103 - Início Repentino
Início Repentino
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critério de risco em sintomas de instalação súbita
O discriminador “Início Repentino” é utilizado quando qualquer sinal ou sintoma aparece de forma súbita, em segundos ou poucos minutos, muitas vezes sem aviso prévio e com impacto significativo sobre o bem-estar ou a funcionalidade do paciente.
Segundo o Protocolo de Manchester, esse critério é um marcador de urgência, pois muitas condições clínicas graves se manifestam subitamente, como acidente vascular cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio, dissecção de aorta, pneumotórax espontâneo, epilepsia, entre outras.
⚠️ A instalação súbita dos sintomas pode até acordar o paciente durante o sono, o que por si só aumenta a suspeita de gravidade.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Início Repentino:
Surgimento inesperado e súbito de sintomas ou sinais clínicos, percebido pelo paciente como início abrupto, em questão de segundos ou poucos minutos.
Pode envolver:
Dor súbita (torácica, abdominal, cefaleia);
Fraqueza, tontura ou visão turva súbita;
Perda de consciência, paralisia, confusão;
Falta de ar ou opressão torácica repentina.
🧠 Condições clínicas com início repentino mais comuns
🔴 Neurológicas:
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AVC isquêmico ou hemorrágico;
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Convulsões (inclusive crise parcial complexa);
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Ataque isquêmico transitório (AIT);
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Enxaqueca com aura ou cefaleia em trovoada (suspeita de hemorragia subaracnóidea).
🔴 Cardiovasculares:
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Infarto agudo do miocárdio;
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Dissecção de aorta;
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Arritmias cardíacas sintomáticas (taquiarritmias ou bradiarritmias graves);
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Embolia pulmonar.
🔴 Respiratórias:
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Pneumotórax espontâneo;
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Edema agudo de pulmão;
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Crise asmática ou broncoespasmo severo.
🟠 Outras causas:
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Torsão testicular ou ovariana;
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Cólica renal ou biliar intensa de início súbito;
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Anafilaxia ou reação alérgica grave.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Perguntar sobre o tempo de início dos sintomas:
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“Você sentiu esse sintoma de repente?”
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“Estava tudo normal antes de começar?”
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“Estava dormindo quando acordou com o sintoma?”
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Investigar o tipo de sintoma:
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Dor aguda (torácica, cefaleia, abdominal);
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Fraqueza ou formigamento em um lado do corpo;
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Confusão mental, dificuldade de falar ou andar;
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Queda da saturação, palidez súbita, síncope.
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Observar sinais de urgência:
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Nível de consciência, alteração da fala, coloração da pele, frequência respiratória e padrão ventilatório, sinais neurológicos.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
Esse discriminador pode ser aplicado nos seguintes fluxogramas:
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Dor torácica com suspeita de síndrome coronariana aguda
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Déficit neurológico focal (AVC, AIT)
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Dispneia de início súbito / pneumotórax
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Cefaleia intensa e repentina
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Palpitações ou síncope
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Dor abdominal aguda de início abrupto
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Início repentino de sintomas com:
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Déficit neurológico focal, rebaixamento de consciência;
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Dor torácica intensa + dispneia ou palidez;
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Dispneia súbita + cianose ou SpO₂ < 90%;
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Cefaleia súbita e violenta (“em trovoada”).
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Início súbito de dor ou mal-estar com:
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Sinais vitais ainda estáveis, mas queixa sugestiva de urgência;
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Dor abdominal intensa ou cólica renal de início brusco;
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Palpitações com mal-estar, mas sem rebaixamento.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Início repentino de sintoma leve/moderado:
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Sem sinais de alarme, paciente ativo e responsivo;
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Ex: torcicolo súbito, formigamento leve transitório, dor em cólica de intensidade leve.
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📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Homem de 62 anos, relata início súbito de fraqueza no braço esquerdo e fala embolada há 10 minutos. Pressão arterial elevada, pupilas assimétricas.
➡️ Fluxograma: “AVC agudo”
➡️ Discriminador: “Início Repentino”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato com protocolo de trombólise
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Mulher de 50 anos, refere dor torácica aguda, em queimação, que começou de forma súbita ao acordar. PA 140/85 mmHg, SpO₂ 95%, FC 112 bpm.
➡️ Fluxograma: “Dor torácica com início súbito”
➡️ Discriminador: “Início Repentino”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Amarela
Jovem de 25 anos, acordou com dor aguda no pescoço ao virar a cabeça. Sem alterações neurológicas, sinais vitais normais.
➡️ Fluxograma: “Dor cervical de início agudo”
➡️ Discriminador: “Início Repentino”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar:
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Tempo exato do início dos sintomas, intensidade, evolução;
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Sinais vitais, nível de consciência, saturação de O₂, estado neurológico;
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Investigar:
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Doenças cardiovasculares, neurológicas ou respiratórias prévias;
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Uso de medicamentos, presença de fatores desencadeantes (esforço, estresse, repouso);
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Providenciar:
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Acesso venoso, oxigênio, ECG, escala de AVC (ex: Cincinnati ou FAST) se aplicável;
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Encaminhamento imediato para sala de emergência quando necessário;
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Registrar:
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Descrição clara do início dos sintomas, horário preciso e manifestação clínica.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “Início Repentino” é um dos mais importantes no contexto de triagem, pois está frequentemente relacionado a condições clínicas agudas de alto risco, como AVC, infarto ou embolia.
Sua aplicação correta no Protocolo de Manchester permite a detecção precoce, estratificação adequada e atendimento imediato a pacientes potencialmente graves, melhorando os desfechos e salvando vidas.