52 - Extração Dentária Recente
Extração Dentária Recente
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco após procedimentos odontológicos
O discriminador “Extração Dentária Recente” refere-se a situações em que o paciente procura atendimento de urgência após ter realizado a remoção de um dente de forma íntegra e sem complicações, nas últimas 24 horas. Embora geralmente benigno, esse quadro pode envolver sintomas pós-operatórios desconfortáveis, como dor, edema, sangramento leve ou sensação de corpo estranho no local da extração.
No Protocolo de Manchester, esse discriminador é importante para diferenciar casos de evolução normal do pós-operatório odontológico de complicações verdadeiras, como sangramentos persistentes, alveolite seca, infecção, dor severa ou sinais sistêmicos.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Extração Dentária Recente:
Situação em que o paciente relata que teve um dente extraído de forma íntegra nas últimas 24 horas.
Esse discriminador não se aplica a extrações incompletas, fraturas radiculares, sangramentos abundantes ou infecções secundárias, que devem ser avaliados por outros critérios de urgência (como dor severa, sangramento ativo, febre, etc.).
🧠 Sintomas comuns após uma extração dentária normal
É esperado que o paciente apresente nas primeiras 24 horas:
-
Dor leve a moderada no local da extração (gerenciável com analgésicos);
-
Sangramento discreto intermitente, especialmente ao cuspir;
-
Edema leve ao redor da área da cirurgia;
-
Trismo leve (dificuldade para abrir a boca);
-
Formação de coágulo visível no alvéolo dentário (sinal positivo).
⚠️ O profissional de triagem deve estar atento aos sinais de complicações odontológicas precoces, especialmente:
Dor intensa e crescente (alveolite);
Sangramento ativo persistente (> 2 horas);
Sinais de infecção (febre, pus, mau hálito);
Inchaço progressivo com sinais sistêmicos.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
-
Confirmar o procedimento odontológico recente:
-
“Qual dente foi extraído?”
-
“Quando foi feita a extração?”
-
“Foi feito por dentista? Recebeu alguma orientação?”
-
-
Investigar sinais de complicação:
-
“Está com dor forte ou que piorou nas últimas horas?”
-
“Está com sangramento ativo ou com mau cheiro na boca?”
-
“Está conseguindo se alimentar ou falar normalmente?”
-
“Percebeu febre ou inchaço aumentado?”
-
-
Avaliar sintomas associados:
-
Presença de febre (> 38 °C);
-
Dor intensa (EVA ≥ 8);
-
Edema facial;
-
Sangramento visível ativo;
-
Dificuldade respiratória (em casos muito raros, como abscessos profundos).
-
🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Extração Dentária Recente” pode ser utilizado nos fluxogramas:
-
Dor bucal ou dentária
-
Ferida cirúrgica recente (região oral)
-
Infecção localizada ou pós-operatória
-
Hemorragia bucal leve
-
Odontologia de urgência (serviços com apoio odontológico)
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
Não se aplica apenas pela extração em si, mas sim quando associada a complicações graves, como:
-
Sinais de choque ou sangramento incontrolável;
-
Comprometimento de via aérea por edema intenso;
-
Infecção extensa com febre alta e alteração do nível de consciência.
🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
-
Dor muito intensa no local da extração, sem resposta a analgésicos;
-
Sangramento ativo contínuo, mesmo após 2 horas de compressão local;
-
Início de inchaço facial com sinais sistêmicos (febre, mal-estar);
-
Trismo severo com limitação funcional aguda.
🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
-
Dor moderada, com início dentro do esperado, mas com preocupação do paciente;
-
Pequena quantidade de sangramento intermitente;
-
Leve edema local sem sinais infecciosos sistêmicos;
-
Queixa de incômodo persistente, mesmo sem sinais objetivos de complicação.
🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
-
Pós-operatório dentro da normalidade:
-
Dor leve controlada com analgésico comum;
-
Sangramento discreto e transitório;
-
Sem edema acentuado;
-
Coágulo presente no alvéolo;
-
Paciente tranquilo, sem outros sintomas.
-
📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Verde
Homem de 25 anos, comparece 12h após extração de terceiro molar inferior. Refere leve desconforto, sem febre ou sangramento. Coágulo visível no alvéolo. Dor controlada com dipirona.
➡️ Fluxograma: “Pós-operatório odontológico”
➡️ Discriminador: “Extração Dentária Recente”
➡️ Classificação: verde – atendimento em até 120 minutos
✅ Situação 2 – Classificação Amarela
Mulher de 42 anos, relata extração de pré-molar há 20 horas. Refere sangramento leve intermitente e dor moderada. Sem febre ou edema. Ansiosa com o sangramento.
➡️ Fluxograma: “Ferida oral com sangramento”
➡️ Discriminador: “Extração Dentária Recente”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Laranja
Adolescente de 17 anos, extração de molar há 18 horas. Relata dor intensa, insuportável, que não melhora com medicação. Não há sangramento, mas refere gosto ruim na boca e mau hálito. PA e FC normais.
➡️ Fluxograma: “Dor odontológica intensa”
➡️ Discriminador: “Extração Dentária Recente”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos (suspeita de alveolite seca)
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
-
Avaliar:
-
Tempo desde a extração;
-
Presença de dor, sangramento e edema;
-
Uso de medicamentos e orientações recebidas;
-
-
Observar sinais vitais e estado geral do paciente;
-
Orientar sobre compressão local (se sangramento leve);
-
Encaminhar com prioridade conforme o quadro clínico;
-
Registrar:
-
Dente removido;
-
Tempo da extração;
-
Sinais de complicações ou evolução normal;
-
Intervenções realizadas ou em curso.
-
✅ Conclusão
O discriminador “Extração Dentária Recente” ajuda a identificar pacientes em pós-operatório odontológico precoce, e permite diferenciar evoluções normais de complicações reais, como sangramentos persistentes ou infecções locais.
A triagem adequada evita atrasos no tratamento de condições odontológicas potencialmente graves, e também proporciona acolhimento seguro ao paciente ansioso no pós-operatório.