História Significativa de Asma

Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco para descompensação respiratória grave

O discriminador “História Significativa de Asma” identifica pacientes com asma instável, grave ou de alto risco, seja por histórico de exacerbações frequentes, seja por episódios anteriores que ameaçaram a vida, como necessidade de ventilação mecânica, internações repetidas, ou uso de adrenalina.

Mesmo que o paciente esteja assintomático no momento da triagem, a presença desse histórico impõe vigilância rigorosa, pois pequenas queixas respiratórias podem evoluir rapidamente para insuficiência respiratória aguda, com risco de morte.


📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester

História Significativa de Asma:
Paciente com diagnóstico de asma que apresenta um dos seguintes critérios:

  • Histórico de crises graves com risco de vida (intubação, UTI, uso de adrenalina);

  • Asma instável, com uso frequente de broncodilatadores e/ou corticoides;

  • Episódios recorrentes de dispneia súbita, hospitalizações ou internações nos últimos meses;

  • Afastamento escolar/profissional frequente por descompensações asmáticas.


🧠 Condições incluídas nesse discriminador

🔴 Episódios anteriores de risco de vida:

  • Parada respiratória ou necessidade de intubação orotraqueal por crise asmática;

  • Necessidade de ventilação não invasiva ou oxigenioterapia prolongada;

  • Choque anafilático associado a crise asmática.

🟠 Descompensação frequente e instabilidade:

  • Três ou mais visitas ao pronto-socorro no último mês;

  • Uso de broncodilatador de resgate mais de 3 vezes por semana;

  • Internações recorrentes, inclusive em UTI.

🟡 Tratamento irregular ou má adesão:

  • Uso inadequado de medicações de manutenção (corticoides inalatórios);

  • Não comparecimento a consultas de seguimento;

  • Desconhecimento do manejo de crise.

⚠️ Esse histórico deve ser considerado com peso clínico elevado, pois mesmo uma queixa leve de tosse ou chiado pode indicar iminência de broncoespasmo severo.


🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?

Durante a triagem, o enfermeiro deve:

  1. Perguntar sobre histórico de asma e gravidade das crises anteriores:

    • “Você já precisou ser internado por crise de asma?”

    • “Já usou oxigênio, ficou entubado ou foi para a UTI por falta de ar?”

    • “Costuma ter muitas crises por mês? Usa bombinha todos os dias?”

  2. Verificar o uso de medicamentos de controle e de resgate:

    • Frequência de uso do salbutamol ou fenoterol;

    • Uso de corticoides orais ou inalados (ex: prednisona, budesonida);

    • Adesão ao tratamento prescrito.

  3. Avaliar presença de fatores de risco associados:

    • Alergias respiratórias (rinite, sinusite crônica);

    • Exposição a tabaco, poeira, mofo, animais;

    • Infrequência a consultas de pneumologia.

  4. Checar sinais vitais e sintomas respiratórios mesmo discretos:

    • Frequência respiratória > 20 irpm, taquicardia, oximetria < 95%, sibilos, uso de musculatura acessória.


🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester

O discriminador “História Significativa de Asma” pode ser aplicado nos fluxogramas:

  • Dificuldade respiratória súbita

  • Dispneia em paciente com asma

  • Dor torácica com antecedentes respiratórios

  • Tosse / chiado em pacientes com doenças pulmonares

  • Reações alérgicas com componente broncoespástico


🎯 Classificação de risco por cores

🔴 Vermelho – Atendimento imediato

  • História significativa + crise em curso com:

    • Incapacidade de falar frases completas;

    • Uso intenso da musculatura acessória, sudorese fria;

    • Saturação < 92%, rebaixamento da consciência;

    • Frequência respiratória > 30 irpm ou bradipneia com fadiga.

🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos

  • História significativa de asma + sintomas moderados:

    • Chiado leve a moderado, tosse seca, FR aumentada;

    • Sem sinais de exaustão, mas com múltiplas crises recentes;

    • Uso frequente de broncodilatadores, má adesão ao tratamento.

🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos

  • História de asma instável, sem sintomas no momento, mas:

    • Referência a crises recentes com uso de prednisona;

    • Necessidade frequente de reavaliações;

    • Oximetria normal, FR normal, mas alto risco de descompensação.


📋 Exemplos clínicos aplicados

Situação 1 – Classificação Vermelha

Homem de 48 anos, asmático com histórico de UTI, chega com dispneia severa, fala entrecortada, sudorese, FR 32 irpm, SpO₂ 89%, uso de salbutamol sem melhora.

➡️ Fluxograma: “Crise asmática grave”
➡️ Discriminador: “História Significativa de Asma”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato


Situação 2 – Classificação Laranja

Adolescente de 15 anos, com asma moderada, refere chiado discreto, tosse seca há 2 dias. Já usou “bombinha” 4x hoje. FR 24 irpm, SpO₂ 96%, sem sinais de exaustão.

➡️ Fluxograma: “Dispneia leve em paciente com histórico de asma instável”
➡️ Discriminador: “História Significativa de Asma”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos


Situação 3 – Classificação Amarela

Mulher de 28 anos, asmática, sem sintomas no momento, comparece para reavaliação após crise ocorrida há 3 dias. Usou prednisona em casa, SpO₂ 98%, FR 18 irpm.

➡️ Fluxograma: “Asma controlada em reavaliação pós-crise”
➡️ Discriminador: “História Significativa de Asma”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos


👩‍⚕️ Conduta da enfermagem na triagem

  • Avaliar:

    • Gravidade da crise atual (se houver);

    • Histórico de UTI, intubação, uso de adrenalina ou internações recentes;

    • Aderência ao tratamento de manutenção e fatores de risco ambientais;

  • Checar:

    • Sinais vitais completos e oximetria;

    • Necessidade de oxigenoterapia ou broncodilatadores;

  • Providenciar:

    • Fluxo rápido de atendimento em casos de crise ativa;

    • Medidas de suporte respiratório e acesso venoso (em crises graves);

  • Registrar:

    • Frequência das crises, medicações em uso, histórico de agravamentos, plano de ação do paciente.


✅ O que aprendemos

O discriminador “História Significativa de Asma” é uma ferramenta fundamental na triagem de pacientes com doença respiratória crônica, permitindo reconhecer quem está sob maior risco de descompensação súbita, mesmo sem sinais agudos evidentes.

Sua aplicação correta no Protocolo de Manchester garante agilidade, segurança e precisão na priorização, contribuindo para a prevenção de agravamentos, intubações e óbitos por crises asmáticas evitáveis.


Última atualização: quinta-feira, 3 abr. 2025, 22:59