50 - Exaustão
Exaustão
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco em insuficiência respiratória terminal
O discriminador “Exaustão” está relacionado a uma condição clínica gravíssima, muitas vezes pré-terminal, caracterizada por um quadro em que o paciente, mesmo em insuficiência respiratória evidente, reduz ou abandona o esforço de ventilação espontânea. Trata-se de um sinal de exaustão muscular respiratória, geralmente precedido por um período de taquipneia ou esforço respiratório intenso.
No Protocolo de Manchester, a Exaustão deve ser imediatamente reconhecida e priorizada, pois indica um paciente à beira da falência respiratória total, exigindo intervenção urgente para suporte de vida.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Exaustão:
Situação em que a pessoa aparenta ter parado de fazer esforço respiratório, mesmo ainda estando em insuficiência respiratória. Trata-se de uma condição pré-terminal, que precede a parada respiratória.
Esse estado pode ocorrer após longos períodos de luta contra a hipóxia e hipercapnia, nos quais o sistema respiratório entra em colapso por fadiga muscular.
🧠 Principais causas clínicas associadas à exaustão respiratória
🔴 Condições agudas graves:
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Crise asmática grave ou asma refratária
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DPOC descompensado com retenção de CO₂
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Insuficiência respiratória aguda por pneumonia extensa
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Edema agudo de pulmão com hipoxemia persistente
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Embolia pulmonar maciça com falência ventilatória
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Sepse grave com disfunção multissistêmica
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COVID-19 grave com exaustão ventilatória
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Traumas torácicos com ventilação comprometida
🟠 Condições neuromusculares ou metabólicas:
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Miastenia grave ou crises de Guillain-Barré
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Hipopotassemia, acidose grave ou hipoglicemia profunda
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Doenças degenerativas (ex: ELA em fase terminal)
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
A exaustão respiratória deve ser reconhecida imediatamente à observação do paciente, antes mesmo de aferir sinais vitais. Os sinais clássicos incluem:
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Redução abrupta do esforço respiratório:
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O paciente não se movimenta mais, mas continua respirando superficialmente;
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Tórax pouco expansível, respiração lenta, irregular ou gasping;
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Ausência de uso de musculatura acessória, mesmo com saturação crítica.
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Alterações do nível de consciência:
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Sonolência profunda ou torpor;
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Incapacidade de falar, responder ou manter-se acordado.
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Sinais vitais e parâmetros críticos:
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SpO₂ < 85%, mesmo com oxigenoterapia;
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Bradipneia ou respiração agônica;
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Hipotensão, bradicardia progressiva ou taquicardia descompensada;
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Cianose central (lábios, língua) evidente.
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⚠️ Essa situação exige intervenção médica imediata, com possível entubação orotraqueal, ventilação mecânica e suporte avançado de vida.
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Exaustão” pode ser utilizado nos fluxogramas:
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Dificuldade respiratória / crise asmática
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DPOC agudizado / insuficiência respiratória crônica
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Pneumonia com desconforto respiratório
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Sepse grave com sinais de hipoperfusão
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COVID-19 / insuficiência hipoxêmica refratária
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Politraumatizado com deterioração respiratória
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Todo paciente com:
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Respiração superficial ou gasping;
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Ausência de esforço respiratório visível, mesmo com hipoxemia;
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Redução do nível de consciência;
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Cianose central, palidez, sudorese fria;
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SpO₂ < 85% com oxigênio suplementar;
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Sinais de falência respiratória aguda iminente.
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❗ Este paciente não pode aguardar: precisa ser levado imediatamente para sala de emergência ou leito de reanimação, com equipe médica e recursos avançados prontos.
📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Homem de 65 anos, portador de DPOC grave, chega trazido por familiares. Está com SpO₂ 78% com máscara de O₂ a 10 L/min. Não responde aos chamados, respira superficialmente, sem uso visível de musculatura acessória. PA 85/50 mmHg, FC 128 bpm.
➡️ Fluxograma: “Insuficiência respiratória aguda”
➡️ Discriminador: “Exaustão”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato (pré-parada respiratória)
✅ Situação 2 – Classificação Vermelha
Criança de 3 anos, com história de asma, em crise há 2h. Chega ao serviço com respiração muito fraca, sem ruídos respiratórios audíveis. Olhos semicerrados, sem resposta verbal. SpO₂ 82%, FC 140 bpm.
➡️ Fluxograma: “Crise asmática grave”
➡️ Discriminador: “Exaustão”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato (colapso respiratório iminente)
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Reconhecer o padrão respiratório reduzido ou ausente;
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Avaliar:
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Frequência e profundidade da respiração;
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Saturação de oxigênio (mesmo com O₂ suplementar);
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Estado de consciência e resposta verbal;
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Ação imediata:
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Acionar a equipe médica de emergência sem demora;
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Encaminhar diretamente à sala de emergência ou leito crítico;
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Manter paciente em decúbito elevado, monitorizar oximetria e PA;
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Preparar oxigênio de alto fluxo, aspirador e materiais de via aérea;
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Não deixar o paciente desacompanhado em nenhum momento.
✅ O que aprendemos
O discriminador “Exaustão” representa uma das situações mais críticas da triagem de urgência, pois sinaliza que o paciente está à beira de uma parada respiratória e circulatória.
O reconhecimento imediato dessa condição pelo enfermeiro classificador é vital para a sobrevivência do paciente, sendo o ponto de partida para o acionamento do protocolo de emergência e suporte avançado de vida.