107 - Lesão por Inalação
Lesão por Inalação
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e risco respiratório oculto por gases tóxicos ou fumaça
A lesão por inalação ocorre quando a pessoa respira gases tóxicos, fumaça ou vapores químicos nocivos, geralmente em ambientes fechados durante incêndios, explosões ou acidentes com substâncias voláteis.
Segundo o Protocolo de Manchester, a presença ou não de sinais visíveis não exclui a gravidade da exposição. A história de exposição em local fechado com fumaça é o indicador mais confiável, mesmo na ausência de marcas físicas externas.
⚠️ A lesão por inalação pode levar à obstrução aguda de vias aéreas, queimaduras internas, edema de laringe, intoxicação por monóxido de carbono e insuficiência respiratória — com início imediato ou retardado.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Lesão por Inalação:
Situação em que a pessoa esteve exposta à inalação de fumaça, vapor tóxico ou gás, geralmente em ambiente confinado, com ou sem sinais visíveis.A triagem deve considerar como critério diagnóstico primário:
Histórico confiável de confinamento em ambiente com fumaça ou gás;
Sinais sugestivos como rouquidão, tosse seca, dispneia, estridor;
Presença de fuligem ou carbono em boca e narinas.
🧠 Principais causas clínicas de lesão por inalação
🔴 Incêndios e explosões:
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Respiração de fumaça densa e quente em ambientes fechados (casas, ônibus, fábricas);
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Queimaduras térmicas associadas à inalação de gases quentes.
🔴 Exposição a substâncias químicas:
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Gases industriais (cloro, amônia, cianeto, dióxido de enxofre);
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Substâncias de limpeza em ambientes fechados;
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Gases tóxicos domésticos (fogão com vazamento, aquecedores a gás mal regulados).
🔴 Inalação de monóxido de carbono (CO):
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Causa comum e silenciosa de intoxicação;
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Não tem cheiro, cor ou irritação;
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Leva à hipóxia tecidual com risco de morte.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Investigar o histórico com perguntas diretas:
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“Você estava em um local com fumaça ou gás?”
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“O ambiente estava fechado?”
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“Você teve dificuldade de sair do local?”
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“Havia cheiro forte, fumaça densa ou vapores?”
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Observar sinais clínicos sugestivos:
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Rouquidão, tosse seca, respiração ruidosa (estridor), confusão;
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Fuligem em boca e nariz, odor de fumaça na pele ou roupas;
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Náuseas, tontura, dor de cabeça (sugestivos de intoxicação por CO);
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Queimaduras na face ou vibrissas nasais chamuscadas.
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Avaliar sinais vitais e oximetria:
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Taquipneia, saturação < 94%, FC elevada, confusão mental.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
Este discriminador pode ser utilizado nos fluxogramas:
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Queimadura com suspeita de inalação
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Dispneia ou estridor pós-exposição a fumaça/gás
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Alteração do nível de consciência por exposição ambiental
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Acidente com produto químico inalado
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Exposição ao monóxido de carbono (casa com lareira, fogão, gerador)
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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História de inalação +:
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Confusão mental, rebaixamento do nível de consciência;
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Rouquidão, estridor, uso de musculatura acessória, cianose;
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SpO₂ < 90% ou sinais de intoxicação por CO (cefaléia intensa, náuseas, convulsão);
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Queimaduras faciais com fuligem em cavidade oral ou nasal.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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História de inalação +:
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Tosse persistente, rouquidão, desconforto respiratório leve a moderado;
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SpO₂ borderline (91–94%);
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Ausência de sinais de comprometimento de via aérea, mas exposição significativa confirmada.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Exposição a fumaça ou vapor irritante com sintomas leves (ex: ardência ocular, leve irritação de garganta), em ambiente ventilado e com estado geral preservado.
📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Homem de 60 anos, retirado inconsciente de incêndio em garagem. Apresenta fuligem na boca e nariz, SpO₂ 86%, FC 122 bpm, PA 90/60 mmHg.
➡️ Fluxograma: “Inalação de fumaça com comprometimento respiratório”
➡️ Discriminador: “Lesão por Inalação”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Mulher de 35 anos, exposta à fumaça em incêndio de cozinha fechada. Está consciente, refere tosse e rouquidão. Sem fuligem visível. SpO₂ 93%.
➡️ Fluxograma: “Inalação com sintomas respiratórios leves”
➡️ Discriminador: “Lesão por Inalação”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Amarela
Jovem de 25 anos, entrou em depósito com cheiro de solvente forte. Relata leve ardência ocular e dor de cabeça. Sem tosse, respira normalmente.
➡️ Fluxograma: “Exposição leve a gás irritante”
➡️ Discriminador: “Lesão por Inalação”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar:
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Sinais respiratórios (estridor, tosse, SpO₂, uso de musculatura acessória);
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Presença de fuligem, queimaduras faciais, alteração de consciência;
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Investigar:
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Tempo de exposição, tipo de ambiente, substância inalada;
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Se estava em espaço fechado ou ventilado;
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Providenciar:
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Oxigenoterapia de alto fluxo (com máscara não reinalante);
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ECG, monitorização contínua e preparo para via aérea avançada, se necessário;
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Registrar:
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Relato do paciente, achados físicos, localização do incidente, sintomas associados, classificação e conduta adotada.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “Lesão por Inalação” deve ser aplicado sempre que houver suspeita ou confirmação de exposição a fumaça ou gases tóxicos, independentemente da presença de sinais visíveis.
Sua correta aplicação no Protocolo de Manchester permite identificar e priorizar rapidamente pacientes com risco de insuficiência respiratória iminente, intoxicação grave e parada respiratória.