90 - História de Traumatismo
História de Traumatismo
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e avaliação do risco envolvido no evento traumático recente
O discriminador “História de Traumatismo” se aplica a qualquer relato de evento traumático recente, como quedas, colisões, pancadas, lesões por esmagamento, torções ou acidentes domésticos, esportivos, ocupacionais ou de trânsito — mesmo que não haja sinais externos evidentes no momento da triagem.
O Protocolo de Manchester orienta que todo trauma físico deve ser registrado e analisado com atenção, pois lesões internas ou complicações podem não se manifestar de forma imediata, principalmente em pacientes mais vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas em uso de anticoagulantes.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
História de Traumatismo:
Qualquer evento recente em que o paciente sofreu impacto, queda, pancada, torção ou outro tipo de agressão física.
A ausência de lesões visíveis não exclui a possibilidade de dano interno, fraturas, contusões profundas, hematomas ou outras complicações.
🧠 Situações clínicas comuns de trauma recente
🔴 Traumas de alta energia:
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Acidente de carro, moto ou bicicleta;
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Queda de altura superior a 2 metros;
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Atropelamento com ou sem fratura aparente.
🟠 Traumas de baixa energia, mas com risco oculto:
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Queda da própria altura em paciente idoso ou anticoagulado;
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Pancada torácica ou abdominal sem sinais imediatos;
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Lesões esportivas com limitação funcional súbita.
🟡 Traumas em áreas sensíveis:
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Região cervical (coluna), crânio, tórax, abdômen, articulações grandes (joelho, quadril, ombro);
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Mão dominante, dedos, articulações de grande mobilidade.
⚠️ Mesmo pequenas quedas em pacientes com osteoporose, coagulopatias ou uso de anticoagulantes podem gerar fraturas ou hematomas graves.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Perguntar diretamente sobre qualquer trauma recente:
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“Você sofreu alguma queda ou pancada nos últimos dias?”
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“Estava em movimento? Foi empurrado ou escorregou?”
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“Está com dor desde um acidente recente?”
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Investigar o mecanismo do trauma:
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Como foi a queda ou colisão?
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De que altura? Com que parte do corpo?
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Usava cinto de segurança, capacete, EPI?
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Avaliar sinais e sintomas associados:
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Dor localizada, edema, hematoma, deformidade visível;
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Restrição de movimento, crepitação, instabilidade;
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Náuseas, sonolência ou cefaleia após impacto na cabeça.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
Este discriminador pode ser usado nos fluxogramas:
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Traumatismo em geral / politrauma
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Dor em membro após queda
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TCE (traumatismo crânio-encefálico)
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Dor abdominal ou torácica após impacto
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Paciente encontrado após acidente ou agressão
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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História de trauma + sinais de instabilidade:
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PA < 90 mmHg, FC > 130 bpm, confusão mental;
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Hemorragia ativa, fratura exposta, TCE com rebaixamento.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Trauma recente +:
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Dor intensa, deformidade, limitação funcional importante;
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Uso de anticoagulantes ou comorbidades graves;
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Localização crítica (coluna, abdômen, tórax, crânio).
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Trauma leve com dor localizada, sem sinais de alarme:
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Hematomas, escoriações, dor ao movimento, mas com sinais vitais normais.
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🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
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Pequeno trauma, sem dor, apenas reavaliação ou solicitação de atestado.
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Ex: batida leve no carro sem sintomas; queda sem dor.
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📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Idoso de 80 anos, caiu da escada, batendo o peito. Refere dor torácica intensa, sudorese, PA 85/55 mmHg, FR 30, confuso. Uso de anticoagulante.
➡️ Fluxograma: “Trauma torácico com sinais de instabilidade”
➡️ Discriminador: “História de Traumatismo”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Jovem de 25 anos, jogando futebol, torceu o joelho. Dor intensa, incapaz de apoiar o membro. Sinais vitais normais.
➡️ Fluxograma: “Lesão articular grave com limitação funcional”
➡️ Discriminador: “História de Traumatismo”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Amarela
Mulher de 40 anos, escorregou em casa e bateu o quadril. Caminha com dificuldade leve. Dor moderada, sem edema, sinais vitais normais.
➡️ Fluxograma: “Trauma de quadril com dor localizada”
➡️ Discriminador: “História de Traumatismo”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar:
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Local do trauma, dor, edema, funcionalidade;
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Sinais vitais completos e Escala de Dor;
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Investigar:
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Mecanismo do trauma e fatores de risco individuais (anticoagulação, idade, comorbidades);
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Providenciar:
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Encaminhamento adequado, priorizando local e gravidade do trauma;
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Acesso venoso, analgesia e imobilização (quando necessário);
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Registrar:
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Detalhes do acidente, sinais clínicos, uso de medicamentos e classificação definida.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “História de Traumatismo” é essencial para garantir que lesões ocultas ou potenciais complicações em eventos traumáticos recentes sejam detectadas precocemente. A abordagem correta, mesmo nos traumas leves, evita atrasos no diagnóstico de fraturas, hemorragias internas ou lesões neurológicas, assegurando um cuidado seguro e humanizado.