Frequência de Pulso

Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco em alterações cardíacas

A frequência de pulso refere-se ao número de batimentos cardíacos percebidos por minuto, transmitidos mecanicamente pelas artérias para a superfície da pele. Sua verificação é um dos parâmetros vitais fundamentais na triagem e avaliação clínica, pois fornece informações imediatas sobre a função cardiovascular e perfusional do paciente.

No Protocolo de Manchester, o discriminador “Frequência de Pulso” é utilizado para identificar alterações importantes no ritmo cardíaco, como taquicardias ou bradicardias, e classificar o risco com base em valores fora dos parâmetros normais de acordo com a faixa etária e o quadro clínico associado.


📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester

Frequência de Pulso:
Número de batimentos cardíacos que se propagam pelas artérias por minuto e que podem ser percebidos em pontos específicos da superfície corporal (ex: pulso radial, carótida, femoral).
Deve ser registrada de forma rítmica, regular ou irregular, e avaliada em conjunto com a condição clínica geral do paciente.


📊 Valores normais de frequência de pulso por faixa etária

Faixa etáriaPulso normal (em repouso)
Recém-nascido (0–1 mês)100–180 bpm
Lactente (1 mês a 1 ano)100–160 bpm
Criança pequena (1–3 anos)90–150 bpm
Pré-escolar (4–5 anos)80–140 bpm
Escolar (6–12 anos)70–120 bpm
Adolescente (13+ anos)60–100 bpm
Adulto e idoso60–100 bpm

⚠️ Valores acima ou abaixo desses limites podem indicar risco, especialmente se associados a outros sintomas como dor torácica, hipotensão, dispneia, palidez ou rebaixamento do nível de consciência.


🧠 Alterações clínicas associadas à frequência de pulso

🔴 Taquicardia (> 100 bpm em adultos):

  • Choque hipovolêmico, desidratação grave;

  • Febre, infecção, sepse;

  • Insuficiência cardíaca, infarto agudo do miocárdio;

  • Ansiedade, dor intensa, hipoxemia;

  • Hipertireoidismo, anemia grave;

  • Uso de drogas estimulantes (cafeína, cocaína, broncodilatadores).

🔴 Bradicardia (< 50 bpm em adultos):

  • Infarto do miocárdio inferior ou bloqueios cardíacos;

  • Hipotermia, hipoglicemia grave, acidose;

  • Uso de betabloqueadores ou bloqueadores de canal de cálcio;

  • Atletas de alto rendimento (em repouso);

  • Hipertensão intracraniana ou lesões do tronco cerebral.


🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?

Durante a triagem, o enfermeiro deve:

  1. Aferir o pulso corretamente:

    • Localizar artéria (radial, braquial, femoral, carótida);

    • Contar batimentos por 30 segundos e multiplicar por 2 (ou por 60 segundos, se irregular);

    • Observar ritmo (regular ou irregular), amplitude e força.

  2. Correlacionar com o quadro clínico:

    • Está em dor? Com febre? Em crise de ansiedade ou dispneia?

    • Está com pressão baixa ou tontura?

    • História de doenças cardíacas ou uso de medicamentos?

  3. Verificar outros sinais vitais e sintomas associados:

    • PA, FR, SpO₂, temperatura, nível de consciência;

    • Palidez, cianose, sudorese, sinais de hipoperfusão.


🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester

O discriminador “Frequência de Pulso” pode ser utilizado nos fluxogramas:

  • Dor torácica / dispneia súbita

  • Desidratação / choque / sepse

  • Distúrbios neurológicos ou perda de consciência

  • Intoxicação por medicamentos ou drogas

  • Criança febril ou hipoativa

  • Hipotensão / síncope


🎯 Classificação de risco por cores

🔴 Vermelho – Atendimento imediato

  • FC > 140 bpm ou < 40 bpm (em adultos) com:

    • Sinais de choque (hipotensão, confusão, sudorese);

    • Dispneia, dor torácica, rebaixamento de consciência;

    • Sangramento ativo ou desidratação grave;

    • Hipoxemia ou saturação < 90%.

🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos

  • FC entre 120–140 bpm ou < 50 bpm, com:

    • Tontura, palidez, prostração;

    • Temperatura elevada ou sepse suspeita;

    • Dor torácica com sinais leves de instabilidade;

    • Criança febril com FC persistentemente elevada.

🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos

  • FC levemente alterada (ex: 100–120 bpm), com:

    • Dor leve, febre moderada, ansiedade;

    • Sinais vitais estáveis;

    • Condição autolimitada ou compensada.

🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos

  • Frequência de pulso dentro dos limites normais para a idade;

  • Sem sintomas associados;

  • Quadro clínico leve ou sem sinais de gravidade;

  • Paciente calmo, hidratado, consciente e orientado.


📋 Exemplos clínicos aplicados

Situação 1 – Classificação Vermelha

Homem de 65 anos, com dor torácica intensa, palidez, sudorese e FC de 38 bpm. PA 88/60 mmHg, SpO₂ 89%. História de IAM anterior.

➡️ Fluxograma: “Dor torácica com bradicardia crítica”
➡️ Discriminador: “Frequência de Pulso”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato


Situação 2 – Classificação Laranja

Mulher de 35 anos, com febre de 39,5 °C, taquicardia (FC 128 bpm), dor lombar e urina escura. PA 100/70 mmHg.

➡️ Fluxograma: “Infecção urinária com sinais sistêmicos”
➡️ Discriminador: “Frequência de Pulso”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos


Situação 3 – Classificação Amarela

Adolescente de 17 anos, ansiosa antes de prova, refere palpitação. FC 110 bpm, PA 120/80 mmHg. Sem dor, sem outros sintomas.

➡️ Fluxograma: “Taquicardia leve por ansiedade”
➡️ Discriminador: “Frequência de Pulso”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos


Situação 4 – Classificação Verde

Paciente de 28 anos, sem queixas agudas. Frequência cardíaca de 78 bpm, sinais vitais normais. Queixa administrativa.

➡️ Fluxograma: “Avaliação clínica geral”
➡️ Discriminador: “Frequência de Pulso” (normal)
➡️ Classificação: verde – atendimento em até 120 minutos


👩‍⚕️ Conduta da enfermagem na triagem

  • Aferir FC com técnica adequada e em repouso;

  • Registrar:

    • Valor numérico, ritmo (regular/irregular), amplitude;

    • Sinais clínicos associados;

    • Queixa principal e histórico relevante;

  • Monitorar FC em casos instáveis;

  • Encaminhar com prioridade conforme classificação;

  • Reavaliar após qualquer intercorrência ou mudança clínica.


✅ Conclusão

O discriminador “Frequência de Pulso” é um pilar essencial na triagem, pois permite detecção precoce de condições críticas, como choque, sepse, arritmias, dor torácica aguda e descompensações clínicas.

Sua correta aferição e interpretação por parte do enfermeiro classificador é fundamental para garantir uma triagem precisa, segura e humanizada.


Última atualização: quinta-feira, 3 abr. 2025, 21:05