81 - História de Perda de Consciência
História de Perda de Consciência
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco neurológico, cardíaco ou traumático
A história de perda de consciência (também chamada de síncope ou desmaio) é um marcador de risco clínico importante, pois pode representar desde situações benignas, como queda de pressão, até eventos graves e com risco de vida, como acidentes vasculares cerebrais, arritmias cardíacas, convulsões ou traumatismos cranianos.
De acordo com o Protocolo de Manchester, qualquer relato de perda de consciência recente deve ser considerado como um evento potencialmente sério, especialmente quando não há testemunhas confiáveis do episódio. Se o paciente não se lembra do que aconteceu, deve-se presumir que houve perda de consciência.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
História de Perda de Consciência:
Episódio no qual o paciente esteve inconsciente, mesmo que por curto período.
Considera-se que houve perda de consciência se:
Há uma testemunha confiável que confirma o episódio;
O próprio paciente não se recorda do ocorrido (amnesia do evento);
A pessoa foi encontrada caída, desorientada ou com sinais de trauma.
🧠 Possíveis causas clínicas associadas à perda de consciência
🔴 Causas neurológicas:
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Acidente vascular cerebral (AVC);
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Convulsões (com ou sem movimentos tônico-clônicos);
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Traumatismo cranioencefálico (TCE);
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Hipoglicemia severa.
🟠 Causas cardíacas:
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Arritmias (taquiarritmias, bloqueios AV);
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Infarto agudo do miocárdio (IAM);
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Síndrome do QT longo, cardiomiopatia hipertrófica.
🟡 Causas vasovagais ou posturais (benignas):
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Síncope vasovagal (gatilho emocional, calor, dor intensa);
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Hipotensão ortostática (levantou-se rapidamente);
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Desidratação.
🔴 Outras causas:
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Uso de medicamentos (anti-hipertensivos, sedativos);
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Intoxicações (álcool, drogas);
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Hipóxia ou hipóxia transitória.
⚠️ Em qualquer cenário, a perda de consciência é um critério de risco, pois pode resultar em queda com trauma, convulsão, ou ser a manifestação de evento cardiovascular súbito.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Perguntar diretamente sobre o episódio:
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“Você se lembra de tudo que aconteceu?”
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“Alguém viu o que aconteceu?”
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“Acordou no chão ou com pessoas ao redor?”
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“Teve tontura antes? Ficou suado, com náusea?”
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Investigar se há testemunha confiável:
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Se houver acompanhante, confirmar o tempo e características do episódio;
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Se não houver, e o paciente não souber o que aconteceu, considerar presunção de perda de consciência.
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Atenção especial a sinais associados:
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Confusão mental após o episódio;
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Dor torácica, dispneia, sudorese, palidez;
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Convulsões, mordedura de língua, incontinência urinária;
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Trauma craniano associado à queda.
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Avaliar sinais vitais e risco imediato:
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PA, FC, SpO₂, glicemia capilar, Glasgow, padrão respiratório.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
O discriminador “História de Perda de Consciência” pode ser aplicado nos fluxogramas:
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Alteração do nível de consciência / síncope / convulsão
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Traumatismo cranioencefálico com amnésia
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Dor torácica com colapso
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Distúrbios do ritmo cardíaco ou pressão arterial
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Hipoglicemia com episódio de inconsciência
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Paciente desorientado pós-evento de causa não esclarecida
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Perda de consciência recente com:
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Rebaixamento persistente do nível de consciência (Glasgow < 13);
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Dor torácica, dispneia, palidez intensa;
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Convulsão durante o episódio ou após;
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Queda com trauma craniano grave;
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Sinais vitais gravemente alterados.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Episódio isolado com:
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Recuperação completa, mas sem explicação clara;
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Sem testemunha confiável e sem lembrança do ocorrido;
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PA ou FC alterados moderadamente;
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História de cardiopatia, epilepsia, diabetes.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Síncope com relato claro e gatilho definido (ex: calor, medo, dor);
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Paciente jovem, saudável, sem sinais de trauma ou alteração vital;
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Sem histórico prévio de cardiopatias ou doenças neurológicas.
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📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Homem de 55 anos, encontrado caído na rua, inconsciente por 1 minuto, com dor torácica e sudorese. FC 140 bpm, PA 85/60 mmHg. Sem acompanhante.
➡️ Fluxograma: “Síncope cardíaca com sinais de instabilidade”
➡️ Discriminador: “História de Perda de Consciência”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Mulher de 60 anos, relata “apagão” há 30 minutos, não se lembra do que aconteceu. Acordou no chão. Sem dor torácica. PA 115/70 mmHg, FC 95 bpm. Sem testemunha.
➡️ Fluxograma: “Perda de consciência sem testemunha”
➡️ Discriminador: “História de Perda de Consciência”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Amarela
Rapaz de 21 anos, refere desmaio ao ver sangue durante coleta. Acordou rapidamente, relata suor frio antes. Acompanhado por amiga que presenciou tudo. PA 120/80 mmHg.
➡️ Fluxograma: “Síncope vasovagal típica”
➡️ Discriminador: “História de Perda de Consciência”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Aferir sinais vitais e glicemia imediatamente;
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Avaliar nível de consciência com Escala de Glasgow;
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Questionar paciente e acompanhante sobre o episódio;
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Investigar comorbidades (cardiopatia, epilepsia, diabetes);
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Observar sinais de trauma na cabeça, face, língua, pupilas;
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Encaminhar com urgência proporcional ao risco identificado;
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Registrar cuidadosamente a descrição do evento, a presença ou não de testemunhas e a recuperação pós-crise.
✅ O que aprendemos
O discriminador “História de Perda de Consciência” é um dos mais relevantes no Protocolo de Manchester por estar relacionado a diversas causas potencialmente fatais, como AVCs, arritmias, epilepsia e infartos.
A correta identificação desse evento, especialmente na ausência de testemunhas ou diante de falhas de memória do paciente, exige do enfermeiro classificador atenção redobrada, raciocínio clínico crítico e ações rápidas, garantindo um atendimento eficaz, seguro e salvador de vidas.