestimadas, especialmente quando associadas a condições sistêmicas graves.
O papel do enfermeiro classificador é fundamental para identificar riscos ocultos, assegurar a prioridade correta no atendimento e contribuir para uma triagem mais segura, eficaz e sensível ao quadro clínico do paciente.