66 - Hematoma Auricular
Hematoma Auricular
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco em lesões traumáticas do pavilhão auricular
O hematoma auricular é caracterizado pelo acúmulo de sangue entre a cartilagem e a pele do ouvido externo, geralmente localizado na concha ou na região anterior da orelha, sendo comumente causado por traumas diretos repetitivos ou contundentes. Também pode surgir após lesões esportivas, agressões físicas, quedas ou em crianças vítimas de maus-tratos.
Segundo o Protocolo de Manchester, esse discriminador é importante porque, embora seja geralmente de baixa gravidade imediata, pode resultar em deformidades permanentes se não tratado de forma adequada. O acúmulo de sangue pode comprometer a nutrição da cartilagem e levar à necrose ou formação de orelha em “couve-flor” — deformidade comum entre lutadores.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Hematoma Auricular:
Coleção (acúmulo) de sangue localizada entre a cartilagem e a pele do ouvido externo (pavilhão auricular), geralmente em consequência de trauma direto, atrito ou esmagamento leve a moderado.
Se não tratado, pode causar fibrose, infecção local ou deformidade crônica.
🧠 Etiologia e fatores de risco mais comuns
🔴 Causas traumáticas frequentes:
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Golpes diretos no ouvido (esportes como luta, rugby, judô);
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Agressões físicas ou quedas com impacto na orelha;
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Esmagamentos leves em portas ou camas infantis;
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Otites externas graves com manipulação excessiva;
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Tentativas de limpeza auricular indevida (uso de objetos rígidos).
🟠 Fatores de risco e agravantes:
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Falta de tratamento imediato;
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Repetição de traumas na mesma região;
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Infecções secundárias;
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Crianças e idosos com pele frágil e vasos superficiais;
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Distúrbios de coagulação ou uso de anticoagulantes.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Realizar inspeção do pavilhão auricular:
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A orelha está inchada, avermelhada ou arroxeada?
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Há consistência flutuante ao toque?
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Presença de dor ou hipersensibilidade local?
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O paciente consegue ouvir normalmente?
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Investigar histórico da lesão:
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“Houve algum trauma recente na orelha?”
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“Bateu ou caiu de lado?”
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“Já teve esse tipo de inchaço antes?”
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“Faz esportes de contato ou luta?”
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Observar sinais de complicações:
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Calor local, pus, febre (sugere infecção);
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Deformidade já aparente (sugere fibrose antiga);
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Hematoma bilateral (sugere trauma sistemático, possível violência);
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Perda auditiva, tontura ou dor irradiada.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Hematoma Auricular” pode ser utilizado nos fluxogramas:
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Trauma de face / crânio leve
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Otalgia / alterações auriculares
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Criança com sinais de lesão não acidental
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Infecção auricular pós-trauma
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Edema localizado / hematoma externo
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
Não se aplica diretamente ao hematoma auricular, a menos que:
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Seja associado a trauma craniano grave com perda de consciência, sangramento ativo ou sinais neurológicos;
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Esteja acompanhado de fratura de base de crânio (ex: sinal de Battle ou otorragia com perda auditiva súbita).
🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Hematoma auricular +:
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Dor intensa e edema progressivo;
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Sinais de infecção local (calor, pus, febre);
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Paciente com coagulopatia, uso de anticoagulante ou imunossuprimido;
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Criança com suspeita de abuso físico.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Hematoma auricular recente, sem sinais de infecção ou dor intensa;
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Volume pequeno, com integridade preservada da cartilagem;
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Paciente alerta, estável e sem perda auditiva;
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Requer avaliação médica para possível drenagem precoce e prevenção de complicações.
🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
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Hematoma antigo, já endurecido (fibrose), sem dor ou sinais inflamatórios;
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Paciente que busca avaliação estética ou orientações;
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Sem queixa auditiva ou alteração da função auricular.
📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Laranja
Criança de 7 anos, chega com orelha direita inchada, quente e dolorosa após suposta queda em casa. Mãe relata histórico de hematomas anteriores. Orelha com coloração roxa e secreção amarelada. PA e temperatura normais.
➡️ Fluxograma: “Trauma auricular com sinais infecciosos”
➡️ Discriminador: “Hematoma Auricular”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 2 – Classificação Amarela
Homem de 25 anos, lutador amador de jiu-jitsu, refere pancada durante treino. Orelha esquerda com aumento de volume, indolor, pele íntegra. Sem febre, sem secreção. Sinais vitais normais.
➡️ Fluxograma: “Trauma esportivo leve”
➡️ Discriminador: “Hematoma Auricular”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Verde
Homem de 55 anos, chega para avaliação estética de deformidade auricular antiga. Relata trauma há anos, orelha endurecida em formato de “couve-flor”, sem dor ou sinais inflamatórios.
➡️ Fluxograma: “Avaliação eletiva / deformidade auricular”
➡️ Discriminador: “Hematoma Auricular crônico”
➡️ Classificação: verde – atendimento em até 120 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Inspecionar cuidadosamente a orelha;
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Avaliar:
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Presença de dor, calor, secreção, flutuação, deformidade;
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Sinais de infecção sistêmica;
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Verificar sinais vitais e antecedentes médicos;
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Investigar histórico de trauma e frequência de episódios;
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Em crianças, avaliar risco de violência física;
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Registrar:
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Tempo de aparecimento, localização e aspecto do hematoma;
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Se há dor, febre ou perda auditiva;
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Encaminhar para avaliação médica com base na gravidade e idade do paciente.
✅ O que aprendemos
O discriminador “Hematoma Auricular” é geralmente considerado de baixa a moderada urgência, mas exige atenção especializada precoce para evitar deformações permanentes, infecção secundária e sequelas estéticas. A correta avaliação do volume, tempo de evolução e presença de sinais inflamatórios permite ao enfermeiro classificador realizar uma triagem segura, eficaz e humanizada, de acordo com os princípios do Protocolo de Manchester.