83 - História Psiquiátrica Significativa
História Psiquiátrica Significativa
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco em transtornos mentais graves
O discriminador “História Psiquiátrica Significativa” é utilizado na triagem de pacientes com transtornos mentais diagnosticados ou com histórico de eventos psiquiátricos graves, que podem impactar diretamente a segurança do paciente, da equipe de saúde e da coletividade.
O Protocolo de Manchester orienta que essa história deve ser considerada um modificador de risco, pois tais pacientes possuem maior vulnerabilidade a crises agudas, descompensações, comportamentos autodestrutivos ou agressividade, exigindo avaliação rápida e multidisciplinar.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
História Psiquiátrica Significativa:
Qualquer relato de doença psiquiátrica pré-existente, ou de evento psiquiátrico grave anterior, incluindo:
Diagnóstico de esquizofrenia, transtorno bipolar, depressão maior, transtornos psicóticos ou borderline;
Histórico de tentativa de suicídio, automutilação, internação psiquiátrica ou surto psicótico;
Uso de medicações psicotrópicas com instabilidade clínica;
Quadros de agitação, delírios, alucinações ou ideação suicida no momento da triagem.
🧠 Condições incluídas nesse discriminador
✅ Diagnósticos psiquiátricos relevantes:
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Transtorno de personalidade borderline, paranoide ou antissocial;
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Transtorno bipolar tipo I ou II;
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Transtorno depressivo maior recorrente;
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Esquizofrenia, esquizoafetivo, psicose induzida por substância.
✅ Eventos psiquiátricos prévios:
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Internações anteriores por surto psicótico ou risco de suicídio;
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Abandono de tratamento com piora comportamental;
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Históricos de automutilações graves ou reincidentes;
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Episódios de agressividade ou heteroagressividade.
⚠️ Este discriminador aumenta o grau de urgência mesmo que os sintomas atuais sejam aparentemente leves, pois o risco de deterioração ou de danos é significativo.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Investigar o histórico psiquiátrico conhecido ou relatado:
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“Você faz acompanhamento com psiquiatra?”
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“Usa medicação para depressão, ansiedade, humor ou delírios?”
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“Já precisou de internação psiquiátrica?”
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“Tem histórico de crise, surto, ou tentativa de suicídio?”
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Observar o comportamento durante a triagem:
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Agitação psicomotora, desorganização da fala ou do pensamento;
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Retraimento extremo, mutismo ou olhar fixo;
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Expressões de medo intenso, angústia, delírios ou alucinações;
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Risco de agressão (a si ou aos outros).
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Avaliar o risco de suicídio e autoextermínio:
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Presença de ideação suicida ou tentativa recente;
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Falas como “quero morrer”, “não aguento mais”, “ninguém liga para mim”;
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Marcas de cortes, uso de roupas longas em dias quentes para esconder lesões.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
Esse discriminador pode ser usado em diversos fluxogramas:
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Paciente com alteração de comportamento
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Quadros de agitação ou agressividade
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Tentativa de suicídio ou automutilação
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Distúrbios psiquiátricos descompensados
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Paciente confuso, delirante ou em surto psicótico
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Crises de pânico ou ansiedade com sinais físicos marcantes
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Paciente com histórico psiquiátrico e:
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Tentativa de suicídio recente ou em curso;
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Comportamento agressivo descontrolado;
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Delírios persecutórios com risco de heteroagressividade;
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Psicose aguda com rebaixamento da consciência.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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História psiquiátrica relevante com:
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Crise emocional aguda com ideação suicida ativa;
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Comportamento alterado, falas confusas, alucinações visuais ou auditivas;
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Abandono de medicação e início de sintomas psicóticos;
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Ansiedade severa com risco de crise conversiva ou dissociativa.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Histórico conhecido, paciente calmo no momento:
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Queixa de insônia, choro fácil, tristeza persistente, mas sem risco imediato;
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Acompanhado por familiar, sem plano suicida ativo;
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Episódio de ansiedade leve ou ajuste de medicação.
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🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
Raramente aplicável a esse discriminador.
Mesmo em quadro estável, a história psiquiátrica significativa exige atenção, e o paciente deve ser, no mínimo, classificado como amarelo, a depender do contexto.
📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Homem de 40 anos, com esquizofrenia, foi encontrado em via pública dizendo que “vozes mandam ele se matar”. Está agitado, sem adesão a medicamentos há semanas.
➡️ Fluxograma: “Comportamento psicótico com risco suicida”
➡️ Discriminador: “História Psiquiátrica Significativa”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato + suporte de contenção
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Mulher de 26 anos, transtorno bipolar, relata tristeza intensa, insônia e vontade de “desaparecer”. Apresenta cortes recentes nos braços. Está calma, mas em sofrimento visível.
➡️ Fluxograma: “Ideação suicida com histórico psiquiátrico”
➡️ Discriminador: “História Psiquiátrica Significativa”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Amarela
Adolescente de 17 anos, em acompanhamento no CAPS, com depressão leve, queixa-se de insônia e dificuldade escolar. Sem ideação suicida no momento.
➡️ Fluxograma: “Avaliação de saúde mental sem risco imediato”
➡️ Discriminador: “História Psiquiátrica Significativa”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Realizar escuta qualificada e empática;
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Avaliar:
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Risco de suicídio, automutilação, agressividade;
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Uso de medicação, adesão ao tratamento, suporte familiar;
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Presença de sintomas psicóticos, delirantes ou depressivos;
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Providenciar:
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Isolamento em ambiente seguro (se necessário);
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Contenção verbal ou farmacológica conforme prescrição;
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Notificação à equipe médica e apoio da saúde mental;
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Registrar:
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Diagnóstico psiquiátrico, tratamento em curso, medicações em uso, sinais de agravamento, comportamento durante a triagem.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “História Psiquiátrica Significativa” é essencial para reconhecer que pacientes com transtornos mentais exigem atenção diferenciada na triagem, mesmo quando aparentemente estáveis.
A correta aplicação desse critério no Protocolo de Manchester permite um olhar ampliado e humanizado, garantindo não apenas o cuidado clínico, mas também o respeito à integridade emocional e social do paciente.