75 - História Clínica Significativa
História Clínica Significativa
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco associados a comorbidades crônicas e condições clínicas complexas
O discriminador “História Clínica Significativa” é utilizado durante a triagem para indicar que o paciente possui condições de saúde pré-existentes relevantes, que podem interferir diretamente na evolução do quadro agudo apresentado, aumentar o risco de complicações ou requerer um nível mais alto de vigilância e cuidado.
Essas condições costumam exigir medicação contínua, monitoramento periódico, ou tratamentos especializados, e tornam o paciente mais vulnerável em situações agudas, como infecções, traumas, desidratação, crises metabólicas, entre outras.
No Protocolo de Manchester, esse discriminador atua como modificador de risco — ele não define a cor de prioridade isoladamente, mas agrava a classificação quando presente em combinação com outros sinais clínicos.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
História Clínica Significativa:
Qualquer condição clínica crônica ou pré-existente que:
Requeira medicação contínua (anticoagulantes, insulina, imunossupressores, etc.);
Seja relevante para o quadro atual (ex: cardiopatia em paciente com dor torácica);
Demande acompanhamento médico especializado ou cuidados frequentes;
Contribua para pior prognóstico em condições agudas.
🧠 Exemplos de condições que caracterizam “História Clínica Significativa”
✅ Doenças cardiovasculares:
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Insuficiência cardíaca congestiva (ICC);
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Infarto prévio;
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Arritmias em uso de antiarrítmicos;
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Hipertensão grave de difícil controle.
✅ Doenças metabólicas e endócrinas:
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Diabetes mellitus insulinodependente;
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Hipoglicemia de repetição;
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Insuficiência adrenal ou hipotireoidismo grave.
✅ Doenças respiratórias:
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Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
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Asma de difícil controle;
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Apneia do sono grave.
✅ Doenças neurológicas:
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Epilepsia ativa;
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Acidente vascular cerebral (AVC) prévio com sequelas;
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Doença de Parkinson;
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Alzheimer ou demência.
✅ Doenças hematológicas ou autoimunes:
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Anemia falciforme;
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Lúpus eritematoso sistêmico (LES);
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Artrite reumatoide com uso de imunossupressores.
✅ Pacientes imunossuprimidos:
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HIV/Aids em tratamento;
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Uso de quimioterapia ou corticoide crônico;
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Transplantados em uso de imunossupressores.
✅ Outras condições:
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Insuficiência renal crônica em hemodiálise;
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Neoplasias malignas em tratamento ativo;
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Pacientes em cuidados paliativos;
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Uso contínuo de anticoagulantes orais ou injetáveis.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Questionar sobre doenças pré-existentes e tratamentos contínuos:
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“Você tem alguma doença crônica?”
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“Toma algum medicamento de uso contínuo?”
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“Faz algum acompanhamento regular com especialistas?”
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Observar o impacto dessas condições no quadro atual:
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A comorbidade interfere ou piora os sintomas de hoje?
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Há risco de descompensação da doença crônica?
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Verificar uso de medicamentos que implicam maior risco:
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Anticoagulantes, imunossupressores, insulina, corticoides, psicotrópicos, etc.
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Analisar a associação com o motivo da queixa atual:
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Exemplo: dor torácica + história de infarto = risco elevado.
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Queda em paciente anticoagulado = alto risco de sangramento oculto.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
Esse discriminador não define um fluxograma específico, mas deve ser considerado em qualquer um dos fluxogramas onde a condição clínica pré-existente possa agravar o quadro agudo, como:
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Dor torácica em cardiopata
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Febre em paciente imunossuprimido
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Crise convulsiva em epiléptico com histórico recente de surtos
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Dispneia em paciente com DPOC
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Hipoglicemia em paciente com diabetes instável
🎯 Classificação de risco por cores
O discriminador modifica a cor para uma prioridade mais alta, dependendo da associação com outros sintomas. Exemplos:
🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Quadro clínico moderado + comorbidade grave:
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Febre em paciente com lúpus ou HIV;
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Dor abdominal em diabético insulinodependente;
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Queda em idoso anticoagulado com dor torácica.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Quadro leve + comorbidade importante:
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Dor lombar em paciente oncológico;
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Tosse leve em paciente com DPOC;
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Náuseas em paciente em quimioterapia.
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🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
Não é recomendado para pacientes com quadro agudo e comorbidade relevante.
Pacientes com “História Clínica Significativa” devem sempre ser reavaliados cuidadosamente antes de se considerar uma prioridade baixa.
📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Laranja
Homem de 65 anos, com histórico de infarto e hipertensão grave, chega com dor torácica leve, PA 145/95 mmHg, sem alterações no ECG inicial.
➡️ Fluxograma: “Dor torácica em cardiopata”
➡️ Discriminador: “História Clínica Significativa”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 2 – Classificação Amarela
Mulher de 42 anos, em tratamento de câncer de mama, relata náuseas leves e mal-estar. Está em uso de quimioterapia recente, sinais vitais normais.
➡️ Fluxograma: “Náuseas em paciente oncológico”
➡️ Discriminador: “História Clínica Significativa”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Questionar e registrar detalhadamente:
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Comorbidades, medicamentos de uso contínuo, alergias;
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Especialidades médicas que acompanham o paciente;
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Últimas internações ou episódios de descompensação;
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Avaliar se a condição crônica aumenta o risco de evolução grave do quadro atual;
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Encaminhar conforme o impacto clínico e a combinação de sintomas agudos + comorbidade;
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Comunicar à equipe médica em caso de associação com risco iminente.
✅ O que aprendemos
O discriminador “História Clínica Significativa” funciona como agravante na priorização de risco, pois identifica pacientes com maior propensão a descompensações clínicas, complicações infecciosas, eventos adversos ou resposta reduzida ao tratamento.
É papel do enfermeiro classificador avaliar com profundidade o histórico de saúde do paciente, valorizar o uso contínuo de medicamentos e a presença de doenças crônicas, garantindo assim um atendimento seguro, humanizado e baseado em evidências, conforme os princípios do Protocolo de Manchester.