69 - Hemorragia Exsanguinante
Hemorragia Exsanguinante
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco em sangramentos críticos
A hemorragia exsanguinante representa o grau máximo de perda sanguínea aguda, caracterizada por um sangramento volumoso e contínuo que, se não for estancado rapidamente, levará à morte por choque hipovolêmico e falência de órgãos. Trata-se de uma emergência absoluta, exigindo atendimento imediato, suporte avançado de vida e, na maioria das vezes, intervenção cirúrgica urgente.
No Protocolo de Manchester, esse discriminador define situações em que o sangramento ultrapassa a capacidade de compensação fisiológica do organismo, colocando o paciente em risco iminente de óbito.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Hemorragia Exsanguinante:
Sangramento que ocorre em grande volume e de forma contínua, sendo incapaz de ser contido por compressão simples, e que resultará em morte inevitável se não for interrompido imediatamente.
A hemorragia pode ser externa (visível) ou interna (oculta), devendo ser reconhecida por perda rápida de volume e sinais de instabilidade hemodinâmica severa.
🧠 Principais causas clínicas e traumáticas associadas
🔴 Hemorragias externas graves:
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Trauma com lesão de grandes vasos (femoral, carótida, braquial, jugular);
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Amputações traumáticas com sangramento arterial pulsátil;
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Feridas penetrantes no pescoço, abdome ou membros com extravasamento massivo;
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Sangramento uterino pós-parto (hemorragia pós-parto);
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Ruptura de varizes esofágicas com vômito de sangue em jato (hematêmese maciça).
🔴 Hemorragias internas com sinais externos ou colapso clínico:
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Ruptura de aneurisma de aorta abdominal ou torácico;
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Trauma abdominal com lesão hepática, esplênica ou renal grave;
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Gravidez ectópica rota com sangramento intra-abdominal;
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Hemotórax maciço ou hemoperitônio pós-traumático;
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Dissecção aórtica com tamponamento cardíaco e choque refratário.
⚠️ Uma perda de 40% ou mais do volume sanguíneo total (equivalente a ~2L em adultos) pode levar à morte em poucos minutos se não houver intervenção imediata.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Observar evidências de sangramento ativo ou história recente:
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Sangue em grande quantidade, visível, pulsando ou escorrendo rapidamente;
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Compressas que encharcam em poucos segundos;
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Sangue saindo pela boca, nariz, reto, vagina ou feridas abertas;
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Sinais de trauma torácico, abdominal ou de grandes vasos.
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Avaliar os sinais de descompensação hemodinâmica:
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PA < 90 mmHg (sistólica), FC > 130 bpm;
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Extremidades frias, palidez intensa, sudorese fria;
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Nível de consciência rebaixado, confusão, torpor ou agitação;
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Tempo de enchimento capilar prolongado (> 3 segundos);
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Saturação de oxigênio em queda.
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Identificar contextos de alto risco:
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Pacientes anticoagulados, politraumatizados, pós-operatórios;
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Gravidez de alto risco, cirrose hepática, coagulopatias.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “Hemorragia Exsanguinante” pode ser utilizado nos fluxogramas:
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Trauma grave com sangramento
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Ferimentos penetrantes / amputações
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Hemorragia digestiva alta volumosa
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Hemorragia pós-parto / obstétrica aguda
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Paciente com colapso cardiovascular súbito
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Hemorragia interna com sinais de choque
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
Sempre. A hemorragia exsanguinante é uma emergência absoluta.
Situações incluem:
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Sangramento visível e pulsátil, não controlado por compressão direta;
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PA sistólica < 90 mmHg com sangramento ativo;
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Palidez, sudorese, confusão ou rebaixamento do nível de consciência;
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Sinais de choque hipovolêmico evidente;
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Vômito com grande volume de sangue ou sangramento retal em jato;
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Retenção urinária com sangue em coágulos e sinais de colapso hemodinâmico.
📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Homem de 35 anos, vítima de acidente com moto, apresenta amputação traumática de perna abaixo do joelho, com sangramento pulsátil, compressas encharcadas a cada 20 segundos. PA 80/50 mmHg, FC 140 bpm, pálido, confuso.
➡️ Fluxograma: “Trauma grave com sangramento arterial”
➡️ Discriminador: “Hemorragia Exsanguinante”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato
✅ Situação 2 – Classificação Vermelha
Mulher de 29 anos, pós-parto há 2 horas, apresenta sangramento vaginal abundante, encharcando fraldas em minutos. PA 85/55 mmHg, FC 132 bpm, sudorese fria, sonolenta.
➡️ Fluxograma: “Hemorragia pós-parto”
➡️ Discriminador: “Hemorragia Exsanguinante”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato
✅ Situação 3 – Classificação Vermelha
Homem de 60 anos, cirrótico, com hematêmese em jato (~500 mL), palidez intensa, PA 78/45 mmHg, FC 138 bpm, Glasgow 12.
➡️ Fluxograma: “Hemorragia digestiva grave em hepatopata”
➡️ Discriminador: “Hemorragia Exsanguinante”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Suspender imediatamente a triagem e acionar a equipe médica emergencial;
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Iniciar manobras de suporte:
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Compressão manual firme e contínua, se for sangramento externo;
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Decúbito supino com pernas elevadas, se possível;
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Oximetria contínua, oxigênio suplementar, monitor cardíaco;
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Acesso venoso calibroso imediato (soro aquecido se disponível);
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Avaliar:
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Sinais vitais completos, perfusão, estado mental;
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Local do sangramento, quantidade estimada, tempo de início;
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Registrar:
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Tipo de sangramento, volume estimado, tentativas de contenção;
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Fatores de risco, medicamentos em uso (ex: anticoagulantes);
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Evolução clínica desde o início do evento.
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✅ O que aprendemos
A hemorragia exsanguinante representa um dos mais críticos e tempo-dependentes discriminadores do Protocolo de Manchester, exigindo ação rápida e eficaz.
O papel do enfermeiro classificador é vital para interromper a triagem, reconhecer os sinais de risco iminente de morte, iniciar suporte básico e acionar a equipe médica sem perda de tempo. A precisão e agilidade nesse momento fazem a diferença entre a vida e a morte do paciente.