100 - Infecção Local
Infecção Local
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de avaliação da gravidade infecciosa
O discriminador “Infecção Local” é utilizado quando o paciente apresenta sinais evidentes de inflamação e infecção limitados a uma área específica do corpo, como um dedo, ferida cirúrgica, região perianal, pé diabético, escoriação ou abscesso cutâneo.
Segundo o Protocolo de Manchester, o reconhecimento precoce de infecção localizada permite avaliar o risco de disseminação sistêmica, progressão para sepse, complicações funcionais e necessidade de intervenção cirúrgica ou antibiótica urgente.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Infecção Local:
Inflamação limitada a um único ponto corporal, com ou sem a presença de secreção purulenta, caracterizada por:
Dor localizada;
Inchaço (edema);
Eritema (vermelhidão);
Calor local;
Presença ou não de pus ou exsudato.
Pode ocorrer em tecidos moles, articulações, feridas cirúrgicas, glândulas (ex: mamária), áreas pilosas (foliculite, furúnculo) ou em cavidades superficiais.
🧠 Causas clínicas comuns de infecção local
🟠 Tecido cutâneo e subcutâneo:
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Celulite, erisipela, abscessos, furúnculo, carbúnculo;
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Infecção de feridas pós-trauma ou pós-operatórias;
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Pé diabético com lesão infectada.
🟡 Outros focos:
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Infecções dentárias, orofaciais, gengivite infecciosa;
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Paroníquia (infecção periungueal), mastite, bartolinite;
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Infecções anais (abscessos, fissuras com infecção associada).
⚠️ A infecção local pode evoluir rapidamente para infecção sistêmica, especialmente em pacientes diabéticos, imunossuprimidos, idosos ou com doenças vasculares periféricas.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Observar a área afetada:
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Presença de vermelhidão delimitada, dor à palpação, aumento de volume, flutuação (em caso de pus), calor local;
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Verificar se há drenagem purulenta ou odor fétido;
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Avaliar sintomas gerais:
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Há febre associada? Calafrios? Mal-estar?
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Presença de linfadenopatia regional (gânglios dolorosos)?
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Considerar fatores de risco clínico:
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Diabetes, uso de imunossupressores, histórico de infecções recorrentes ou cirurgias recentes.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
Este discriminador pode ser utilizado nos seguintes fluxogramas:
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Ferida ou lesão com sinais de infecção
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Dor em membro com eritema e edema
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Complicações pós-cirúrgicas (infecção da ferida)
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Infecção em pé diabético ou úlcera crônica
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Abscesso cutâneo ou subcutâneo
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Infecção dentária com extensão facial
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Infecção local com sinais de sepse:
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PA < 90 mmHg, FC > 130 bpm, febre alta, rebaixamento de consciência;
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Extensa celulite com risco de síndrome compartimental ou necrose;
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Disseminação rápida com linfangite ascendente intensa e sinais sistêmicos.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Infecção local +:
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Dor intensa, edema e calor local acentuado;
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Febre persistente, linfangite evidente, abscesso de grande volume;
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Pé diabético com sinais inflamatórios agudos e ferida aberta.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Infecção localizada sem febre ou sinais sistêmicos, mas com:
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Dor moderada, abscesso pequeno, ferida com secreção purulenta controlada;
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Edema e hiperemia leves, paciente com bom estado geral.
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🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
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Lesão com sinais discretos de infecção, sem secreção purulenta, sem dor intensa nem febre.
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Ex: espinha inflamada, início de foliculite ou pequenas lesões cutâneas em cicatrização.
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📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Homem de 58 anos, diabético, com ferida no pé apresentando eritema intenso, odor fétido, febre 39,5 °C, PA 90/60 mmHg, confusão mental.
➡️ Fluxograma: “Infecção grave de membro inferior / sepse em pé diabético”
➡️ Discriminador: “Infecção Local”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato + antibioticoterapia e suporte
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Mulher de 35 anos, com abscesso em axila direita, muito doloroso, com flutuação evidente e febre 38,5 °C.
➡️ Fluxograma: “Abscesso em tecidos moles com febre”
➡️ Discriminador: “Infecção Local”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Amarela
Paciente de 22 anos, com ferida pequena no joelho após queda há 3 dias, com leve vermelhidão e secreção purulenta. Sem febre, sinais vitais normais.
➡️ Fluxograma: “Infecção de ferida leve”
➡️ Discriminador: “Infecção Local”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar:
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Estado local da infecção: cor, volume, calor, dor, secreção, flutuação;
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Sinais vitais, febre, presença de linfadenopatia regional;
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Investigar:
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Tempo de evolução da infecção, fatores de risco (diabetes, cirurgia recente, uso de imunossupressores);
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Tratamentos prévios ou uso de antibióticos;
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Providenciar:
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Imobilização do membro (se indicado), curativo protetor, analgesia leve conforme prescrição local;
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Encaminhamento imediato nos casos com sinais sistêmicos ou risco de sepse;
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Registrar:
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Local, extensão e aspecto da infecção, presença de febre, classificação e conduta.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “Infecção Local” é essencial para identificar precocemente situações que vão desde inflamações leves até infecções potencialmente graves, especialmente em populações de risco.
Sua aplicação correta no Protocolo de Manchester permite a estratificação segura do risco, evita atrasos no tratamento antibiótico ou cirúrgico, e contribui para a prevenção de complicações como sepse, necrose ou amputações.