92 - Imunossupressão Conhecida
Imunossupressão Conhecida
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco em pacientes imunocomprometidos
O discriminador “Imunossupressão Conhecida” é utilizado na triagem quando o paciente possui qualquer condição clínica ou está sob tratamento que comprometa significativamente o sistema imunológico, deixando-o mais vulnerável a infecções comuns, complicações rápidas e evolução grave de doenças aparentemente simples.
No Protocolo de Manchester, esse discriminador é aplicado mesmo que o paciente apresente sinais vitais normais ou queixas leves, pois infecções em imunossuprimidos podem ter apresentações atípicas e rápida deterioração clínica, além de exigirem isolamento, abordagem precoce e avaliação médica imediata.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Imunossupressão Conhecida:
Qualquer paciente que apresente uma das seguintes condições:
Está em uso de medicação imunossupressora, como:
Corticoides em doses imunossupressoras (ex: prednisona ≥20 mg/dia por >14 dias);
Quimioterapia, imunobiológicos, agentes citotóxicos;
Antirrejeição em transplantados (ex: tacrolimo, ciclosporina, micofenolato);
Portador de HIV com Aids, especialmente com CD4 < 200 células/mm³ ou carga viral detectável;
Portadores de doenças autoimunes (lúpus, artrite reumatoide, doença de Crohn) em uso de imunossupressores;
Pacientes com imunodeficiência primária (ex: agamaglobulinemia);
Neutropenia induzida por tratamento oncológico.
🧠 Condições clínicas que indicam imunossupressão significativa
🟠 Situações medicamentosas:
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Uso crônico de corticosteroides em doses imunossupressoras;
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Quimioterapia ativa ou recente (últimos 30 dias);
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Tratamento com biológicos como infliximabe, rituximabe, adalimumabe.
🔴 Situações clínicas:
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Transplantados de medula óssea, rim, fígado, coração;
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Portadores de HIV/Aids com infecções oportunistas (candidíase esofágica, pneumocistose, toxoplasmose);
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Pacientes com lúpus, artrite reumatoide, esclerose sistêmica.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Perguntar diretamente sobre uso de medicações imunossupressoras:
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“Você usa corticoides, quimioterapia, ou medicações para rejeição de transplante?”
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“Tem HIV ou alguma doença que afeta sua imunidade?”
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Investigar o contexto clínico atual:
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Febre, tosse, dor abdominal, fadiga, sangramentos, perda de peso?
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Sintomas podem ser atenuados ou mascarados, mesmo em infecções graves.
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Observar fatores de risco para infecções oportunistas:
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Uso recente de antibióticos de amplo espectro;
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Internações frequentes ou recorrência de infecções;
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Histórico de neutropenia, anemia ou pancitopenia.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
Esse discriminador pode ser utilizado nos fluxogramas:
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Febre em paciente imunossuprimido / neutropênico
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Dor abdominal inespecífica em paciente imunodeprimido
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Tosse ou sintomas respiratórios em pacientes com HIV ou câncer
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Infecções recorrentes ou de repetição
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Alteração do estado geral em transplantados ou pacientes oncológicos
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Paciente imunossuprimido com:
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Febre > 38,5°C + hipotensão ou rebaixamento de consciência;
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Dispneia, SpO₂ < 92%, sinais de sepse ou confusão mental;
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Diarreia profusa ou vômitos persistentes com sinais de desidratação.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Imunossuprimido com sintomas moderados:
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Febre isolada > 38°C, tosse, mal-estar, dor torácica;
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Infecção urinária com disúria e dor lombar;
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Sintomas sem instabilidade, mas com alto risco de complicação.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Imunossuprimido sem sintomas relevantes, mas:
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Em vigilância pós-quimioterapia, reavaliação após exposição;
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Paciente transplantado ou HIV positivo assintomático em acompanhamento.
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⚠️ Mesmo pacientes estáveis devem ser avaliados com prioridade aumentada, dado o risco de evolução rápida e atípica.
📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Mulher de 45 anos, portadora de HIV/Aids (CD4: 110), apresenta febre alta, confusão mental e tosse seca. Saturação 89%, PA 90/60 mmHg.
➡️ Fluxograma: “Infecção respiratória em imunodeprimido”
➡️ Discriminador: “Imunossupressão Conhecida”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato + isolamento e suporte
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Homem de 60 anos, transplantado renal, em uso de tacrolimo e prednisona, com febre de 38,2 °C e dor lombar. Sinais vitais estáveis.
➡️ Fluxograma: “Febre em paciente imunossuprimido”
➡️ Discriminador: “Imunossupressão Conhecida”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Amarela
Paciente oncológica de 32 anos, em quimioterapia há 7 dias, comparece para reavaliação de exames. Sem febre, sem queixas.
➡️ Fluxograma: “Acompanhamento pós-quimioterapia”
➡️ Discriminador: “Imunossupressão Conhecida”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar:
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Presença de sintomas infecciosos, sinais vitais, estado geral;
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Uso atual de imunossupressores, histórico de internações;
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Investigar:
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Comorbidades associadas (neutropenia, HIV, câncer);
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Tempo de tratamento, histórico de infecções oportunistas;
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Providenciar:
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Isolamento, máscara cirúrgica ou N95 (conforme necessidade);
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Comunicação imediata à equipe médica;
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Encaminhamento preferencial mesmo na ausência de queixas;
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Registrar:
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Condição clínica, medicações em uso, sintomas, histórico recente e medidas tomadas.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “Imunossupressão Conhecida” é um dos mais importantes do Protocolo de Manchester, pois reconhece pacientes altamente vulneráveis a infecções, complicações clínicas e desfechos graves.
Mesmo quadros leves em imunodeprimidos podem evoluir rapidamente, por isso a aplicação deste critério com prudência, conhecimento e rapidez garante não apenas segurança ao paciente, mas também à equipe assistencial e à coletividade.