95 - Incapacidade de Andar
Incapacidade de Andar
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de risco funcional e neurológico
O discriminador “Incapacidade de Andar” é utilizado quando o paciente não consegue realizar a marcha de forma alguma, mesmo com apoio, devido a um quadro súbito, agudo ou progressivo.
O Protocolo de Manchester diferencia com clareza entre:
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Dificuldade para andar (por dor, fraqueza ou desequilíbrio), e
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Incapacidade real de andar, ou seja, impossibilidade completa de suportar o peso corporal ou mover-se de forma funcional.
Esse discriminador indica potencial gravidade clínica, pois pode estar relacionado a trauma grave, déficits neurológicos, fraturas ocultas, infecção musculoesquelética ou síndrome neuromuscular aguda.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Incapacidade de Andar:
Paciente incapaz de deambular, mesmo com ajuda, que antes era capaz. A condição pode ser de origem:
Neurológica (AVC, neuropatia aguda, paralisia súbita);
Musculoesquelética (fratura, luxação, miosite, artrite séptica);
Metabólica ou infecciosa (sepse, hipoglicemia, Guillain-Barré);
Traumática (queda com fratura oculta, dor incapacitante).
⚠️ Apenas pacientes com perda total da capacidade de andar devem ser classificados com este discriminador.
🧠 Causas clínicas comuns da incapacidade súbita de andar
🔴 Ortopédicas / Traumáticas:
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Fratura de quadril, fêmur, tíbia ou tornozelo;
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Luxação de articulação de carga;
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Artrite séptica ou gotosa aguda.
🟠 Neurológicas:
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Acidente vascular cerebral (AVC);
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Síndrome de Guillain-Barré;
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Compressão medular (por hérnia, fratura ou tumor);
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Crise miastênica ou esclerose múltipla em surto.
🟡 Outras causas:
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Hipoglicemia grave, desidratação severa, sepse;
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Efeitos adversos de medicamentos (benzodiazepínicos, opióides, antipsicóticos);
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Fadiga muscular em idosos ou pacientes com sarcopenia.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Investigar o que o paciente consegue fazer:
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“Você consegue ficar de pé sozinho?”
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“Consegue dar alguns passos com ou sem ajuda?”
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“Antes de hoje, andava normalmente?”
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Observar sinais objetivos:
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Tentativa de se levantar, suporte de peso, equilíbrio;
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Fraqueza muscular evidente, tremores, espasticidade, quedas frequentes.
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Verificar contexto clínico:
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História de trauma, uso de medicações, comorbidades neurológicas;
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Presença de febre, dor intensa, inchaço em membros inferiores.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
Este discriminador pode ser utilizado nos seguintes fluxogramas:
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Dor em membro inferior / quadril com perda funcional
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Alteração neurológica aguda (AVC, paralisia)
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Paciente geriátrico com incapacidade súbita de andar
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Febre com dor em articulações ou sinais inflamatórios
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Síndrome neurológica aguda / paralisia progressiva
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Incapacidade de andar com:
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Déficit neurológico súbito (paralisia, fala arrastada, face caída);
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Febre alta + dor articular severa (suspeita de artrite séptica);
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Suspeita de compressão medular aguda ou síndrome de Guillain-Barré com dispneia.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Incapacidade de andar com:
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Dor intensa em quadril, joelho ou tornozelo após queda;
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Febre + edema articular sem outros sinais de sepse;
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Fraqueza muscular progressiva ou dificuldade para manter a postura sentada.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Incapacidade de andar de início recente, sem sinais de alarme:
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Idoso com dor moderada em quadril, mas sem trauma claro;
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História de uso de psicotrópicos com sedação ou perda muscular.
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📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Mulher de 62 anos, refere início súbito de fraqueza nas pernas e queda. Não consegue se levantar, fala arrastada, pupila assimétrica, PA 190/110 mmHg.
➡️ Fluxograma: “AVC agudo”
➡️ Discriminador: “Incapacidade de Andar”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato + protocolo de AVC
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Idoso de 78 anos, caiu em casa, apresenta dor intensa no quadril, não consegue ficar de pé. Sinais vitais estáveis, sem edema visível.
➡️ Fluxograma: “Trauma ortopédico com incapacidade funcional”
➡️ Discriminador: “Incapacidade de Andar”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Amarela
Paciente de 85 anos, relata fraqueza progressiva nas pernas há 2 dias. Hoje está sem forças para andar, mas está alerta e com sinais vitais normais.
➡️ Fluxograma: “Fraqueza muscular em idoso”
➡️ Discriminador: “Incapacidade de Andar”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar:
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Capacidade funcional (levantar-se, caminhar, suportar peso);
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Presença de sinais neurológicos (assimetria, força, sensibilidade);
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Verificar:
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Histórico de quedas, uso de medicamentos, comorbidades;
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Sinais de infecção, edema, hematomas ou deformidades;
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Providenciar:
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Transporte seguro até sala de atendimento (cadeira de rodas ou maca);
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Encaminhamento imediato se houver suspeita de AVC ou fratura de quadril;
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Registrar:
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Grau de limitação, início dos sintomas, antecedentes e sinais clínicos associados.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “Incapacidade de Andar” é um alerta funcional importante no Protocolo de Manchester, pois representa um comprometimento agudo da mobilidade com múltiplas possíveis causas graves, como fratura, AVC, infecção articular ou condição neuromuscular emergente.
A correta aplicação desse critério permite ao profissional de triagem reconhecer rapidamente situações de urgência e evitar atrasos no diagnóstico e tratamento, garantindo segurança, agilidade e cuidado centrado no paciente.