60 - Frequência Respiratória
Frequência Respiratória
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco em insuficiências respiratórias e quadros agudos
A frequência respiratória (FR) corresponde ao número de incursões respiratórias por minuto, ou seja, o número de vezes que uma pessoa inspira e expira em um intervalo de 60 segundos. Trata-se de um dos sinais vitais mais sensíveis e precoces na identificação de desequilíbrios metabólicos, respiratórios e circulatórios, sendo amplamente utilizado na triagem de risco pelo Protocolo de Manchester.
Alterações na FR podem indicar condições graves, como insuficiência respiratória, sepse, acidose metabólica, obstruções de vias aéreas ou quadros neurológicos agudos. É um parâmetro que deve ser obrigatoriamente aferido em toda triagem bem feita, e não deve ser subestimado.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Frequência Respiratória:
Número de respirações (inspirações + expirações) observadas ou sentidas em um minuto, com o paciente em repouso.
A FR deve ser contada diretamente, preferencialmente sem que o paciente perceba, para evitar alterações voluntárias.
📊 Valores normais de frequência respiratória por faixa etária
| Faixa Etária | FR Normal (irpm) |
|---|---|
| Recém-nascido (0–1 mês) | 30–60 |
| Lactente (1 mês a 1 ano) | 30–50 |
| Criança (1–5 anos) | 20–40 |
| Criança maior (6–12 anos) | 18–30 |
| Adolescente e Adulto | 12–20 |
| Idoso | 12–20 |
⚠️ Uma FR menor que 8 ou maior que 30 respirações por minuto em adultos é considerada anormal e potencialmente crítica, especialmente se associada a outros sinais clínicos.
🧠 Principais alterações clínicas associadas à frequência respiratória
🔴 Taquipneia (FR aumentada):
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Insuficiência respiratória aguda (asma, DPOC, pneumonia);
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Choque séptico ou hipovolêmico;
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Acidose metabólica (ex: cetoacidose diabética);
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Dor intensa ou ansiedade grave;
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Embolia pulmonar;
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Hipoxemia por qualquer causa.
🔵 Bradipneia (FR diminuída):
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Depressão do sistema nervoso central (AVC, intoxicação, opioides);
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Hipotermia severa;
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Lesão medular alta;
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Fase terminal de insuficiência respiratória;
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Aumento da pressão intracraniana.
⚠️ Mudanças súbitas na FR geralmente precedem queda na saturação de oxigênio ou alterações do nível de consciência.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Observar o tórax discretamente, com o paciente em repouso:
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Contar o número de movimentos torácicos (inspiração-expiração) por 60 segundos;
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Observar se a respiração está regular ou irregular, superficial ou profunda;
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Anotar uso de musculatura acessória, presença de retrações ou batimentos de asa de nariz.
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Relacionar a FR com o quadro clínico:
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Dor torácica, dispneia, febre, esforço respiratório;
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Histórico de asma, DPOC, infecção pulmonar ou uso de medicamentos depressivos;
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Estado mental (agitação, confusão, sonolência).
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Verificar em conjunto com outros sinais vitais:
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Saturação de O₂, PA, FC, temperatura;
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Cianose, palidez, sudorese fria;
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Sons respiratórios anormais (estridor, sibilos, roncos).
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Frequência Respiratória” pode ser utilizado nos fluxogramas:
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Dificuldade respiratória aguda
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Dor torácica com desconforto ventilatório
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Sepse e infecções sistêmicas
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Alteração do nível de consciência / rebaixamento
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Trauma torácico ou politraumatismo
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Crise asmática / broncoespasmo
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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FR < 8 irpm ou > 40 irpm em adulto, com:
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Cianose, confusão mental, rebaixamento de consciência;
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Saturação de O₂ < 90%;
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Uso intenso de musculatura acessória, esforço extremo;
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Respiração agônica, superficial ou irregular.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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FR entre 30–40 irpm ou entre 8–10 irpm em adultos, com:
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Dispneia, queixa de “falta de ar” com desconforto moderado;
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Febre alta + taquipneia;
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Crise de asma moderada ou início de insuficiência respiratória;
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Alteração do padrão respiratório sem hipoxemia grave.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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FR entre 21–29 irpm (taquipneia leve), sem sinais de desconforto;
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Estado geral bom, sinais vitais estáveis;
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Condições compensadas ou virose com febre moderada.
🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
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Frequência respiratória dentro da faixa normal para idade, sem:
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Queixas respiratórias;
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Alterações da ausculta pulmonar;
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Sinais de desconforto;
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Condições clínicas urgentes.
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📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Homem de 65 anos, com dispneia intensa, FR 44 irpm, SpO₂ 85%, sudorese fria e confusão. Histórico de DPOC. PA 88/60 mmHg.
➡️ Fluxograma: “Insuficiência respiratória grave”
➡️ Discriminador: “Frequência Respiratória”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Mulher de 30 anos, com febre 39,2 °C, FR 34 irpm, queixa de dor torácica leve e tosse produtiva. SpO₂ 95%. Ausculta: roncos difusos.
➡️ Fluxograma: “Infecção respiratória aguda”
➡️ Discriminador: “Frequência Respiratória”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Amarela
Adolescente de 16 anos, com virose, febre de 38,5 °C, FR 24 irpm, sem desconforto respiratório. Sinais vitais normais. Estado geral bom.
➡️ Fluxograma: “Virose com febre e taquipneia leve”
➡️ Discriminador: “Frequência Respiratória”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
✅ Situação 4 – Classificação Verde
Paciente de 45 anos, sem queixas respiratórias, FR 18 irpm, SpO₂ 97%. Avaliação de rotina.
➡️ Fluxograma: “Avaliação clínica geral”
➡️ Discriminador: “Frequência Respiratória” (normal)
➡️ Classificação: verde – atendimento em até 120 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Aferir a FR de forma direta, observando tórax ou abdome;
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Evitar que o paciente perceba que está sendo observado (pode alterar o ritmo);
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Correlacionar com queixa principal, sinais de esforço e saturação de O₂;
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Registrar:
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Valor exato da FR;
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Tipo de respiração (superficial, ruidosa, irregular);
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Sinais associados (cianose, uso de músculos acessórios);
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Encaminhar com prioridade conforme classificação;
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Reavaliar se houver mudança clínica.
✅ O que aprendemos
A frequência respiratória é um dos indicadores mais precoces e confiáveis de gravidade clínica, especialmente em quadros respiratórios, infecciosos, metabólicos e neurológicos.
O discriminador “Frequência Respiratória”, quando bem aplicado, permite ao enfermeiro classificador detectar descompensações iminentes e priorizar o atendimento com agilidade e segurança, evitando subnotificação de insuficiências respiratórias silenciosas.