89 - História de T.C.E. – Traumatismo Crânio-Encefálico
História de T.C.E. – Traumatismo Crânio-Encefálico
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco neurológico
O discriminador “História de T.C.E.” é utilizado sempre que o paciente relata, ou há evidência de, qualquer impacto na cabeça, independentemente da gravidade aparente ou da presença de sintomas imediatos.
Segundo o Protocolo de Manchester, todo episódio de traumatismo envolvendo o crânio deve ser tratado como potencialmente grave, mesmo que o paciente esteja consciente e orientado, pois algumas lesões neurológicas têm evolução lenta e podem manifestar sintomas horas após o trauma, como ocorre nos hematomas subdurais ou concussões.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
História de T.C.E. – Traumatismo Crânio-Encefálico:
Qualquer relato ou observação de impacto, queda, colisão ou pancada na cabeça, independentemente da presença de sintomas no momento da triagem.
A aplicação do discriminador é mandatória quando:
Há relato claro de trauma na região da cabeça (ocipital, frontal, parietal, lateral);
A pessoa sofreu queda, acidente ou agressão com impacto direto no crânio;
Existem marcas visíveis de trauma (hematoma, ferida, edema, escoriação) no couro cabeludo ou face;
O paciente não se lembra do que aconteceu (amnésia pós-trauma).
🧠 Causas mais comuns de T.C.E.
🔴 Acidentes e quedas:
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Quedas da própria altura (com batida de cabeça);
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Queda de escadas, telhados, árvores, andaimes;
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Colisões em esportes de contato ou acidentes em ciclistas/motociclistas.
🟠 Agressões físicas:
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Pancadas com objetos, socos, empurrões com impacto na cabeça.
🔴 Acidentes de trânsito:
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Ejeção de veículos, motociclistas sem capacete, capotamentos;
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Lesões associadas ao uso inadequado de cinto de segurança ou ausência de airbag.
⚠️ Pacientes anticoagulados, idosos e crianças têm maior risco de hemorragia intracraniana, mesmo após traumas aparentemente leves.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Perguntar sobre qualquer trauma recente na cabeça:
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“Você bateu a cabeça? Lembra como foi?”
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“Estava usando capacete? Teve tontura, desmaiou ou vomitou?”
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“Alguém viu o acidente acontecer?”
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Observar sinais físicos compatíveis com T.C.E.:
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Hematomas, feridas, sangramentos, otorreia (saída de líquido pelo ouvido), equimose periorbitária (“olho de guaxinim”), hematoma retroauricular (sinal de Battle).
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Avaliar o estado neurológico e sinais vitais:
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Nível de consciência (Escala de Glasgow);
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Confusão mental, amnésia, sonolência, fala arrastada;
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Dor de cabeça progressiva, vômitos, crises convulsivas.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
Esse discriminador pode ser utilizado nos fluxogramas:
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Traumatismo craniano / colisão com perda de consciência
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Dor de cabeça após queda ou impacto
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Alteração do nível de consciência com história de trauma
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Paciente encontrado inconsciente após queda
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Vítima de agressão física
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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T.C.E. com:
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Rebaixamento do nível de consciência (Glasgow ≤ 8);
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Vômitos persistentes, convulsões, pupilas assimétricas;
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Sinais de fratura de base de crânio (líquido claro por nariz/ouvido);
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Instabilidade hemodinâmica com suspeita de lesão cerebral.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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T.C.E. com:
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Perda de consciência transitória;
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Amnésia do evento, cefaleia progressiva;
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Uso de anticoagulantes (ex: varfarina, rivaroxabana);
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Vômitos isolados, comportamento alterado.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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T.C.E. leve, sem sinais neurológicos, mas com:
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Queixa de dor local, presença de hematoma pequeno;
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Criança ou idoso em bom estado geral, sem vômitos nem sonolência;
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Observação de conduta.
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🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
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Trauma muito leve, sem sintomas ou risco:
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Paciente adulto, orientado, sem sinais de impacto visível ou sintomas, apenas deseja reavaliação.
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📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Idoso de 78 anos, caiu no banheiro, bateu a cabeça e foi encontrado inconsciente. Glasgow 9, PA 90/60 mmHg, vômito em jato, pupila direita dilatada.
➡️ Fluxograma: “Traumatismo craniano com rebaixamento”
➡️ Discriminador: “História de T.C.E.”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato + neuroavaliação urgente
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Homem de 34 anos, caiu de bicicleta, bateu a cabeça (sem capacete), teve desmaio breve, está alerta, mas com dor de cabeça e vômito. Glasgow 15.
➡️ Fluxograma: “T.C.E. com perda de consciência”
➡️ Discriminador: “História de T.C.E.”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Amarela
Criança de 7 anos, caiu da cama (altura de 50 cm), bateu a testa. Está ativa, sem vômito, sem sonolência. Pequeno galo frontal.
➡️ Fluxograma: “Trauma leve em criança com bom estado geral”
➡️ Discriminador: “História de T.C.E.”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar:
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Escala de Glasgow, PA, FC, FR, SpO₂;
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Pupilas, vômitos, resposta à dor, presença de sangue ou secreções;
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Verificar:
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Uso de anticoagulantes ou histórico de convulsão;
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Idade do paciente (idoso ou criança);
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Dinâmica do trauma;
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Providenciar:
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Monitoramento contínuo em caso de risco elevado;
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Encaminhamento prioritário para avaliação médica e exames de imagem (TC de crânio);
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Registrar:
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Detalhes da queda/impacto, achados físicos, sinais neurológicos, tempo do evento.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “História de T.C.E.” é um dos mais sensíveis e fundamentais do Protocolo de Manchester, pois garante que nenhum trauma craniano seja subestimado, mesmo quando os sinais clínicos são inicialmente discretos.
Sua aplicação rigorosa protege pacientes contra deteriorações neurológicas silenciosas e permite intervenções rápidas e eficazes, com base no mecanismo do trauma, estado clínico e vulnerabilidade individual.