Exaustão

Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco em insuficiência respiratória terminal

O discriminador “Exaustão” está relacionado a uma condição clínica gravíssima, muitas vezes pré-terminal, caracterizada por um quadro em que o paciente, mesmo em insuficiência respiratória evidente, reduz ou abandona o esforço de ventilação espontânea. Trata-se de um sinal de exaustão muscular respiratória, geralmente precedido por um período de taquipneia ou esforço respiratório intenso.

No Protocolo de Manchester, a Exaustão deve ser imediatamente reconhecida e priorizada, pois indica um paciente à beira da falência respiratória total, exigindo intervenção urgente para suporte de vida.


📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester

Exaustão:
Situação em que a pessoa aparenta ter parado de fazer esforço respiratório, mesmo ainda estando em insuficiência respiratória. Trata-se de uma condição pré-terminal, que precede a parada respiratória.

Esse estado pode ocorrer após longos períodos de luta contra a hipóxia e hipercapnia, nos quais o sistema respiratório entra em colapso por fadiga muscular.


🧠 Principais causas clínicas associadas à exaustão respiratória

🔴 Condições agudas graves:

  • Crise asmática grave ou asma refratária

  • DPOC descompensado com retenção de CO₂

  • Insuficiência respiratória aguda por pneumonia extensa

  • Edema agudo de pulmão com hipoxemia persistente

  • Embolia pulmonar maciça com falência ventilatória

  • Sepse grave com disfunção multissistêmica

  • COVID-19 grave com exaustão ventilatória

  • Traumas torácicos com ventilação comprometida

🟠 Condições neuromusculares ou metabólicas:

  • Miastenia grave ou crises de Guillain-Barré

  • Hipopotassemia, acidose grave ou hipoglicemia profunda

  • Doenças degenerativas (ex: ELA em fase terminal)


🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?

A exaustão respiratória deve ser reconhecida imediatamente à observação do paciente, antes mesmo de aferir sinais vitais. Os sinais clássicos incluem:

  1. Redução abrupta do esforço respiratório:

    • O paciente não se movimenta mais, mas continua respirando superficialmente;

    • Tórax pouco expansível, respiração lenta, irregular ou gasping;

    • Ausência de uso de musculatura acessória, mesmo com saturação crítica.

  2. Alterações do nível de consciência:

    • Sonolência profunda ou torpor;

    • Incapacidade de falar, responder ou manter-se acordado.

  3. Sinais vitais e parâmetros críticos:

    • SpO₂ < 85%, mesmo com oxigenoterapia;

    • Bradipneia ou respiração agônica;

    • Hipotensão, bradicardia progressiva ou taquicardia descompensada;

    • Cianose central (lábios, língua) evidente.

⚠️ Essa situação exige intervenção médica imediata, com possível entubação orotraqueal, ventilação mecânica e suporte avançado de vida.


🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester

O discriminador “Exaustão” pode ser utilizado nos fluxogramas:

  • Dificuldade respiratória / crise asmática

  • DPOC agudizado / insuficiência respiratória crônica

  • Pneumonia com desconforto respiratório

  • Sepse grave com sinais de hipoperfusão

  • COVID-19 / insuficiência hipoxêmica refratária

  • Politraumatizado com deterioração respiratória


🎯 Classificação de risco por cores

🔴 Vermelho – Atendimento imediato

  • Todo paciente com:

    • Respiração superficial ou gasping;

    • Ausência de esforço respiratório visível, mesmo com hipoxemia;

    • Redução do nível de consciência;

    • Cianose central, palidez, sudorese fria;

    • SpO₂ < 85% com oxigênio suplementar;

    • Sinais de falência respiratória aguda iminente.

❗ Este paciente não pode aguardar: precisa ser levado imediatamente para sala de emergência ou leito de reanimação, com equipe médica e recursos avançados prontos.


📋 Exemplos clínicos aplicados

Situação 1 – Classificação Vermelha

Homem de 65 anos, portador de DPOC grave, chega trazido por familiares. Está com SpO₂ 78% com máscara de O₂ a 10 L/min. Não responde aos chamados, respira superficialmente, sem uso visível de musculatura acessória. PA 85/50 mmHg, FC 128 bpm.

➡️ Fluxograma: “Insuficiência respiratória aguda”
➡️ Discriminador: “Exaustão”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato (pré-parada respiratória)


Situação 2 – Classificação Vermelha

Criança de 3 anos, com história de asma, em crise há 2h. Chega ao serviço com respiração muito fraca, sem ruídos respiratórios audíveis. Olhos semicerrados, sem resposta verbal. SpO₂ 82%, FC 140 bpm.

➡️ Fluxograma: “Crise asmática grave”
➡️ Discriminador: “Exaustão”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato (colapso respiratório iminente)


👩‍⚕️ Conduta da enfermagem na triagem

  • Reconhecer o padrão respiratório reduzido ou ausente;

  • Avaliar:

    • Frequência e profundidade da respiração;

    • Saturação de oxigênio (mesmo com O₂ suplementar);

    • Estado de consciência e resposta verbal;

  • Ação imediata:

    • Acionar a equipe médica de emergência sem demora;

    • Encaminhar diretamente à sala de emergência ou leito crítico;

    • Manter paciente em decúbito elevado, monitorizar oximetria e PA;

    • Preparar oxigênio de alto fluxo, aspirador e materiais de via aérea;

  • Não deixar o paciente desacompanhado em nenhum momento.


✅ O que aprendemos

O discriminador “Exaustão” representa uma das situações mais críticas da triagem de urgência, pois sinaliza que o paciente está à beira de uma parada respiratória e circulatória.

O reconhecimento imediato dessa condição pelo enfermeiro classificador é vital para a sobrevivência do paciente, sendo o ponto de partida para o acionamento do protocolo de emergência e suporte avançado de vida.


Última atualização: quinta-feira, 3 abr. 2025, 20:29