54 - Febrícula
Febrícula
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco em infecções e inflamações iniciais
A febrícula é definida como a elevação da temperatura corporal entre 37,5 °C e 37,9 °C, medida por via axilar, oral ou timpânica. No Protocolo de Manchester, o discriminador “Febrícula” é utilizado para identificar pacientes que, embora não apresentem febre alta, podem estar no início de um processo infeccioso, inflamatório ou reacional, e por isso devem ser acompanhados com atenção.
Esse discriminador permite ao enfermeiro da triagem diferenciar entre quadros clínicos leves e aqueles que requerem monitoramento precoce, evitando a subvalorização de infecções incipientes ou doenças com manifestações sistêmicas discretas.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Febrícula:
Temperatura corporal igual ou superior a 37,5 °C, mas inferior a 38,0 °C, aferida de forma confiável. Deve ser avaliada em conjunto com outros sinais e sintomas, como calafrios, prostração, dor, tosse ou queixas urinárias.
Esse discriminador não classifica gravidade por si só, mas ganha importância quando associado a outros achados clínicos, como:
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Estado geral comprometido;
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Dor localizada;
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Sinais de infecção em vias respiratórias, urinárias ou pele;
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Presença em grupos de risco (lactentes, idosos, imunossuprimidos, gestantes).
🧠 Causas clínicas comuns de febrícula
🟠 Infecções em fase inicial ou de baixa intensidade:
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Infecção de vias aéreas superiores (resfriado comum, rinofaringite);
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Infecção urinária baixa (cistite);
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Sinusites agudas leves;
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Infecções de pele leves (impetigo, foliculite);
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Viroses pediátricas;
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Dengue e arboviroses na fase inicial.
🟡 Condições inflamatórias ou reacionais:
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Pós-operatório recente (1º a 3º dia);
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Pós-vacinação;
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Doenças autoimunes leves (lúpus, artrite reumatoide);
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Estresse físico prolongado (ex: exaustão térmica leve);
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Causas hormonais (fase lútea do ciclo menstrual).
🟢 Casos transitórios ou sem impacto clínico significativo:
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Ambiente quente e abafado;
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Agitação ou exercício físico recente;
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Hidratação inadequada;
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Medida incorreta (termômetro mal posicionado ou tempo insuficiente).
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Confirmar a temperatura medida:
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Foi feita por via axilar, oral ou timpânica?
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O paciente estava em repouso?
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Houve uso de antitérmico nas últimas horas?
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Avaliar sintomas associados:
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Tosse, coriza, dor ao urinar, dor abdominal ou de garganta;
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Prostração, mal-estar, mialgia, cefaleia;
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Presença de feridas, secreções ou sinais de inflamação local.
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Verificar sinais vitais e o estado geral:
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Frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória;
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Estado de hidratação;
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Nível de consciência;
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Grupos de risco (idosos, crianças, gestantes, imunossuprimidos).
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Febrícula” pode ser utilizado nos fluxogramas:
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Febre em adulto ou criança
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Sintomas gripais / viroses respiratórias
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Infecção urinária
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Quadros virais com sintomas gastrointestinais
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Infecção de pele / feridas
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Reações pós-vacinação ou pós-cirúrgicas leves
🎯 Classificação de risco por cores
🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
Raramente atribuída apenas por febrícula, exceto se associada a sinais de gravidade:
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Imunossuprimido com febrícula + tosse ou lesões de pele;
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Lactente < 3 meses com febrícula persistente;
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Febrícula + prostração intensa ou sinais de desidratação;
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Idoso com doenças crônicas descompensadas e febrícula.
🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Febrícula com:
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Dor localizada (ex: garganta, ouvido, lombar);
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Disúria ou urgência miccional (sugestivo de cistite);
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Tosse produtiva com leve desconforto torácico;
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Início de quadro viral com sintomas sistêmicos.
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🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
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Febrícula isolada, sem sintomas associados significativos;
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Paciente com bom estado geral;
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Ausência de fatores de risco ou sinais de complicação;
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Situações conhecidas e autolimitadas (pós-vacina, início de virose leve).
📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Verde
Mulher de 27 anos, com temperatura de 37,7 °C, leve dor de garganta, sem tosse, sem outros sintomas. Estado geral bom, sinais vitais normais.
➡️ Fluxograma: “Quadro viral leve”
➡️ Discriminador: “Febrícula”
➡️ Classificação: verde – atendimento em até 120 minutos
✅ Situação 2 – Classificação Amarela
Homem de 50 anos, com febrícula (37,6 °C), disúria e urgência urinária. Sem febre alta ou prostração. Sinais vitais normais. Sem comorbidades relevantes.
➡️ Fluxograma: “Infecção urinária”
➡️ Discriminador: “Febrícula”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Laranja
Criança de 2 meses, com febrícula persistente (37,8 °C), hipoatividade e recusa alimentar há 4 horas. Sinais vitais limítrofes.
➡️ Fluxograma: “Febre em lactente < 3 meses”
➡️ Discriminador: “Febrícula”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Confirmar método e confiabilidade da medição da temperatura;
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Avaliar sintomas associados e sinais vitais;
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Identificar grupo de risco;
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Investigar uso de antitérmicos;
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Registrar:
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Temperatura, horário da aferição e sintomas;
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Presença ou ausência de sinais de alerta;
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Intercorrências recentes (cirurgias, vacinas, infecções).
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✅ O que aprendemos
O discriminador “Febrícula” permite ao enfermeiro classificador identificar processos infecciosos ou inflamatórios incipientes, especialmente em pacientes pediátricos, imunossuprimidos e idosos. Embora geralmente associado a quadros leves, pode ser o primeiro sinal de uma condição mais grave, dependendo do contexto clínico.
A correta aplicação desse discriminador contribui para uma triagem segura, criteriosa e humanizada, respeitando o tempo clínico e o potencial de evolução do paciente.