105 - Lesão
Lesão
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e critérios de avaliação em eventos traumáticos recentes
O discriminador “Lesão” refere-se a qualquer dano físico sofrido por um paciente em consequência de um evento traumático recente, como quedas, acidentes, agressões, contusões, cortes, perfurações ou lacerações.
No Protocolo de Manchester, a presença de uma lesão recente não define, por si só, a gravidade clínica, mas exige avaliação cuidadosa quanto ao mecanismo do trauma, extensão da lesão, sintomas associados e presença de sinais de risco, como sangramentos, deformidades, dor intensa ou comprometimento funcional.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Lesão:
Refere-se a qualquer evento físico traumático recente, resultando em dano ou alteração estrutural nos tecidos corporais — como pele, músculos, articulações, ossos, olhos ou órgãos internos.Pode ser causada por:
Quedas (da própria altura ou alturas maiores);
Acidentes de trânsito;
Cortes, lacerações, queimaduras, perfurações;
Contusões, esmagamentos, torções ou impactos diretos;
Agressões físicas ou acidentes domésticos.
🧠 Tipos mais comuns de lesão em contextos de urgência
🟠 Lesões cutâneas superficiais:
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Escoriações, cortes leves, arranhões, pequenas lacerações.
🟡 Lesões musculoesqueléticas:
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Contusões, entorses, fraturas fechadas ou expostas, luxações, distensões musculares.
🔴 Lesões de risco aumentado:
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Trauma craniano (com ou sem perda de consciência);
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Trauma torácico ou abdominal (possível hemorragia interna);
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Lesões oculares, perfurações profundas, mordidas, queimaduras extensas.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Investigar o evento traumático:
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“O que aconteceu?”
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“Foi uma queda, batida, corte, pancada, torção?”
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“Há quanto tempo ocorreu o trauma?”
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Observar a lesão e sintomas associados:
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Presença de dor, sangramento, edema, hematoma, deformidade, limitação de movimento, sangramento ativo ou sinais neurológicos.
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Avaliar a gravidade do mecanismo de trauma:
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Altura da queda, velocidade do impacto, uso de proteção (cinto, capacete), local da lesão (crânio, face, tórax, abdome, articulações).
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
Este discriminador pode ser utilizado nos fluxogramas:
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Trauma em membro com dor ou deformidade
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Trauma craniano com ou sem perda de consciência
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Ferimento cortante ou laceração com sangramento
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Lesões por queda ou colisão veicular
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Trauma abdominal ou torácico
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Queimaduras recentes ou exposição a agentes químicos
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Lesão com sinais de instabilidade:
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Hemorragia ativa e incontrolável;
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Trauma craniano com rebaixamento do nível de consciência;
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Trauma torácico com dispneia ou crepitação;
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Ferida profunda com exposição de vísceras ou fratura exposta com sangramento.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Lesão com:
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Dor intensa, edema importante, limitação funcional significativa;
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Ferida extensa, mas com sangramento controlado;
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História de queda ou colisão com risco de fratura ou TCE, mas sem sinais de alarme.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Lesão leve a moderada com dor tolerável:
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Contusões simples, entorses leves, escoriações superficiais;
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Cortes pequenos sem sinais de infecção, sem sangramento ativo.
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🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
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Lesões leves e estáveis, como:
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Pequenos cortes, hematomas localizados, arranhões ou pancadas com função preservada e dor leve.
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📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Homem de 35 anos, vítima de acidente de moto, com ferida aberta no abdome e evisceração. PA 85/60 mmHg, FC 128 bpm.
➡️ Fluxograma: “Lesão abdominal penetrante”
➡️ Discriminador: “Lesão”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Adolescente de 15 anos, queda durante futebol, dor intensa no tornozelo, edema e incapacidade de pisar. Sem sangramento.
➡️ Fluxograma: “Trauma em membro inferior com perda funcional”
➡️ Discriminador: “Lesão”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Amarela
Mulher de 42 anos, corte superficial na mão com faca de cozinha. Pequeno sangramento, dor leve, sem sinais de infecção.
➡️ Fluxograma: “Ferimento leve em extremidade”
➡️ Discriminador: “Lesão”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar:
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Tipo de lesão, localização, profundidade, presença de dor, edema, limitação funcional ou sangramento;
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Sinais vitais, nível de consciência, dor referida;
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Investigar:
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Mecanismo do trauma, tempo desde o ocorrido, uso de anticoagulantes, histórico de lesões semelhantes;
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Providenciar:
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Curativo compressivo (se necessário), imobilização provisória, analgesia conforme protocolo;
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Encaminhamento imediato em casos de risco vital ou estrutural;
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Registrar:
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Local e tipo da lesão, características, mecanismo causal, classificação e conduta adotada.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “Lesão” é uma das categorias mais amplas e frequentemente utilizadas na triagem de urgência, pois envolve qualquer trauma físico recente. Sua correta aplicação no Protocolo de Manchester permite avaliar com precisão a gravidade e a urgência do atendimento, otimizando o cuidado ao paciente e prevenindo complicações.