Extração Dentária Recente

Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco após procedimentos odontológicos

O discriminador “Extração Dentária Recente” refere-se a situações em que o paciente procura atendimento de urgência após ter realizado a remoção de um dente de forma íntegra e sem complicações, nas últimas 24 horas. Embora geralmente benigno, esse quadro pode envolver sintomas pós-operatórios desconfortáveis, como dor, edema, sangramento leve ou sensação de corpo estranho no local da extração.

No Protocolo de Manchester, esse discriminador é importante para diferenciar casos de evolução normal do pós-operatório odontológico de complicações verdadeiras, como sangramentos persistentes, alveolite seca, infecção, dor severa ou sinais sistêmicos.


📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester

Extração Dentária Recente:
Situação em que o paciente relata que teve um dente extraído de forma íntegra nas últimas 24 horas.

Esse discriminador não se aplica a extrações incompletas, fraturas radiculares, sangramentos abundantes ou infecções secundárias, que devem ser avaliados por outros critérios de urgência (como dor severa, sangramento ativo, febre, etc.).


🧠 Sintomas comuns após uma extração dentária normal

É esperado que o paciente apresente nas primeiras 24 horas:

  • Dor leve a moderada no local da extração (gerenciável com analgésicos);

  • Sangramento discreto intermitente, especialmente ao cuspir;

  • Edema leve ao redor da área da cirurgia;

  • Trismo leve (dificuldade para abrir a boca);

  • Formação de coágulo visível no alvéolo dentário (sinal positivo).

⚠️ O profissional de triagem deve estar atento aos sinais de complicações odontológicas precoces, especialmente:

  • Dor intensa e crescente (alveolite);

  • Sangramento ativo persistente (> 2 horas);

  • Sinais de infecção (febre, pus, mau hálito);

  • Inchaço progressivo com sinais sistêmicos.


🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?

Durante a triagem, o enfermeiro deve:

  1. Confirmar o procedimento odontológico recente:

    • “Qual dente foi extraído?”

    • “Quando foi feita a extração?”

    • “Foi feito por dentista? Recebeu alguma orientação?”

  2. Investigar sinais de complicação:

    • “Está com dor forte ou que piorou nas últimas horas?”

    • “Está com sangramento ativo ou com mau cheiro na boca?”

    • “Está conseguindo se alimentar ou falar normalmente?”

    • “Percebeu febre ou inchaço aumentado?”

  3. Avaliar sintomas associados:

    • Presença de febre (> 38 °C);

    • Dor intensa (EVA ≥ 8);

    • Edema facial;

    • Sangramento visível ativo;

    • Dificuldade respiratória (em casos muito raros, como abscessos profundos).


🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester

O discriminador “Extração Dentária Recente” pode ser utilizado nos fluxogramas:

  • Dor bucal ou dentária

  • Ferida cirúrgica recente (região oral)

  • Infecção localizada ou pós-operatória

  • Hemorragia bucal leve

  • Odontologia de urgência (serviços com apoio odontológico)


🎯 Classificação de risco por cores

🔴 Vermelho – Atendimento imediato

Não se aplica apenas pela extração em si, mas sim quando associada a complicações graves, como:

  • Sinais de choque ou sangramento incontrolável;

  • Comprometimento de via aérea por edema intenso;

  • Infecção extensa com febre alta e alteração do nível de consciência.

🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos

  • Dor muito intensa no local da extração, sem resposta a analgésicos;

  • Sangramento ativo contínuo, mesmo após 2 horas de compressão local;

  • Início de inchaço facial com sinais sistêmicos (febre, mal-estar);

  • Trismo severo com limitação funcional aguda.

🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos

  • Dor moderada, com início dentro do esperado, mas com preocupação do paciente;

  • Pequena quantidade de sangramento intermitente;

  • Leve edema local sem sinais infecciosos sistêmicos;

  • Queixa de incômodo persistente, mesmo sem sinais objetivos de complicação.

🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos

  • Pós-operatório dentro da normalidade:

    • Dor leve controlada com analgésico comum;

    • Sangramento discreto e transitório;

    • Sem edema acentuado;

    • Coágulo presente no alvéolo;

    • Paciente tranquilo, sem outros sintomas.


📋 Exemplos clínicos aplicados

Situação 1 – Classificação Verde

Homem de 25 anos, comparece 12h após extração de terceiro molar inferior. Refere leve desconforto, sem febre ou sangramento. Coágulo visível no alvéolo. Dor controlada com dipirona.

➡️ Fluxograma: “Pós-operatório odontológico”
➡️ Discriminador: “Extração Dentária Recente”
➡️ Classificação: verde – atendimento em até 120 minutos


Situação 2 – Classificação Amarela

Mulher de 42 anos, relata extração de pré-molar há 20 horas. Refere sangramento leve intermitente e dor moderada. Sem febre ou edema. Ansiosa com o sangramento.

➡️ Fluxograma: “Ferida oral com sangramento”
➡️ Discriminador: “Extração Dentária Recente”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos


Situação 3 – Classificação Laranja

Adolescente de 17 anos, extração de molar há 18 horas. Relata dor intensa, insuportável, que não melhora com medicação. Não há sangramento, mas refere gosto ruim na boca e mau hálito. PA e FC normais.

➡️ Fluxograma: “Dor odontológica intensa”
➡️ Discriminador: “Extração Dentária Recente”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos (suspeita de alveolite seca)


👩‍⚕️ Conduta da enfermagem na triagem

  • Avaliar:

    • Tempo desde a extração;

    • Presença de dor, sangramento e edema;

    • Uso de medicamentos e orientações recebidas;

  • Observar sinais vitais e estado geral do paciente;

  • Orientar sobre compressão local (se sangramento leve);

  • Encaminhar com prioridade conforme o quadro clínico;

  • Registrar:

    • Dente removido;

    • Tempo da extração;

    • Sinais de complicações ou evolução normal;

    • Intervenções realizadas ou em curso.


✅ Conclusão

O discriminador “Extração Dentária Recente” ajuda a identificar pacientes em pós-operatório odontológico precoce, e permite diferenciar evoluções normais de complicações reais, como sangramentos persistentes ou infecções locais.

A triagem adequada evita atrasos no tratamento de condições odontológicas potencialmente graves, e também proporciona acolhimento seguro ao paciente ansioso no pós-operatório.


Última atualização: quinta-feira, 3 abr. 2025, 20:41