62 - Grande Hemorragia Incontrolável
Grande Hemorragia Incontrolável
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco em sangramentos agudos e choque hipovolêmico
A grande hemorragia incontrolável é definida como um sangramento rápido, volumoso e contínuo, que não pode ser contido por compressão direta ou curativo compressivo simples, e que ensopa rapidamente compressas ou gazes, sinalizando risco iminente de hipovolemia, choque e óbito.
No Protocolo de Manchester, esse discriminador exige atenção imediata e classificação como prioridade máxima (vermelho), pois representa risco direto à vida e requer intervenções de suporte circulatório e controle hemostático urgente.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Grande Hemorragia Incontrolável:
Sangramento que não pode ser controlado com pressão direta contínua, apresentando fluxo intenso, com impregnação rápida de curativos ou pensos, comprometendo rapidamente a perfusão sistêmica e colocando o paciente em risco de choque hipovolêmico grave.
Esse discriminador inclui tanto hemorragias externas (visíveis) quanto internas com sinais evidentes, quando o sangramento se manifesta por queda de pressão, taquicardia e perfusão periférica comprometida.
🧠 Principais causas clínicas associadas
🔴 Traumas com lesão vascular evidente:
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Ferimentos cortantes ou perfurantes em grandes vasos (carótida, femoral, radial, jugular);
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Amputações parciais ou totais;
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Trauma abdominal ou torácico com sangramento externo visível;
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Fraturas expostas com sangramento arterial ativo.
🔴 Condições clínicas não traumáticas:
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Hemorragias digestivas altas ou baixas volumosas;
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Hemorragias uterinas graves (ex: abortamento séptico, mioma sangrante);
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Sangramento nasal arterial com perda contínua (epistaxe grave);
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Ruptura de varizes esofágicas;
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Coagulopatias graves ou uso de anticoagulantes sem controle;
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Complicações cirúrgicas com sangramento ativo.
⚠️ Sangramentos que encharcam mais de uma compressa por minuto ou são pulsáteis e visíveis, devem ser tratados como hemorragias incontroláveis até que o contrário seja comprovado.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Observar o local do sangramento:
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Sangue jorrando, escorrendo ou escurecendo rapidamente os curativos;
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Sangramento visivelmente pulsátil (arterial);
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Fraturas expostas ou lesões penetrantes com perda ativa de sangue.
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Verificar a efetividade da compressão:
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Está sendo feita pressão direta contínua?
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Mesmo com pressão, o sangramento não para ou aumenta?
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O paciente está usando várias compressas encharcadas?
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Avaliar sinais sistêmicos de hipovolemia:
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Taquicardia (> 120 bpm), hipotensão (< 90 mmHg sistólica);
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Extremidades frias, sudorese, palidez cutânea;
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Confusão, agitação ou rebaixamento do nível de consciência;
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Tempo de enchimento capilar aumentado (> 3 segundos).
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Grande Hemorragia Incontrolável” pode ser utilizado nos fluxogramas:
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Trauma com lesão vascular evidente
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Hemorragia digestiva (com vômito ou fezes com sangue)
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Epistaxe grave e incontrolável
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Complicações de parto, aborto ou ginecológicas
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Complicações pós-cirúrgicas
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Hemorragia retal ou vaginal em coagulopatas
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Qualquer hemorragia com:
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Fluxo intenso, visivelmente ativo;
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Sangue pulsando (arterial) ou escorrendo continuamente;
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Compressas totalmente encharcadas a cada poucos minutos;
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Sinais de instabilidade hemodinâmica: PA < 90 mmHg, FC > 120 bpm;
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Presença de rebaixamento de consciência ou confusão.
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❗ Esse discriminador exige ação imediata e simultânea com o atendimento da equipe médica. O paciente deve ser conduzido diretamente à sala de emergência ou centro cirúrgico.
📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Homem de 38 anos, vítima de agressão com faca na região femoral. Sangue jorrando do ferimento, compressa encharcada a cada 30 segundos. FC 132 bpm, PA 88/60 mmHg, pele fria.
➡️ Fluxograma: “Trauma vascular de membros”
➡️ Discriminador: “Grande Hemorragia Incontrolável”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato
✅ Situação 2 – Classificação Vermelha
Mulher de 50 anos, com sangramento vaginal abundante após curetagem recente. Já trocou 3 absorventes completamente encharcados na última hora. PA 85/55 mmHg, FC 124 bpm, sudorese e confusão.
➡️ Fluxograma: “Hemorragia ginecológica intensa”
➡️ Discriminador: “Grande Hemorragia Incontrolável”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Interromper a triagem formal e acionar a equipe médica imediatamente;
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Iniciar manobras de contenção de sangramento:
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Pressão direta constante e firme no local da lesão;
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Aplicar torniquete se permitido e indicado (ex: amputação traumática);
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Colocar o paciente em decúbito supino com pernas elevadas (se não houver trauma torácico);
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Monitorar sinais vitais continuamente;
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Registrar:
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Local do sangramento;
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Duração e volume estimado da perda;
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Resposta à compressão;
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Condição geral e tempo de evolução;
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Garantir acesso venoso, monitor e encaminhamento imediato à sala de emergência ou centro cirúrgico.
✅ O que aprendemos
O discriminador “Grande Hemorragia Incontrolável” representa uma condição crítica de urgência absoluta, em que a rápida perda sanguínea compromete a perfusão tecidual e ameaça a vida em minutos. A intervenção precoce do enfermeiro classificador, com ação imediata, técnica e comunicação eficiente, é vital para o salvamento do paciente.
Este discriminador reforça a importância da triagem dinâmica, com olhar clínico e tomada de decisão rápida, como propõe o Protocolo de Manchester.