110 - Lesão Ocular
Lesão Ocular
Reconhecimento clínico, aplicação no Protocolo de Manchester e avaliação de urgência em traumatismos oculares
A lesão ocular refere-se a qualquer traumatismo recente que afeta um ou ambos os olhos, seja por impacto direto, corpo estranho, substância química, queimadura, corte ou perfuração.
Segundo o Protocolo de Manchester, toda lesão ocular deve ser considerada com atenção especial, pois pequenos traumas podem evoluir rapidamente para perda visual irreversível se não forem tratados com rapidez e precisão.
⚠️ A triagem correta de lesões oculares é essencial para evitar complicações graves como perfuração do globo ocular, descolamento de retina, infecção intraocular, queimaduras químicas e cegueira.
📌 Definição segundo o Protocolo de Manchester
Lesão Ocular:
Qualquer evento traumático recente que afete diretamente o olho ou estruturas perioculares (córnea, conjuntiva, esclera, pálpebras, canal lacrimal ou fundo de olho), podendo envolver:
Trauma contuso (pancada, queda, soco);
Trauma perfurante (objeto pontiagudo, estilhaços);
Corpo estranho (partículas metálicas, areia, pó);
Queimaduras térmicas ou químicas;
Lesões secundárias a agressões, acidentes ou esportes.
🧠 Tipos comuns de lesões oculares e suas causas
🔴 Traumas contusos:
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Pancada com bola, soco, acidente de carro, queda;
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Pode causar hifema (sangue na câmara anterior), descolamento de retina, edema macular, fratura de órbita.
🔴 Perfurações e cortes:
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Objetos pontiagudos (tesoura, lápis, galho de árvore);
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Perfuração de globo ocular, com perda da integridade estrutural.
🔴 Corpos estranhos:
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Metal, areia, cisco, vidro, pó de cimento;
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Risco de abrasão de córnea e infecção.
🔴 Lesões químicas:
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Produtos de limpeza, cal, ácidos, cola instantânea;
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Risco elevado de necrose da córnea e cegueira se não lavadas imediatamente.
🔍 Como identificar esse discriminador na triagem?
Durante a triagem, o enfermeiro deve:
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Investigar o tipo de trauma ocular:
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“O que atingiu o seu olho?”
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“Foi batida, objeto perfurante, produto químico ou algo entrou no olho?”
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“Houve perda visual, dor, vermelhidão ou lacrimejamento após o trauma?”
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Observar sinais clínicos objetivos:
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Edema de pálpebra, sangramento, laceração;
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Hifema (sangue visível na parte anterior do olho);
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Pupilas assimétricas, perda de acuidade visual, fotofobia.
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Avaliar fatores de risco e evolução:
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Tempo desde o trauma, intensidade da dor, piora progressiva dos sintomas;
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Histórico de cirurgia ocular, uso de lente de contato, risco ocupacional.
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🛠️ Aplicação nos fluxogramas do Protocolo de Manchester
Este discriminador pode ser aplicado nos seguintes fluxogramas:
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Trauma ocular com dor e perda visual
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Exposição ocular a produto químico
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Corpo estranho ocular com sensação de areia
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Sangramento ocular ou laceração palpebral
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Edema, hematoma ou deformidade após impacto
🎯 Classificação de risco por cores
🔴 Vermelho – Atendimento imediato
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Trauma ocular +:
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Perfuração evidente, proptose ocular, extravasamento de humor vítreo;
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Dor intensa com perda súbita de visão;
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Exposição a produto químico corrosivo sem irrigação imediata;
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Hifema extenso ou deformidade da pupila.
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🟠 Laranja – Atendimento em até 10 minutos
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Lesão ocular +:
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Dor intensa, corpo estranho profundo, sangramento discreto na câmara anterior;
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Lacerações palpebrais extensas;
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Redução de acuidade visual parcial ou edema progressivo.
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🟡 Amarelo – Atendimento em até 60 minutos
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Lesão ocular leve:
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Corpo estranho superficial, ardência, lacrimejamento, leve vermelhidão, sem perda visual.
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🟢 Verde – Atendimento em até 120 minutos
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Trauma leve já resolvido:
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Queixa ocular leve sem dor significativa, corpo estranho removido no local, sem alterações visuais.
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📋 Exemplos clínicos aplicados
✅ Situação 1 – Classificação Vermelha
Homem de 34 anos, perfuração ocular por vergalhão em obra. Globo ocular deformado, pupila irregular, perda total da visão direita.
➡️ Fluxograma: “Trauma ocular perfurante”
➡️ Discriminador: “Lesão Ocular”
➡️ Classificação: vermelho – atendimento imediato e oftalmologia de emergência
✅ Situação 2 – Classificação Laranja
Adolescente de 15 anos, pancada com bola no olho esquerdo, apresenta dor intensa, vermelhidão e visão embaçada.
➡️ Fluxograma: “Trauma contuso com suspeita de hifema”
➡️ Discriminador: “Lesão Ocular”
➡️ Classificação: laranja – atendimento em até 10 minutos
✅ Situação 3 – Classificação Amarela
Mulher de 40 anos, corpo estranho ocular (pó de cimento), lavou com água, dor leve e ardência persistente.
➡️ Fluxograma: “Corpo estranho ocular”
➡️ Discriminador: “Lesão Ocular”
➡️ Classificação: amarelo – atendimento em até 60 minutos
👩⚕️ Conduta da enfermagem na triagem
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Avaliar:
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Integridade do globo ocular, dor, presença de secreção, visão alterada, reatividade pupilar;
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Sinais vitais, Glasgow (se houver trauma associado);
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Investigar:
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Tipo e mecanismo do trauma, substância envolvida (se química), tempo de exposição;
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Providenciar:
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Irrigação com SF 0,9% imediata em casos químicos;
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Compressa estéril, proteção do olho lesado (sem compressão), analgesia conforme prescrição;
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Registrar:
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Lado afetado, sintomas visuais, achados oculares, histórico de uso de lentes de contato ou cirurgias, classificação e conduta.
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✅ O que aprendemos
O discriminador “Lesão Ocular” exige avaliação rápida e precisa, pois até mesmo traumas aparentemente simples podem gerar complicações sérias, como infecção, perfuração e perda visual permanente.
Sua correta aplicação no Protocolo de Manchester permite priorizar o atendimento conforme o tipo de lesão, protegendo a integridade ocular do paciente e garantindo encaminhamento oportuno para oftalmologia ou cirurgia emergencial.