59 - Frequência de Pulso
Frequência de Pulso
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco em alterações cardíacas
A frequência de pulso refere-se ao número de batimentos cardíacos percebidos por minuto, transmitidos mecanicamente pelas artérias para a superfície da pele. Sua verificação é um dos parâmetros vitais fundamentais na triagem e avaliação clínica, pois fornece informações imediatas sobre a função cardiovascular e perfusional do paciente.
No Protocolo de Manchester, o discriminador “Frequência de Pulso” é utilizado para identificar alterações importantes no ritmo cardíaco, como taquicardias ou bradicardias, e classificar o risco com base em valores fora dos parâmetros normais de acordo com a faixa etária e o quadro clínico associado.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Frequência de Pulso:
Número de batimentos cardíacos que se propagam pelas artérias por minuto e que podem ser percebidos em pontos específicos da superfície corporal (ex: pulso radial, carótida, femoral).
Deve ser registrada de forma rítmica, regular ou irregular, e avaliada em conjunto com a condição clínica geral do paciente.
📊 Valores normais de frequência de pulso por faixa etária
| Faixa etária | Pulso normal (em repouso) |
|---|---|
| Recém-nascido (0–1 mês) | 100–180 bpm |
| Lactente (1 mês a 1 ano) | 100–160 bpm |
| Criança pequena (1–3 anos) | 90–150 bpm |
| Pré-escolar (4–5 anos) | 80–140 bpm |
| Escolar (6–12 anos) | 70–120 bpm |
| Adolescente (13+ anos) | 60–100 bpm |
| Adulto e idoso | 60–100 bpm |
⚠️ Valores acima ou abaixo desses limites podem indicar risco, especialmente se associados a outros sintomas como dor torácica, hipotensão, dispneia, palidez ou rebaixamento do nível de consciência.
🧠 Alterações clínicas associadas à frequência de pulso
🔴 Taquicardia (> 100 bpm em adultos):
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Choque hipovolêmico, desidratação grave;
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Febre, infecção, sepse;
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Insuficiência cardíaca, infarto agudo do miocárdio;
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Ansiedade, dor intensa, hipoxemia;
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Hipertireoidismo, anemia grave;
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Uso de drogas estimulantes (cafeína, cocaína, broncodilatadores).
🔴 Bradicardia (< 50 bpm em adultos):
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Infarto do miocárdio inferior ou bloqueios cardíacos;
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Hipotermia, hipoglicemia grave, acidose;
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Uso de betabloqueadores ou bloqueadores de canal de cálcio;
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Atletas de alto rendimento (em repouso);
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Hipertensão intracraniana ou lesões do tronco cerebral.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Aferir o pulso corretamente:
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Localizar artéria (radial, braquial, femoral, carótida);
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Contar batimentos por 30 segundos e multiplicar por 2 (ou por 60 segundos, se irregular);
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Observar ritmo (regular ou irregular), amplitude e força.
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Correlacionar com o quadro clínico:
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Está em dor? Com febre? Em crise de ansiedade ou dispneia?
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Está com pressão baixa ou tontura?
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História de doenças cardíacas ou uso de medicamentos?
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Verificar outros sinais vitais e sintomas associados:
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PA, FR, SpO₂, temperatura, nível de consciência;
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Palidez, cianose, sudorese, sinais de hipoperfusão.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Frequência de Pulso” pode ser utilizado nos fluxogramas:
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Dor torácica / dispneia súbita
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Desidratação / choque / sepse
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Distúrbios neurológicos ou perda de consciência
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Intoxicação por medicamentos ou drogas
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Criança febril ou hipoativa
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Hipotensão / síncope
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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FC > 140 bpm ou < 40 bpm (em adultos) com:
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Sinais de choque (hipotensão, confusão, sudorese);
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Dispneia, dor torácica, rebaixamento de consciência;
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Sangramento ativo ou desidratação grave;
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Hipoxemia ou saturação < 90%.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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FC entre 120–140 bpm ou < 50 bpm, com:
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Tontura, palidez, prostração;
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Temperatura elevada ou sepse suspeita;
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Dor torácica com sinais leves de instabilidade;
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Criança febril com FC persistentemente elevada.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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FC levemente alterada (ex: 100–120 bpm), com:
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Dor leve, febre moderada, ansiedade;
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Sinais vitais estáveis;
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Condição autolimitada ou compensada.
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🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
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Frequência de pulso dentro dos limites normais para a idade;
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Sem sintomas associados;
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Quadro clínico leve ou sem sinais de gravidade;
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Paciente calmo, hidratado, consciente e orientado.
📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Homem de 65 anos, com dor torácica intensa, palidez, sudorese e FC de 38 bpm. PA 88/60 mmHg, SpO₂ 89%. História de IAM anterior.
➡️ Fluxograma: “Dor torácica com bradicardia crítica”
➡️ Discriminador: “Frequência de Pulso”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Mulher de 35 anos, com febre de 39,5 °C, taquicardia (FC 128 bpm), dor lombar e urina escura. PA 100/70 mmHg.
➡️ Fluxograma: “Infecção urinária com sinais sistêmicos”
➡️ Discriminador: “Frequência de Pulso”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Amarela
Adolescente de 17 anos, ansiosa antes de prova, refere palpitação. FC 110 bpm, PA 120/80 mmHg. Sem dor, sem outros sintomas.
➡️ Fluxograma: “Taquicardia leve por ansiedade”
➡️ Discriminador: “Frequência de Pulso”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
✅ Situação 4 – Classificação Verde
Paciente de 28 anos, sem queixas agudas. Frequência cardíaca de 78 bpm, sinais vitais normais. Queixa administrativa.
➡️ Fluxograma: “Avaliação clínica geral”
➡️ Discriminador: “Frequência de Pulso” (normal)
➡️ Classificação: verde – atendimento em até 120 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Aferir FC com técnica adequada e em repouso;
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Registrar:
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Valor numérico, ritmo (regular/irregular), amplitude;
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Sinais clínicos associados;
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Queixa principal e histórico relevante;
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Monitorar FC em casos instáveis;
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Encaminhar com prioridade conforme classificação;
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Reavaliar após qualquer intercorrência ou mudança clínica.
✅ Conclusão
O discriminador “Frequência de Pulso” é um pilar essencial na triagem, pois permite detecção precoce de condições críticas, como choque, sepse, arritmias, dor torácica aguda e descompensações clínicas.
Sua correta aferição e interpretação por parte do enfermeiro classificador é fundamental para garantir uma triagem precisa, segura e humanizada.